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Poesia de Cremilde Vieira da Cruz

Ainda Ontem; Cântico a uma flor ( Para meus filhos)
Ainda Ontem
Ainda ontem havia lÃrios nos campos,
O sol resplandecia ao acordar da manhã,
As marés fluÃam das cordas das violas
Elevadas com ostentação...
Entretanto os relógios corriam, corriam...
As coisas não tinham nome
E existiam mistérios ao redor de tudo.
Súbito:
Uma folha A quatro,
Letras tingidas de lágrimas,
Loucura derramada em letras...
O que é isto?
Uma casa azul,
O privilégio de arrecadar mil poemas
Ou mais, muitos mais,
Porém coisas sem nome, sem história, sem nexo;
Sonhos:
Centenas de velas acesas,
O fascÃnio do sorriso das crianças,
Astros dependurados em alegria
Abraços, abraços, abraços...
Oh! Surgiu o receio de qualquer coisa,
O baloiçar das ondas junto à praia,
Os segredos imensos que guardavam,
O navegar dos barcos lá longe,
Parindo medos...
O mar ali, imenso, tenebroso,
Mas apaixonante.
Existia um livro
Dois livros,
Três livros,
Muitos livros, amigos de todas as horas,
Viagens sem destino,
Paisagens de sonho,
Silêncios forçados.
Repentinamente
Palmas e palmas e palmas.
Os actores eram estrelas
E cintilavam de reconhecimento.
Todavia, tudo não passava de coisa nenhuma.
Então,
Os pianos calaram-se,
A música terminou,
Os sonhos dissiparam-se,
Impôs-se o desencanto.
Cântico a uma flor ( Para meus filhos)
Nasceste num canteiro entre as serras
De cafeeiros plantados e floridos
Ã?rvores envoltas de longas heras
Esperanças no olhar sonhos erguidos
Cantei-te com grande amor no coração
Compartilhámos alegrias e gemidos
Caminhámos tua mão na minha mão
Teus gestos e meus gestos parecidos
Contei-te lindas histórias de embalar
Outras histórias que não queria contar
Foste do meu jardim o viço e a cor
Canto-te ainda neste canto à beira mar
Cantar-te-ei enquanto puder cantar
Cantar-te-ei minha saudade e meu amor
Cremilde Vieira da Cruz