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O futuro pode esperar

 

Crónica de Haroldo P. Barboza

 

No decorrer de agosto de 2009 o Senado Federal exibiu uma enquete no site para saber se o povo concordaria que a corrupção fosse enquadrada como crime hediondo. Criaram tal pesquisa apenas para acalmar a «ira» (?) do povo com as recentes denúncias de desvios de verbas em todas as esferas governamentais que alimentam a pobreza eterna para manter o celeiro de «eleitores conscientes». Tentaram dar um ar de seriedade ao antro já desacreditado há mais de 30 anos.

Supondo que não escondam o resultado onde provavelmente mais de 97% da população concordarão com esta tese, tomarão algumas providências para não caírem na própria armadilha. As mais evidentes são:

- Engavetarão o projeto por alguns anos (como todos os que interessam ao povo) torcendo para que o Brasil ganhe a copa do mundo de 2014 e os desvios de verbas das obras nos estádios sejam esquecidas;

- Se tiverem de elaborar algo para votação, redigirão de forma que surjam «atenuantes» em diversos «parágrafos» do tipo:

a) §D: se foi para salvar um cavalo puro-sangue ou consertar o jatinho particular, a pena será de vinte cestas básicas por mês durante um ano para uma ONG de proteção às formigas australianas (dirigida por algum parente do salafrário);

b) §D+: se o valor subtraído for inferior a 10% bastará devolver 5% do que foi subtraído;

c) §D- o povo: se o fato ocorrer fora do expediente bancário, o pilantra só será processado se não comprovar o depósito do valor através do caixa eletrônico;

d) §D- o eleitor: se a mutreta tiver sido filmada, o cinegrafista sofrerá processo por danos morais à «imp(ol)uta» figura.

- Se o povo começar a reclamar que ninguém vai preso por suborno, encontrarão um elemento do grupo PPP (pobre, preto, puta) para servir de «exemplo» ao ter dado R$ 2,00 a um flanelinha para empurrar o carro cheio de ferrugem da frente da garage de um condomínio enquanto foi à farmácia às 5:00 da manhã buscar um remédio para a genitora adoentada!

A corrupção não precisa de lei específica para ser reduzida aos níveis chineses. Basta que 10% dos adeptos das marchas pela «liberdade» dos homos, maconheiros, motoristas de vans piratas, flanelinhas, pichadores, milicianos, pedófilos, agressores de Professores, comerciantes de produtos piratas, vendedores de drogas, vendedores de armas, médicos assassinos, advogados pombos-correios, donos de parques de diversões e assemelhados se reúnam e participem de uma marcha mensal que comece na frente das câmaras públicas e terminem nas residências dos governantes que desfrutam das mordomias geradas com os desvios dos impostos (elevados) que pagamos.

Compreendemos que tal marcha cívica fica difícil de ser enquadrada num calendário para não conflitar com feriados emendados, congressos de desajustados, ensaios de escolas de samba, praias inundadas por dejetos orgânicos (mais conhecidos com fezes), Carnaval, apuração das notas, jogos de futebol de 3ª categoria, shows de bandas onde as drogas rolam livres, novelas repetitivas e sessões de «paredão» do Big Bosta Brasil.

Mas para que pressa?

O futuro das próximas gerações pode esperar mais 500 anos.

 

Nossa sociedade é um colosso. Sobrevive no fundo do poço.
Haroldo P. Barboza - RJ/Vila Isabel
Matemática (infantil) / Informática e diversão para 2,5a. idade
Autor do livro: Brinque e cresça feliz.

 

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