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POEMAS DE JOSE GERALDO MARTINEZ
QUERO UMA AMANTE!; ONTEM...
QUERO UMA AMANTE!
Quero uma amante!
Que tenha uma sensibilidade aflorada...
Ainda que fosse uma errante,
me enxergasse por dentro e mais nada!
Quero uma amante!
Daquelas com olhos de muita alegria...
Que me deixe a impressão que, d'antes,
já fora minha um dia!
Com mãos que aquecem e sábias palavras...
Que possam me erguer de qualquer tombo!
(Bendita seja!)
E que me leve ao amor em sublime morada!
Quero uma amante!
Um anjo sem rosto e idade...
(Uma mulher apenas! )
Desprendida do ter,
de qualquer tola vaidade!
Que me ofereça o que tenha
e queira de mim na mesma medida!
E se fora perdida a carne,
sobra-lhe a alma de toda polida...
Que sorria comigo...
Renasça a cada encontro acontecido!
E, quando chorarmos, seremos unos,
teremos os ombros divididos...
Que eu a leve no colo...
Com o cuidado de quem carrega uma pedra
preciosa!
E enfeite seus cabelos, não importa se grisalhos,
com coloridas rosas...
Faça-a toda primavera,
com cheiros e cores!
E na realidade o sexo que pudera
não acontecer...
No imaginário nosso se revela!
E caso acontecesse...
Fosse de almas comprometidas!
Sabedoras da carne efêmera,
viajante de outras vidas...
Quero uma amante!
Sem rosto ou idade, cor ou raça e
que pense assim como eu...
Que seja assim bandeirante,
de minha alma que jamais alguém conheceu!
«Feliz daquele(a) que consegue tocar a alma
do outro...
Ainda quando ninguém jamais conseguiu chegar.»
(Martinez)
ONTEM...
E naquele banco eu fiquei
no cinema perdido de um tempo...
Com meus cabelos brancos viajei
com o garoto, que mora aqui dentro!
Beijei a namorada!
Coberto ainda de pudor...
Quiçá pudesse o passado ter volta e estrada,
aos braços daquele primeiro amor!
Era pipper a bala...
Beijo trocado com a minha 7 belos!
Num domingo com matinê e missa,
com pracinha de bancos singelos...
Uma fileira de pipoqueiros com
moçoilas felizes desfilando...
Os rapazes tímidos na espreita,
em longos corredores se formando!
As horas eram rápidas...
Pareciam também aplicadas!
Hoje? São donas do esmo...
Chegando facilmente as madrugadas!
Ontem? Não era assim!
Pareciam terminar às 22 horas...
A noite era chegada ao fim e meu
amor logo ia embora!
De volta para casa!
Sem antes tomar a minha tubaína...
Contar as horas para o encontro no colégio,
para de longe olhar a minha menina!
Domingo de macarrão com frango...
Quentes e sonolentos!
Auto-falante da praça com som e
Roberto Carlos marcando esse tempo...
Um juntar de moedas!
Cara de bonzinho para o papai...
Tempo que dinheiro era pouquinho,
para uma pipoca, sorvete e nada mais!
Bilhetes recebidos!
Com beijos em batom estampados...
Troncos de arvoredos esculpidos,
com vários corações sangrando e flechados!
Natais que chegavam...
Cobertos de muita felicidade!
As festas juninas que brotavam,
colorindo os bairros da minha cidade!
Dinheiro no cofrinho...
Ufa! Garanti o presente da namorada!
Uma «Agua de cheiro» com carinho...
Garoto tem verba minguada!
Hoje? Menino tem tudo!
Tanto que vive perdido...
Dentro de si chora mudo
o desamor que lhe é servido!
Sai num carrão...
E canta ainda os pneus!
Vive qualquer barata emoção e nesta
vida dá logo um adeus...
Vai para a balada...
Cheira e mais nada importa!
Vive a viagem dos solitários,
segue o caminho sem volta!
No meu tempo era Capri, Continental, Hollywood...
Quando não um tal Cammel que apareceu!
Sempre roubado do bolso do pai,
apenas para mostrar que cresceu...
Ah! Saudade...
Nesta hora é você quem me bateu!
Soubesse que o tempo é playboy,
o pararia num abraço...
Antes que cantasse pneu!