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Poesia do Dia dos Avós

As mãos da Avó e Avós e Netos por Maria da Fonseca; AVOZINHA por Adelina Velho da Palma

 

As mãos da Avó

 

Maria da Fonseca


Estas mãos que escrevem versos
Foram activas, saudáveis,
Sempre livres a actuar,
Quiseram ser responsáveis.

Quando foram pequeninas
Fizeram suas maldades,
Abelhudas e roliças,
Também tiveram vontades.

Cresceram perseverantes,
Continuamente em acção,
Quer nas tarefas da casa
Ou preparando a lição.

Quantos números e letras!
Toda a vida a trabalharem,
A servir o pensamento
E a nele bem se escudarem.

Na química se esmeraram,
Vocacionadas, felizes.
Nunca foram mãos de fada,
Mas honraram as raízes.

Sujeitas ao coração,
Sempre lhe foram leais,
Facultando aos mais pequenos
Cuidados especiais.

Agora são mãos de avó
Para rezar preparadas,
A pedir graças pra todos
Ao Bom Jesus levantadas.

 

Avós e Netos

 

Maria da Fonseca


Os nossos rapazes são
Os filhos das nossas filhas,
Meninos que te não dei,
Co’a família os partilhas.

Quando com eles convives,
Eu sinto a tua alegria,
Voltas pronto à juventude,
A semear simpatia.

Pròs Netos há sempre um mimo
Nesta casa bem amada,
Uma história, uma anedota
A provocar gargalhada.

Também eu lhes quero muito,
Amor de Avó conquistado
Dia a dia, quando os vejo
Neste lar recompensado.

E a nossa Rita querida,
Rosinha do belo ramo,
É a amorosa princesa
Que te seduz e que eu amo.

 

AVOZINHA

Adelina Velho da Palma

Avozinha dos miminhos
Das princesinhas, das fadas,
Dos risos, das gargalhadas,
Das histórias de encantar,
Dos matrecos, dos carrinhos
Dos laços, das bandeletes,
Dos abafos, dos tapetes,
Das maldades, das desculpas,
Das contradições, das culpas,
Da cumplicidade sã,
Da voz doce que não grita,
Da paciência infinita,
Do tempo sem contratempo,
Dos dias fáceis e belos
Em que os braços são castelos
E um beijo um talismã.
Avozinha das surpresas,
Dos doces, das vitaminas,
Do Brufen e Aspirinas,
E das preocupações,
Das vidas sempre em mudança
Onde pra se ser criança
Há poucas ocasiões.
Avozinha sentinela
Dos filhos dos filhos seus
Em quem a sua chancela
E mais que a herança dela
E a herança dos seus.
Avozinha faladora
Saber de experiência feito,
Dos tempos idos de agora,
Das conversas muito sérias
De toada protectora.
Avozinha do silêncio
De mil faces inventora
Do calor que entra no peito
De todo o amor perfeito
Que fica e não vai embora.

Adelina Velho da Palma

 

 

(Continua na seguinte página)