COLUNA DE MARIO MATTA E SILVA

Poemas
E PRECISO SABER AMAR; NO PASSAR DOS DIAS; PORQUE CHUVA OBLIQUA?
E PRECISO SABER AMAR
é preciso que o tempo venha
atirando alegrias pelo ar
remexendo as emoções.
é preciso que se guardem
dentro de nós, a cantar
versos que falem de paixões.
é preciso andarmos embalados
nesta sã aragem da sabedoria
exigindo um franco e doce amor
e quando tristes, destroçados
galguemos espaços feitos de euforias
se queremos voltar ao esplendor.
é preciso exaltar o dom dos sentimentos
num ampliar de sensualidades
e num afagar de exaltações.
é preciso guardar para nós belos momentos
em amenas e viris suavidades
e logo saberemos compor nossas canções.
2.10.2010
MARIO MATTA E SILVA
NO PASSAR DOS DIAS
Suspende-se o suspiro
Os gestos se renovam
Tão longe quanto possa
O coração no seu pendular
Na nova descrição do Mundo
Um bater cavo, profundo
Nesta luta persistente sempre nossa.
Respirar é forma maquinal
De um corpo que se move
Em direcção ao último lamento
Na forma persistente, intemporal
Procurando o existir no alimento
Na temperatura intermédia frio - quente
no sorrir que mitigo tão pungente.
O ar que empesta nos pertence
E nos pulmões se mistura
Em musculadas formas, enraivecido
Nessa suprema loucura
Do corpo arrastadamente envelhecido
Desconforto que vem e vence
Em tédios imensos em que perdura.
Lá vou no descaminho, sua envolvência
Sempre tenebroso no passar dos dias
E as noites moÃdas a chuva e vento
Entrelaçadas em falsos momentos
De fadigas, atraÃdas por nostalgias
Trágicas, tenebrosas, a esboçar alegrias
Um esfregar de mãos ainda frias.
11 de Outubro de 2010
MARIO MATTA E SILVA
PORQUE CHUVA OBLIQUA?
Fernando Pessoa
«Chuva OblÃqua»
Poemas interseccionistas - ortónimo
Transversalmente
A chuva converge
E cai sobre nós.
Transversalmente
O vento diverge
Muda, atira a chuva p’ra gente.
Transversalmente
Engole-se a claridade
Para assentar os pós.
Transversalmente
Insurge-se mentalmente
No nosso interiorismo.
Transversalmente
Derrama ácido mutismo
E pingos imensos e devassos.
Transversalmente
Escorre pelas vidraças
E afoga abrigos indigentes.
Transversalmente
Encharca terras e terraços
Enlameando cansaços.
Transversalmente
é insistente, necessária
Mas ao nosso querer contrária.
Transversalmente
Remexe nervos em tom de enxurrada
Até aos ossos de pele molhada
Na vertigem da sexualidade desalmada.
Obstinadamente
Obliquamente?
Não… transversalmente
Nos temporais
Reinventada!
Mário Matta e Silva

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