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COLUNA DE TOM COELHO
Autenticidade na responsabilidade social
«A educação é um processo social, é desenvolvimento.
Não é a preparação para a vida, é a própria vida.»
(John Dewey)
Responsabilidade social é um dos imperativos do mundo corporativo moderno. Para
algumas organizações isso se resume meramente a práticas de cunho
assistencialista. A distribuição de ovos de páscoa em abril, uma campanha do
agasalho organizada durante o inverno, brinquedos distribuídos no dia das
crianças e cestas básicas ofertadas no Natal funcionam como pequenas
indulgências ao empresariado. A sensação de legar uma contribuição à comunidade
consegue amainar o espírito e promover o bem, ainda que de forma pontual.
Outras empresas são eficientes em praticar marketing social. O importante não
são as realizações, mas a repercussão midiática das ações tidas como sociais.
Assim, investe-se mais em material publicitário e assessoria de imprensa do que
nas pessoas beneficiadas, com foco precípuo na imagem institucional. Agindo
assim, correm elevado risco, haja vista que a sociedade, apoiada pelas redes
sociais, está atenta para denunciar publicamente um comportamento antiético.
Contudo, a autêntica responsabilidade social é exercida por companhias com visão
de futuro, capazes de iniciativas de longo prazo, autossustentáveis e passíveis
de serem replicadas, transformando positivamente a realidade dos envolvidos.
Dentro deste contexto, ações de caráter socioeducativo estão entre as mais
dignas de serem desenvolvidas. O primeiro passo é a capacitação dos próprios
funcionários, desenvolvendo competências que conduzam ao aprimoramento
profissional, com consequente aumento da produtividade e elevação da autoestima.
E é a iniciativa privada mais uma vez suprindo as deficiências do Estado.
O chamado «apagão da mão de obra» é uma triste realidade evidenciada
estatisticamente. Segundo o Sistema Nacional de Emprego (SINE), braço do
Ministério do Trabalho e Emprego responsável pela intermediação de mão de obra e
apoio ao programa de geração de emprego e renda, mais de 60% das vagas ofertadas
em 2009 não foram preenchidas porque os candidatos não atendiam os
pré-requisitos mínimos exigidos pelas organizações.
Construtoras brasileiras, em um momento de pujança do setor imobiliário, estão
sendo obrigadas a importar engenheiros, em especial de outros países latinos,
porque o número de profissionais formados anualmente em nosso país (32 mil, em
2008), atende a menos da metade da demanda de mercado.
O segundo passo consiste em transpor o processo educacional para além dos muros
da corporação, alcançando os familiares. Um bom exemplo é a educação financeira.
O papel de uma empresa não é facilitar o acesso ao crédito consignado, mas
ensinar seus funcionários a lidar com o dinheiro. E o êxito desta tarefa depende
eminentemente da participação do cônjuge.
Por fim, deve-se envolver a comunidade. O objetivo deve ser a integração do
público com o privado. A promoção de manifestações artísticas e culturais, a
conscientização da cidadania e o desenvolvimento de um senso de pertencimento e
propriedade possibilitam a construção de uma sociedade mais equilibrada, com
menos conflitos e maiores oportunidades. De quebra, as empresas investem na
formação de um promissor mercado consumidor para seus produtos e serviços.
Associado a estes aspectos temos outros fatores fundamentais, com destaque para
a adoção de políticas de estímulo à diversidade e a inclusão de pessoas com
deficiência, as quais não são uma minoria silenciosa, posto que representam
cerca de 15% da população brasileira.
* Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 15 países. Autor de «Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional», pela Editora Saraiva, e coautor de outros quatro livros. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br . Visite: www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br .