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Poesia de LÃdia Frade
HERDEIROS DO AMOR - NAO QUERO ESQUECER - QUEM VENCERA
HERDEIROS DO AMOR
Deixei ficar para traz
Um tempo
Que nem acuso
Ou lamento.
Deixei,
Que meio século
Me louvasse
Me admirasse
E até me condenasse.
Mas também deixei ficar
Bem presente neste chão,
Uma marca bem diferente,
Que irá ser fecundação.
Irá percorrer, alguns séculos
Em que irei estar presente!
Quer, assim queiram
Ou não!
Irei ser continuação!
NAO QUERO ESQUECER
Não quero esquecer
Que fui poeta
Do amor e da desgraça
Da vida,
Em neblina permanente,
Que me envolveu
A visão, a consciência,
Que me turvou a mente.
Não quero esquecer
Que fui poeta
Numa roda gigante
Que rodou, girou
Vertiginosamente.
Uma roda, uma bola
Uma cápsula formada
Arrastada, tocada, batida,
Amolgada, magoada,
De incompreensão acumulada!
Seria a poesia a culpada?
Ou a força do desespero?
Mas tudo começou por ser poeta!
Pelas palavras confrontada
Entre o ser! O saber! O querer!
O tudo ou nada!
QUEM VENCERA
Trago a vida dividida
E sendo uma sou duas.
Mas terá isto sentido?
Trava-se dentro de mim
Um combate desmedido!
Por um lado,
Um corpo movido
Pelo raciocÃnio
Neste mundo de matéria,
Para mim!…
Apagado, e sem fascÃnio.
Ao lado apagado, se opõe...
Outra mulher, que existe em mim…
Qual? Conseguirá ir em frente?
Qual delas mostrará
A minha parte de gente?
A que é sonho e também arte?
Que faz a transformação?
A que é espÃrito e verdade,
A que é amor, trabalho, doação?
Será decerto!
A que me eleva
Lá onde mais mulher me sinto,
Poemas do Livro «Amor Eterno, Interregno e Silêncio» de LÃdia Frade