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Poesia de Cremilde Vieira da Cruz
ONDE MORAS, POESIA?; POR AMOR DE MIM; SE EU FOSSE BORBOLETA
ONDE MORAS, POESIA ?
Sobejam estes dias sem cor,
Sem o mar à volta de mim,
A transbordar de peixes multicores,
De olhos verdes ou azuis cintilantes,
Escamados de qualquer cor,
Com qualquer configuração,
Pintalgados ou não.
Até parece que o mar adormeceu,
Ou eu,
E nada resta do mar,
Nem de mim!
Restam apenas estes dias enormes,
Sem fim.
Procuro-te entre uma hora e outra,
No barco que parte,
No barco que chega,
No luar dependurado do céu,
Junto às marés...
Encontro estes dias sem cor,
Sem ti!
- Onde moras, Poesia?
Cremilde Vieira da Cruz
POR AMOR DE MIM
Quando buscar em teus olhos
a tranquilidade que me faz repousar os sonhos,
hei-de adormecer eternamente.
Hei-de saciar minha sede de olhar-te,
absorver tudo que fazes por amor de mim.
Hei-de murmurar-te o amor
que o tempo não fez esquecer.
Quero que compreendas que não quero de ti,
senão estar contigo,
e buscar teus gestos, tua imagem,
sentir tuas mãos, teu coração,
amadurar o meu sentir, a olhar-te.
Nada mais quero que faças por amor de mim,
quando nos teus braços acolheres minhas fraquezas,
quando lado a lado manifestarmos nossa razão.
Cremilde Vieira da Cruz
SE EU FOSSE BORBOLETA
Se eu fosse borboleta
Iria, iria...
Sempre a voar
Até chegar...
Até chegar onde vós estais,
Lindas flores do meu jardim.
Iria, iria...
Poisaria aqui,
Poisaria ali...
Sentiria o vosso odor.
Iria, iria...
Poisaria em todos vós
Beijaria a todos vós
Lindas flores do meu jardim
Cremilde Vieira da Cruz
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