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No tempo das tabernas

Crónica de Arlete Piedade

 

Nesta crónica continuando as recordações da minha infância, venho hoje falar das tabernas, ou tavernas, tascas, ou vendas, que na minha infância existiam em todas as aldeias e também cidades, e foram depois sendo substituídas, fechadas ou transformadas em restaurantes, ou outros estabelecimentos de serviço de hotelaria.

Eram as tabernas, um simples local onde se vendia em primeiro lugar vinho servido a copo, para os homens e também alguns refrigerantes simples, como gasosa, ou laranjada.

O acompanhamento quando havia, eram tremoços cozidos, ou amendoins torrados, ou algum outro petisco, como carapaus fritos, ou outros pitéus semelhantes consoante a categoria da taberna e o local onde a mesma se situava.

Foto da autora tirada em Santarém

Na minha aldeia, a taberna, era o local de reunião dos homens, nos domingos á tarde, onde todos conviviam e jogavam alguns jogos tradicionais, como o chinquilho, que consistia em lançar um disco de metal para derrubar uns pinos colocados em cima de um tabuleiro em madeira, e outros jogos.

Durante a semana, todos trabalhavam e portanto era esse o ponto de reunião e convívio, para o qual todos se vestiam com o traje domingueiro, e assim confraternizavam, pois que não havia televisões, e computadores era algo inimaginável.

Recordo-me de o meu pai me levar com ele, quando eu era pequenina, e me mostrar orgulhoso aos outros vizinhos, pois que mais crescida, já tinha outros interesses e além disso não era adequado uma mulher ou jovem, entrar na taberna sozinha, sem o seu pai, ou marido, pois que sendo esse um local frequentado por homens, para as mulheres não era adequada a sua entrada ou permanência nas mesmas, a não ser para irem comprar alguma bebida a mando dos homens.

Havia no entanto, aqueles que abusavam, e todos os dias iam á taberna, e bebiam em demasia, eram os alcoólicos viciados e que gastavam as suas economias em vinho, mas desses não vale a pena falar aqui, pois não é essa a minha intenção ao escrever sobre este assunto.

Na verdade queria escrever sobre um tipo de estabelecimento caído em desuso, que com a evolução e modernização do consumo, deixou de ser frequentado em favor dos cafés, pastelarias e snack-bares e foi desaparecendo.

Algumas foram transformadas em restaurantes típicos, como aconteceu aqui na minha cidade, onde uma antiga taberna, se transformou quase num local de culto, onde se podem degustar as especialidades da cozinha ribatejana.

Portanto, deixo-vos hoje mais um pouco das recordações de outros tempos que ficaram atrás nas brumas do passado, enterrados no século XX e nesses anos em que a vida fluía tranquilamente e as pessoas tinham tempo para o convívio e conversas amenas.

Arlete Piedade

 

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