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Dois Textos : Varenka de Fátima Araújo e Antônio Carlos Affonso dos Santos -ACAS

 

«A criança que queria» - Varenka F. Araujo e «Minha Cabeça» - Antonio C.A. Santos - Acas

A criança que queria

 

Noutro dia, estava na rua, a fome deu sinal de morte. Mas, o relógio não marcava a hora de degustar uma refeição. Uma padaria lanchonete, foi a salvação!
Falei em tom baixo, por favor, garçom, um lanche natural. Para que cinco minutos?
A fome me devorando, não pensava, nem refletia , sentia um gosto amargo, como eu sentia desde pequenina, tinha dia que comia fruta pão, pois colhia com minhas irmãs em casa faltava o sustento, por vezes, nossa família era pobre. Não sei quantos minutos
passaram. Enfim, vejo o pão e suco integral no balcão em mastigadas lentas jogava com a fome, minhas forças estavam voltando em ritmo acelerado, meus olhos vibravam, vida.

De súbito uma voz de homem para a mulher: «Mas, qual! Não quero ter filho agora, tanta criança morrendo de fome. E ouvi a imposição do homem que dizia: «Quando eu quiser ter um filho, vou num orfanato e adoto uma criança, viu benzinho.

Agora estava satisfeita, já estava para me ir, quando uma criança me pediu um real para comprar comida, fiquei com os olhos marejados de lágrimas, pedi uma refeição para a criança faminta, que saboreava voraz os alimentos, tinha os olhos grandes e pele morena, terminou sua refeição, me agradeceu e se foi, deixando a certeza que morava na rua e eu não podia fazer nada, nada, nada...Ela desaparecia saltitando...

Danoso estragos faz a fome, uma criança morre a cada hora de fome nesta terra. Algumas salvas são impulsionadas para vitória. Quantos zeros tem a fome?

Varenka de Fátima Araújo

 

Minha Cabeça

 

ACAS

Horizontes! Minha cabeça requer enxergar um horizonte! Em seus canais, vielas, cantos e labirintos está adormecido, ninado pelo frio e pela cachaça da vida, o mendigo que abrigo em minha mente.

Atualmente ele está ainda mais paralisado e carente, talvez pela inanição que perdura. Por vezes eu o toco, para que acorde para a realidade; mas ele insiste em querer ficar entorpecido.

Tentamos visualizar novos horizontes em nossos interiores: na vida, na casa, no amor, no trabalho e até na esperança; esta então, recôndita como anda, espreita-me e a ele; um olho aberto, outro fechado, como que a querer saber nossos próximos passos.

Leio os textos dos leitores que são amigos virtuais e me descubro com esperança. Um sopro de vida parece insistir em dar vida a um corpo inerte. Um horizonte, ainda que não tangível e virtual, parece delinear-se.

A literatura, qual o sopro do criador, dá-me alento. E, espero, enxote o mendigo da minha mente, solicitando que ele vá cantar em outras freguesias!!!!!!!!!!!!!!

-Ave, vida! Ave literatura!

Antônio Carlos Affonso dos Santos -ACAS



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