Arlete Deretti Brasil Fernandes
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Página de Arlete Deretti Brasil Fernandes

 

Poema: A Criança que vive em mim. Poema : Saudação à Primavera. Poema: Quando Fui Tua . Conto / Crónica: Ilha da Magia - Manezinho, com muito orgulho, sim sinhôri.

A Criança que vive em mim.

Dei-me conta da criança que um dia fui,
Que vive em mim, e à qual sou grata,
Não poderia esquecê-la nem deixá-la morrer.
Presto-lhe a homenagem de meus sentimentos.
Sua evocação suaviza os difíceis momentos,
Com esta menina aprendo a viver.

Observo através das recordações, nos jogos,
doces gestos, pensamentos e inclinações,
Isto revela-me a sensibilidade daquele tempo.
Ao recordá-la, enlaço-a à minha existência,
Ela me inspira, me alegra e me vêm sensações
Através de palavras e sorrisos inocentes.

Não quero cometer este crime simbólico,
E por isto evoco a criança com satisfação,
Também não quero deixar morrer a jovem.
Minha existência é um todo, hoje sou do ontem
A continuação, e do amanhã a construção.
Assim minha vida não se perde em blocos.
.
Por isto admiro a simplicidade nos gestos,
Nas atitudes onde não tem lugar a maldade.
Vejo-me a colher flores com toda a liberdade.
A subir em árvores de variadas espécies, a
Colher frutos e por insetos ser picada,
Chegando em casa com minha roupa rasgada.

Sentar-me ao colo de meus pais com carinho.
As vezes, sair disparada, a correr
da avó para não levar uma chinelada.
Na parreira colher deliciosas uvas, cultivadas
Com amor pelo meu pai. Sentir alegria de viver,
Sem tristezas, tudo era somente prazer.

 

Saudação à Primavera

No espaço sideral balança o sol,
Como se fosse um pêndulo suspenso.
A paisagem é pintada de azul, verde e amarelo,
Todo o ambiente renova-se, muito belo.

Sobre uma ponte quedo-me a olhar o rio,
Que corre e renova sempre suas águas.
O vento carrega pedaços de soluços,
Da floresta, da terra e dos mares.

No rio de águas límpidas murmura a corrente,
Nos campos e jardins as flores se abrem em perfume,
Dando à natureza um cheiro inebriante.

Voam em bandos coloridos passarinhos,
E as lindas flores, cheias de alegria,
Dançam com a luz a rir pelos caminhos.

 

Quando Fui Tua

Se consideras que fui tua,
No momento em que me tiveste
Entre teus braços,
Sob o poder sedutor de tua boca
E do calor de teu abraço,
que prendeu-me a respiração...

Enganas-te!
Não foi naquele momento.
Foi quando teu espírito e tua alma
Acoplaram-se ao meu espírito e à minha alma!
Foi quando durante todos estes anos,
Comungamos sempre juntos de
Alegrias e de tristezas...

Foi quando conheceste meus enganos
E disseste que não eram enganos,
Que os transformaríamos em doces verdades...
Quando viste que nem sempre
Teu modo de pensar era o meu,
Nem todos os meus rumos eram teus...

O amor brilhou como nunca em tua face,
E me surpreendeste com os teus valores
E com tua fidelidade incondicional...
Quando te alegraste com as minhas alegrias,
E me protegeste nas horas de dor que eram nossas.
Com tuas sinceras palavras, das quais sempre tive fome...

Nestes momentos é que fui tua!

 

Ilha da Magia - Manezinho, com muito orgulho, sim sinhôri.

Bonito dia de sol, nada melhor do que dar um passeio pela Ilha da Magia. Aqui, a agitação da vida moderna convive com a placidez das comunidades do interior. Moramos numa das praias do Leste - Sul, onde o escritor Saint - Exupéry aterrisava seu avião, na volta de Buenos Aires, para onde levava o correio francês.

Quando adolescente, amei «O Pequeno Príncipe», só não poderia imaginar que um dia residiria próxima a uma avenida que tem o nome do querido escritor.

Com meu marido, resolvemos ir até à Praia de Armação do Pântano do Sul, um verdadeiro paraíso. Como soprava um forte vento, não dava para entrar na água. Ao contemplar aquele mar azul, caminhávamos pela praia observando o quanto o espírito açoriano herdado dos imigrantes que povoaram a região há duzentos e cincoenta anos, a personalizaram.

Depois de uma boa caminhada, sentamo-nos à sombra de uma amendoeira que está a deixar cair as folhas de inverno e ficamos a observar o colorido dos barcos de pesca e das canoas atracadas. A frente de algumas casas, rendeiras teciam seus lindos trabalhos. A arquitetura colonial é bem interessante, chama-nos a atenção. Mais adiante, pescadores arrastavam uma rede.

As palavras açorianas incorporadas ao nosso vocabulário são muito divertidas, alguns as chamam de «manezês». Um dialeto, só que entendido por todos. Existe até um dicionário da Ilha.

A maioria das palavras tem um forte sotaque açoriano com gosto de caldo de peixe e farinha de mandioca, herdados dos verdadeiros nativos, os índios carijós, por trás dos bigodes lusitanos.

Esta fala ainda acrescentou algumas palavras dos gaúchos ou outros visitantes que por aqui surgiram.

Como Floripa tem quarenta e duas praias, não temos pressa de visitá-las uma a uma e de sentir na pele a delícia de um dia de sol à beira mar.

 

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