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FRANCISCO FONSECA COSTA ALEGRE

FRANCISCO FONSECA COSTA ALEGRE, mais conhecido artisticamente como Francisco Costa Alegre, é um dos bisnetos de Maria de Apresentação Fonseca «San Plentá» cujos vestÃgios ainda existem na zona de Obô Lobata.
San Plentá ou seja Maria de Apresentação Fonseca teve dois filhos, um deles, seu avô materno chamava-se Francisco de Jesus Fonseca em que os parentes em lÃngua materna tinham-no por Sum Zózé Fonséka.
Francisco Costa Alegre conheceu a luz do dia no dia 2 de Fevereiro de 1953, um dia antes, segundo narração histórica, do inÃcio do conhecido Massacre de 1953.
Filho de pais humildes, Ofélio Costa Alegre e Mónica Fonseca, sendo o Ofélio sobrinho do primeiro poeta lÃrico santomense Caetano Costa Alegre, e a Mónica neta de Sum Zózó Fonséka que por sua vez era digamos, membro duma famÃlia que tinha por tradição a pratica cultural de exibição carnavalesca e teatral por épocas do Carnaval e da celebração da Quaresma.
Era muito comum nos quatro dias que antecedem o dia de Cinzas em S. Tomé os irmãos de Mónica desfilarem de quintal à quintal cantando Carnaval.
Assim, inconscientemente este autor parece ter encarnado a vontade de um dia prestigiar a importância da vida cultural e a nobreza dos seus ascendentes, transformando-se em um escritor na teia da instituição literária santomense.
Francisco Costa Alegre fez os seus estudos primários na Escola Primaria de Santo Amaro que no perÃodo colonial se chamou de Escola Primária Almirante Lopes Alves e mais tarde no perÃodo pós independência passou a ser conhecida de Escola Primaria José Leal Bouças.
Note-se que José Leal Bouças foi um dos famosos professores da zona ou freguesia de Santo Amaro. Bouças foi um profissional contemporâneo e colega de Dona Maria de Jesus, uma outra famosa professora mãe da poetisa Alda EspÃrito Santo.
Talvez baseado também nesta imagem de fama seja a razão de em certo momento da vida deste escritor ele interessar-se pela carreira docente notabilizando o nome da região de Santo Amaro. Embora ele declare não ser regionalista numa introdução das suas obras, como por exemplo, Mussandá, o que se verifica é um temperar cauteloso e explicito deste sentido de manifestação regional perspectivando um desafio entre a cidade e o campo, desafio esse que não é exclusivo de S. Tomé e PrÃncipe.
Para além dessas influencias familiares e regionais que constitui o pilar da consciência de qualquer ser humano para cumprir os ditames da vida, Francisco Costa Alegre enquanto frequentava a Escola Preparatória e o Curso Comercial da Escola Técnica ao ler as obras de Alexandre Herculano, Almeida Garret, e outras relevantes cuja exigência dos professores da altura recomendavam com rigor a interpretação e análise, ele sentiu-se no dever de começar a escrever.
Para ele, segundo as suas palavras, esta iniciativa trata-se de um dever
para com a famÃlia em prosseguir a tarefa anteriormente anunciada pelo
seu tio avô. «E como se fosse um pai que ao abrir uma casa comercial, e
aquando da sua morte este recomendar que alguém da famÃlia ter que
prosseguir a tarefa e mais nada».
Mas a grande razão que parece ter conduzido o destino do autor foi o
experimentar de uma paixão profunda por uma colega do seu bairro que ao
ser incompreendido talvez no expor da sua mensagem amorosa, foi
marginalizado por esta, situação que num feliz pressagio conduziu o
autor a refugiar-se na escrita. Foi desta forma que começou as primeiras
obras lÃricas, explorando formas que vão de vilancete, soneto, conjunto
de tercetos, etc.
Depois de efectuar os seus estudos liceais, Francisco Costa Alegre
esteve em Bésançon, França, e mais tarde esteve nos Estados Unidos por
duas vezes fazendo formações que vão de LinguÃstica à Comunicação
Social, habilitações que o facilitaram trabalhar na Rádio Nacional de S.
Tomé e PrÃncipe, no Gabinete do Primeiro Ministro como Assessor de
Relações Públicas e Imprensa, Director de Gabinete do Ministro do
Planeamento e Finanças, assim como no sector de Cooperação do Ministério
dos Negócios Estrangeiros onde vem fazendo carreira como profissional no
quadro diplomático.
Enquanto esteve nestes paÃses, familiarizou-se com autores como Cervantes, Descartes, Diderot, assim como lÃderes remotos da História Antiga de Africa…
Porém, com a independência, e comungando as manifestações de luta pela identidade cultural nacional de um paÃs que acabava de nascer, o autor sofreu influências de diversos escritores doutras ex-colónias portuguesas, e assim começou a viver este momento produzindo obras para serem divulgadas na Rádio Nacional, nos Jornais murais e no único Jornal Revolução da época.
Depois do paÃs enveredar-se pela via de multipartidarismo proporcionado
pela livre expressão de ideias e de imprensa livre e diversificada, este
autor teve uma participação muito activa nos diversos jornais que
surgiram como, Nova República, NotÃcias, Labor, dentre outros, incluindo
por último o Jornal Cultural Batê Mon da União de Escritores e Artistas
Santomenses (UNEAS) com artigos de crÃtica literária, e divulgação
cultural.
E mais evidente que só nos primeiros momentos da independência que se
fica a conhecer Francisco Costa Alegre como poeta ou escritor, através
do poema «Quando cair a Tarde», que mais tarde veio a figurar no seu
livro de poesias Mussungú, que é nada mais na menos que um começar e um
acabar ininterrupto e perpétuo da vida de seres humanos.
O autor divide-se entre poeta e escritor, preferindo mais ser considerado como escritor, tendo em conta a sua forma diversificada de produção artÃstica, que vai de poesia, prosa em forma de conto, em forma de investigação histórica, em forma de estudo da literatura, e até em certos casos, em forma de crÃtica literária como participação diversa em vários jornais santomenses.