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Conto Infantil / Juvenil de Cremilde Vieira da Cruz (Avómi)

NA ESCOLA
Os meninos brincavam no recreio. Tinham entrado para a Primária e a
satisfação era grande. Alguns já se conheciam; tinham sido colegas
na mesma Creche, mas outros matricularam-se pela primeira vez
naquele Colégio.
O Cláudio era um dos meninos que pela primeira vez estava no Colégio
e, porque era tímido, ( tinha chegado de Africa, era negro e ouvira
dizer que os meninos brancos não gostavam dos meninos negros ), não
se juntava aos meninos brancos. Não fora a distribuição de lugares
feita pela Professora, o menino ter-se-ia sentado ao fundo da sala,
sozinho.
Os companheiros do Cláudio chamavam-no para brincar no recreio, mas
ele baixava os olhitos lindos e não arredava pé do seu canto
solitário. Estava ansioso por saber ler, por isso levava sempre o
livro de leitura de que gostava muito para o recreio, e ia repetindo
a leitura das palavras já ensinadas pela Professora.
Os outros meninos achavam estranho que o Cláudio não se juntasse a
eles. Porém, já tinham tentado de todas as maneiras convencê-lo, mas
a sua atitude era irreversível.
A Professora, por seu lado, falava com ele, pedia que se juntasse
aos companheiros, mas ele não cedia.
Um dia, a meio da aula, a Professora disse:
- Hoje não teremos intervalo, porque quero ter uma conversa com os
meninos dentro da aula.
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Embora a surpresa os tenha feito preocupar, porque de certo alguma
coisa teriam feito que não devessem, todos acataram o pedido, sem
qualquer comentário.
Tocou a campainha para o intervalo, e ninguém se mexeu do seu lugar.
A Professora chamou todos para junto de si e começou por perguntar
ao Cláudio, por que não queria brincar.
- Gosto muito de brincar. Na minha terra brincava muito com os
meninos da minha cor, mas quando estava para vir para cá, os meus
amigos avisaram-me que os meninos brancos não gostam dos meninos
negros.
- Isso é mentira!... - Disse o Tiago, indignado. - Pois é! - Disse o
Miguel, pegando na mão do Cláudio. - Não acredites! Todos somos teus
amigos e de todos os meninos da tua cor. Gostaríamos que vocês
fossem também nossos amigos.
- Há algum menino nesta sala que não goste do Cláudio? - Perguntou a
Professora.
- Não!... - Responderam todos. - O Cláudio é que não gosta de nós,
por isso, não brinca connosco!
- Estás a ouvir, Cláudio? - Perguntou a Professora - Como vês, estás
enganado. Todos os teus companheiros gostam de ti.
- Também já ouvi dizer que os meninos negros não gostam dos meninos
brancos - disse o Júlio -, mas não acreditei, porque o meu pai tem
amigos brancos, negros e mestiços, é amigo de todos e todos são
amigos dele.
- Todos somos meninos! Que interessa a cor que temos? - Exclamou o
Hugo. - O importante é que sejamos bem comportados, estudiosos e
amigos uns dos outros.
- Exactamente! - Disse a Professora, satisfeita. Por isso, Cláudio,
não tens que ter receio de te juntares aos teus colegas. Aqui não há
meninos brancos e meninos negros. Aqui há meninos que estão para
aprender, para se distraírem brincando juntos, construírem amizade e
fazerem-se homens.
A partir daquele momento, o Cláudio acreditou que todos os
companheiros o estimavam e queriam compartilhar com ele não só as
brincadeiras, mas também a amizade.
Quando voltou à sua terra, teve o cuidado de dizer aos amigos, que
estavam muito enganados!... Eles acreditaram, pois o Cláudio levava
um sorriso de criança feliz.
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