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Poesia e Prosa Poética de Arlete Deretti Fernandes
O Tempo e o Vento (poema); Existe a Felicidade? (Texto)
O Tempo e o Vento
Nostálgico por de sol a ir-se embora,
A noite sobe alta, e é só ternura e meiguice.
Pedras preciosas brilham no espaço agora.
O tempo que temos é curto e muito breve.
Beijas-me o colo com teu hálito morno,
Acaricio com meu lábio quente a tua derme.
Passa o murmúrio sussurrante do vento,
Que de longe suspira lúbrico e insinua:
Não quero vacilar entre a dúvida e o desejo.
Há pausas e suspiros em seus mistérios,
Agora a voz do vento bem distante grita:
Leva-a contigo para onde fores.
Existe a Felicidade?
Esta pergunta é realizada com freqüência. Muitas músicas e poemas já
foram compostos sobre o tema.
E comum que se postergue a Felicidade. Quase sempre se espera que
ela venha com o passar do tempo e com algumas conquistas do tipo:
- Vou ser feliz quando fizer 15 anos.
- Serei feliz quando passar no vestibular.
- Quando tiver meu emprego.
- Quando tiver o meu carro.
- Quando casar.
- Quando tiver filhos.
- Quando isto ou quando aquilo.
O que acontece é que ao chegar a aposentadoria, para muitos continua
a busca pela Felicidade, por algum tipo de vazio que não foi
preenchido.
Aprendi que : «A felicidade é algo que a vida nos outorga através de
pequenas porções de bem. Comumente é buscada com os olhos postos em
um só ponto; se esse ponto fracassa, se esse objetivo desaparece, a
vida decai, sobrevindo a dor, o ceticismo, a decepção» (G. Pecotche).
Tenho aprendido que a Felicidade está nos mínimos atos realizados
com o coração, com o sentimento, com bom gosto, e que seja
registrado em nossa consciência, em nossa vida.
Há muitos momentos felizes nas 24 horas de meu dia. Posso citar
alguns, do passado e do presente:
- O amor e o colo que eu recebia de meus pais, avó e irmãos, quando
criança, e que me lembro e sinto como se fosse hoje.
- Meu baile de formatura, tantas emoções sentidas.
- Quando entrei na igreja, há 35 anos, com meu amado, ao som
emocionante da marcha nupcial. Parentes e amigos ali reunidos.
Emoção. Músicas ao som de violinos. Os olhos do amado. O cravo da
lapela tenho até hoje guardado.
- A gestação e o nascimento de nossos três filhos. Abraços, beijos e
cheiros daqueles serezinhos tão inocentes sendo amamentados ou a
dormir em meu colo.
-O pré-escolar, a escola. O aprender a dar nó no cadarço do tênis, a
conhecer as horas, a constelação do Cruzeiro do Sul, e muitas outras
alegrias. Os amigos, as festinhas de aniversário, as conclusões de
cursos.
- A amizade, a confiança e a abertura que sempre tivemos com nossos
filhos deixa-nos felizes até hoje.
- As descobertas da vida, a partida para o exterior onde estão até
hoje.
-Não deixaram de existir adversidades em nossas vidas, perdemos um
filho aos 26 anos, formando-se na faculdade e cheio de planos. Mas,
nos momentos mais difíceis estávamos todos juntos, de mãos dadas.
Tenho em minha sala porta-retratos de todos os tipos. Da decoração
de minha casa fazem parte também os presentes que costumavam me dar,
economizando seus trocadinhos.
Tenho álbuns de fotos, lembranças com mechas de cabelos coladas com
durex, desenhos de pezinhos e mãozinhas. Dedicatórias inocentes.
Estas recordações fazem parte de meu ser, estão registradas aqui
dentro de minha alma e de meu coração. Recordo a alegria de cada
acontecimento, como se o tempo não tivesse interrupções.
Penso que é o caminho normal da vida.
Claro que há momentos de saudades e de dor. Mas eu procuro lembrar
de todos os momentos felizes, que foram e que continuam a ser
muitos.
De todos estas partes de felicidade e de outras que estou a
acrescentar, eu teci uma colcha de retalhos bem quentinha, que me
aquece e me abriga nos momentos de frio.
Esta colcha com que me cubro chama-se Felicidade.
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