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POESIA E TEXTO POETICO DE ARLETE DERETTI FERNANDES

FLORIANOPOLIS e Memórias de Infância - A Semana Santa

 

FLORIANOPOLIS

 

Pontos que cintilam na noite
Sinfonia de reflexos genial,
como uma pintura de artista,
num imenso quadro original.

A ponte Hercílio Luz,
nas águas da baía refletida,
desenho de luzes faiscantes,
beleza histórica colossal.

Um iate branco singra as águas,
deixando um rastro de espumas,
enquanto os prédios se elevam
numa arquitetura escultural.

A ilha mulher com suas praias,
Areia branca, beijada pelo mar,
Deleita-se aos ventos e dengosa
Tem uma aura de paz celestial.

Na Lagoa da Conceição, rendeiras,
Com os bilros nas mãos ligeiras,
Tecem rendas originárias das
Ilhas dos Açores e da Madeira.

Imagino pela Ilha da Magia outrora
Os indígenas, piratas e espanhóis.
Açorianos, madeirenses que até hoje
Aqui deixaram uma herança cultural.

Anhatomirim, a antiga fortaleza, seus
canhões imponentes testemunham
a crueldade, que ficou registrada ,
História das famílias, muitos heróis.

Plaga de poetas, artistas e escritores.
Que cantam a paz e o amor das tuas terras...
Embalados pelas canções do mar,
Do vento e da vida que pulsa a amar

 

Memórias de Infância - A Semana Santa

Quando criança, meus pais levavam-me para a igreja em todas as celebrações.
Os bancos eram divididos. De um lado, meninas à frente e senhoras da metade até os fundos da nave. Do outro lado, meninos e homens.

Esta posição facilitava o controle dos pequenos. Quando algumas crianças conversavam entre si, o pai, a mãe ou um irmão mais velho ia até o local e levava-o para ficar entre os adultos. O miúdo, quando meio tímido, ficava muito envergonhado.

Há cenas da época de infância que guardamos em nossas memórias.
Uma delas, era quando no final do mês de maio, havia a coroação da imagem da virgem Maria. Era sempre um menino e uma menina da escola primária que era convidado para tal. Uma vez, fui convidada com um coleguinha. Lembro-me da escada alta que tinha atrás do altar, que subimos até chegar lá no alto para depositar juntos a coroa.

Na Semana da Paixão, eu ficava apavorada e chorava muito de medo quando via a chamada estátua do Senhor Morto. Todas as imagens cobertas de roxo me intimidavam.

Uma cena ocorrida, que para mim foi cômica e não mais esqueci, foi na Semana Santa, na sexta-feira da Paixão. Era noite, a igreja estava lotada. Toda esbranquiçada pela fumaça do incenso.

Na cerimônia pascal, enquanto o padre carregava pela igreja os aparatos próprios da ocasião, um coroinha tocava a sineta sem parar, e um homem vestido de centurião romano batia a «matraca», que era um instrumento de madeira, formado por tabuinhas movediças que balançadas faziam estranho barulho. Fazia parte do cerimonial.

Aquele conjunto de sons assustaram dois cachorros que estavam acompanhando seus donos, isto era comum em cidades do interior. Os cães, latindo, dispararam a correr debaixo dos bancos e a derrubar crianças. A cena foi tão hilária, que algumas pessoas não continham as gargalhadas e algumas crianças choravam por ter batido na quina dos bancos e ajoujar-se ao chão.

Ninguém sabia se acudia os pequenos, se tirava os cachorros do recinto ou se tentava prestar atenção à cerimônia.

 

                                       

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