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Poesia Inédita de Pedro Du Bois

 

Dois poemas

 

PRIMITIVO; SER 

Ver Biografia e Bibliografia

 

PRIMITIVO

Pedro Du Bois, inédito

 

 Ter o estado primitivo: ansiedade

deformada na angústia da pergunta.

 

     Salvaguarda estendida

     ao náufrago

     e a queda

     do presságio

     sobre altas pedras.

 

          A luz demonstra o inimigo

          ao alcance. Sem sentido,

          ataca: da fúria o medo

          retira a racionalidade.

 

Na tarde igualada

em mortes, fugas

e derrotas, a vitória

reafirma o primeiro

desencontro.

 

SER

Pedro Du Bois, inédito

 

Como receptáculo, aglutino

águas passadas, moinhos movidos,

ventos alísios, combustíveis fósseis

evaporados em gases. Transporto

valores ao topo da página

e me delicio com a panela raspada.

 

Como receptáculo, sou o escurecer

da sala e o desligar do som.

No silêncio restante sorteio palavras

de arrependimento. Rasgo cortinas

e tranço os passos na saída.

 

Como obstáculo, desligo o jogo e acendo

o gás. Abdico o trono ao sucessor. Arresto

o judas malhado na imprevidência dos sábados.

 

Como redivivo, espero a estiagem e me debruço

aos ares: aguardo o pássaro em passagem e instalo

no telhado a parábola. Como história, sou texto

                                                            revisado ao nada.

 

 

 

Pedro Du Bois foi lido
web counter vezes desde o nº 108 de 21 /02/ 2011
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