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Poesia
Inédita de Pedro Du Bois
Dois poemas
PRIMITIVO; SER
PRIMITIVO
Pedro Du Bois,
inédito
Ter o estado
primitivo: ansiedade
deformada na
angústia da pergunta.
Salvaguarda estendida
ao náufrago
e a queda
do presságio
sobre
altas pedras.
A luz demonstra o inimigo
ao alcance. Sem sentido,
ataca: da fúria o medo
retira a racionalidade.
Na tarde
igualada
em mortes, fugas
e derrotas, a
vitória
reafirma o
primeiro
desencontro.
SER
Pedro Du Bois,
inédito
Como
receptáculo, aglutino
águas passadas,
moinhos movidos,
ventos alísios,
combustíveis fósseis
evaporados
valores ao topo
da página
e me delicio com
a panela raspada.
Como
receptáculo, sou o escurecer
da sala e o
desligar do som.
No silêncio
restante sorteio palavras
de
arrependimento. Rasgo cortinas
e tranço os
passos na saída.
Como obstáculo,
desligo o jogo e acendo
o gás. Abdico o
trono ao sucessor. Arresto
o judas malhado
na imprevidência dos sábados.
Como redivivo,
espero a estiagem e me debruço
aos ares:
aguardo o pássaro em passagem e instalo
no telhado a
parábola. Como história, sou texto
revisado ao nada.