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No Tempo da Nazaré
Por
Arlete Piedade
A primeira vez que fui á praia e vi o mar, foi na Nazaré. Era e continua a ser a praia preferida e onde tradicionalmente, as pessoas da minha região iam para se banhar. Os motivos eram vários, sendo o primeiro a distância, pois é a praia mais próxima, distando de Santarém, cerca de 70 Kms. e da minha aldeia, cerca de 40 Kms. Nas madrugadas de inverno, na minha casa da aldeia, conseguia-se ouvir o som da rebentação na praia, com tudo sereno e calmo.
Pescadores na Nazaré puxando os barcos de pesca
Havia uma forte ligação entre as pessoas da Nazaré e das aldeias circunvizinhas, pois sendo uma vila piscatória com fortes tradições que ainda hoje se mantêm, havia negócios entre as pessoas, não só de venda de peixe, como de venda de sal e também pelo aluguer das casas, no verão para as pessoas passarem férias.
Tudo isso fomentava relações de amizade, e no meu caso, um dos primeiros trabalhos que o meu pai teve como motorista profissional, era precisamente ir esperar os pescadores e negociar a venda do peixe, que depois vinha vender pelas vendedoras das aldeias, que o revendiam de porta em porta, através das várias localidades.
Também os habitantes da Nazaré por vezes vinham pelas aldeias, quando o mar estava mau, penso que para pedirem ajuda aos amigos, era demasiado pequena para saber a razão, mas fiquei com essa ideia.

Mulheres de Nazaré com os trajes tradicionais
No meu caso, essa primeira vez que fui á praia passar uns dias, ficou na minha memória, penso que teria na altura cerca de seis a sete anos, e fui com a minha mãe e as esposas de dois colegas do meu pai, que também tinham filhos de idade aproximada.
As famílias juntarem-se para alugarem uma casa, que ficava numa rua que como todas na Nazaré, era inclinada e ia desembocar junto á marginal que acompanhava toda a praia. A casa era em frente a uma colónia infantil balnear que tinha crianças que eram acompanhadas á praia em grupo.
Para nós era uma novidade e sempre que podíamos tentávamos escapar-nos até á entrada e fazer amizades com elas, mas não nos permitiam ir mais longe.
Na praia propriamente, já nem me recordo como eram os banhos, mas penso que só podíamos aproximar-nos da água acompanhados, mas só me recordo de ficar sentada na areia, na companhia da minha mãe.
Só quando voltei á Nazaré, já adolescente, e na companhia de amigas da minha idade, é que me aventurei no mar, e dessa parte já tenho melhores e mais nítidas recordações.

Vista geral da Nazaré e da praia no verão com as barracas para alugar aos banhistas.
Havia muito mais a contar e escrever sobre a Nazaré mas daria para mais artigos, em especial as ricas tradições das gentes do mar, a lenda de D. Fuas Roupinho e do Sítio da Nazaré, mas ficam para uma próxima ocasião, pois esta crónica é só para ser de recordações da minha infância e juventude.
Arlete Piedade