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Miriam
de Sales Oliveira
Biografia e Conto : A Liberdade é Azul
Miriam de Sales Oliveira nasceu em Salvador, Bahia
Professora formada pela Escola Normal da Bahia e pela Faculdade de Filosofia da Bahia,. escritora por vocação, pesquisadora e estudiosa de Historia e Literatura.
Fez vários cursos livres dessas matérias na Fundação Calouste -Gulbenkian, em Lisboa, no Instituto Histórico e Geográfico da Bahia, na Fundação Cultural do Estado da Bahia e no Museu Carlos Costa Pinto.
Como pedagoga especializou-se em Piaget e Maria Montessori, ministrando
cursos sobre esses mestres em várias escolas particulares de Salvador.
Seus trabalhos literários são ecléticos, um passeio por vários temas, porém,
todos com uma boa dose de humor.
Escreve para vários sites e para jornais contando com cerca de 900.000
leitores.
- E membro da Academia Poçoense de Letras e Artes, ocupando a cadeira 55.
- Membro do Comitê de Autores da CBAL
- Membro do MIL (Movimento Internacional Lusófono)
- Membro da Academia de Cultura da Bahia
- Vencedora do concurso «Minha Estória de Amor com a Perini» (out/09)
- Colaborou c/a Revista «Bons Fluidos», pois é estudiosa da cultura negra,
folclore brasileiro e História do Brasil e de Portugal.
Livros publicados:
Textos Seletos
Livro da FamÃlia
Maktub
Contos e Causos
A Bahia de outrora
Antologia Cidade vol. IV
Blogs:
www.contosecausos24x7.blogspot.com
www.mirokcaconversafiada.blogspot.com
wwwfiatluxblogspotcom.blogspot.com
www.abahiadeoutrora.blogspot.com
A Liberdade é azul!
Começo da manhã, um radioso sol de primavera. Pontos cheios, os velhos
ônibus apinhados, todas as suas cadeiras desconfortáveis ocupadas por
passageiros sonolentos e largados. Muitos cochilavam, apesar do barulho do
cunversê, dos celulares tocando enfurecidos e dos falsos mendigos e pedintes
atacando os «otarianos»,que repartiam com eles seu suado dinheirinho. E
mais, a temperatura de 35º.
Junte a tudo isso, os neo-malucos de Edir Maiscedo a ler a bÃblia em altos
brados, ameaçando com o fogo dos infernos os descrentes, tipos sem coração
que relutavam a entrar para o rebanho e pagar os sagrados dÃzimos.
Subindo a Contorno, eis que surge a vista deslumbrante do mar da Bahia.
Amplo, vasto, azul, livre!
Os passageiros respiraram fundo a brisa marinha.
Chegando á Avenida Centenário, o coletivo parou no ponto do Shopping Barra,
onde saltaram alguns, um visÃvel ar de alÃvio no rosto.
Mas, subiu outro tanto e nada mudou; só o calor que aumentou para 40º.
O ponto da Airosa Galvão estava lotado; desceram três, subiram dez.
O ônibus despontou em frente ao Cristo. Uma brisa brejeira, brincalhona,
alegre, reconfortou os massacrados passageiros.
A visão do mar, do verde da grama e das pessoas felizes que caminhavam rumo
à praia, como que acalmou os passageiros.
De repente, o cobrador solta um grito aflito:
-Pára! Pára!
Assalto, foi o pensamento de todos.
E, o cobrador, enlouquecido, fera ferida, aos berros:
-Pára! Pára!
Assustado, o motorista freou.
O rapaz saltou pela porta traseira, arrancou a flanela vermelha do pescoço,
jogou longe a camisa de brim, colada de suor, arrancou os sapatos, as
calças, frenético, esquecido das contas, do trabalho difÃcil, do minguado
salário, da mulher, das suas crianças remelentas, da sogra, do patrão, da
casa miserável onde vivia, dos traficantes com quem cruzava pelas ruas
tortuosas do bairro de periferia, da derrota do Bahia, do inferno, da
polÃcia, dos assaltantes, do apontador, do fiscal, sacudindo os braços ao
vento, que o engolfou, o invadiu, numa carÃcia prazerosa, correu em direção
ao mar, atirou-se às ondas, mergulhou, satisfeito.
Não era livre, mas, naquele momento, estava.
