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GLAUBER
ROCHA - GENIAL CINEASTA- O PAI DO CINEMA NOVO.
22 de agosto - 30 anos de falecimento. Faleceu aos 42 anos. O gênio não morre.
O maior cineasta da História do Brasil.
O cosmopolita que nunca deixou de ser sertanejo.
Por Arlete Deretti Fernandes
Glauber Rocha,
romancista, poeta, jornalista, cineasta e intelectual. Foi ícone de uma geração.
Era considerado um vulcão intelectual.. Tudo fazia com paixão. A angústia
intelectual o caracterizava. Costumava dizer: -«Não me cobrem coerência.»
O cineasta era provocador, para fazer refletir, polêmico e inovador. Um grande
pensador de sua geração. Ele era um homem indomável, agia sem peias e sem
conveniências. Poucas pessoas amaram tanto este país. Enfrentou muitas
incompreensões e fanatismos.
Sempre trabalhou as raízes culturais de nossa gente. Em seus filmes apareciam a
miséria, os casebres, os tipos humanos.
O cinema foi a sublimação de Glauber. Como poeta, ele dizia que a poesia
antecedeu a Criação, pois foi ela que fez a luz e a beleza. Na poesia descobriu
um mundo de luzes nas trilhas sonoras.
Poesia de Glauber a Tom Jobim:
Roma ferragosto de 1973
querido tom
dentro de mais um mês lhe faço uma carta porque tenho um projeto genial que
precisamos fazer juntos.
No momento, depois de ter chorado algumas vezes ouvindo matita perê, aqui vai
meu agradecimento
Saudade
nas horas tristes de exílio
me consolo com Antonio Carlos Jobim
Norte Sul Leste Oeste
eu pra você
você pra mim
a e do paraíso
Tom Jobim
os sonhos de Villa Lobos
desaguam do piano
nas veredas do violão
Antão Carlos toca e canta
mata a morte
viva paixão
Antonio Carlos Jobim
meu companheiro de sertão
nas horas tristes de exílio
me consolo com Tom Jobim
Norte Sul Leste Oeste
eu pra você
você pra mim
ave do paraíso
Tom Jobim
o sopro de Vinicius a voz de João
desintegram dissonantes velhas estações
renascem da floresta ao litoral
gemidos pios assovios sons notas cantos
da bossa cada sempre cada vez mais nova
da marcha da valsa do samba da roda
do frevo do choro do coco do baião
do romanceiro do maracatu
do cantochão
das sinfonias das terras do sem fim
do silêncio eterno dos espaços infinitos
do verso
da prosa
do amor
da flor
de Nara
de Norma
de Lara
d'eu pra você
de você para mim
Sabiá do Brasil
Antonio Carlos
Tom Jobim.
Glauburu*
(ps - o eu pra você/Você pra mim é roubado de Oswald de Andrade mas na natureza
nada se perde, nada se cria, tudo se transforma na prática eterna do
materialismo histórico e dialético ). Roma, agosto de 1973
*apelido do Glauber.
