site stats
Rádio Raizonline SiteEmail PORTALMotor de BuscaNewsletter Estante VirtualLivro de Visitas Anuncios Gratis Homepage Blog DoisColaboradores Blog Tres FEEDS
poesia
 
cronicas
 
contos
 
cultura
 
educação
 
agenda cultural
 
humor
 
ambiente
 
solidariedade
 
assuntos europeus
 
ciência
 
tecnologia
 
colunas/empresa
 
biografias
 
 
 

Desde 7 de Março de 2011
visitors by country counter
flag counter















FREE Standard Shipping on $49+


JORNADA CREPUSCULAR

 

POR: DR. MARIO MATTA E SILVA

UMA GERAÇÃO «A RASCA» COM NIVEL INTELECTUAL (1870)

Nesta minha jornada crepuscular deu-me o apetite de ir buscar um tempo politico remoto que se ergueu por força das incompatibilidades de um rotativismo partidário, muito confuso e cheio de peripécias, que abrange os anos de 1851 a 1870, e que culminou por uma activa participação da então designada Geração de 70.

Por certo, uma geração também, nesse tempo, à rasca, em busca de verdade, de estabilidade politica, económica e financeira e desejosa de mais intervenção a um nível cultural superior. Vivia-se então numa monarquia constitucional, desastrosa, controversa e debilitada.

Diz, nos seus escritos de História, Oliveira Marques: «As revoluções francesa e espanhola que, em 1870 e 1873 respectivamente, levaram a República ao poder, tiveram papel de relevo no surto de uma consciência politica nacional oposta ao rotativismo cínico dos partidos e ao enriquecimento despreocupado da burguesia.»

E é neste ambiente de instabilidade e de insatisfação popular que em 1871, surgem as famosas Conferências do Casino, numa atitude de afrontamento às instituições e à ordem de uma certa burguesia que disputava sem pudor o poder, com desprezo pelas classes mais baixas. Assim é em pleno alvoroço de nefasta politiqueira, que vão irromper as primeiras greves de apreciável amplitude (1872) dinamizadas já por um operariado emergente.

A História não tem acasos mas sim factos, que se enquadram sempre num recheado de insatisfações sociais, que neste tempo bem mostravam a exaltação de gente explorada, envolta numa dinâmica nova, trazida por uma paz podre e uma agonia do poder real, ao mesmo tempo que se consagrava a apetência pela formação de mais partidos políticos (Partido Republicano 1873, Partido Socialista 1875… que se juntarão aos partidos Reformista e Progressista).

Curioso será então o Manifesto - Programa dessas mesmas Conferências, do qual passamos as transcrever alguns passos:

«Ninguém desconhece que se está dando em volta de nós uma transformação politica, e todos pressentem que se agita, mais forte que nunca, a questão de saber como deve regenerar-se a organização social. (…) Não pode viver e desenvolver-se um povo, isolado das grandes preocupações intelectuais do seu tempo: o que todos os dias a Humanidade vai trabalhando deve também ser o assunto das nossas constantes meditações. Abrir uma tribuna onde tenham voz as ideias e os trabalhos que caracterizam este momento do século, preocupando-nos sobretudo com a transformação social, moral e politica dos povos. (…) Procurar adquirir a consciência dos factos que nos rodeiam, na Europa; (…) Tal é o fim das conferências democráticas…»

Esta pequena abordagem do Manifesto - Programa das referidas conferências «democráticas�»chegará para mostrar bem o que um punhado de homens, quase todos na altura universitários, ou saídos da Universidade de Coimbra, desejavam e ensaiavam, mesmo tendo sido suspensas e proibida a continuidade de tais conferências. Nada é gratuito nas intenções subjacentes a este propósito de tornar publicas estas pretensões.

Nota-se, por este texto e pelo movimento politico gerado à volta deste grupo de jovens intelectuais, que a situação que se vivia era explosiva e que a sociedade estava à mercê de uns tantos loucos que tinham adulterado aquilo que tinha sido o Fontismo de 1851.Sentia-se então, certamente, um esgotamento político o que viria a degenerar numa proliferação atabalhoada de partidos, e logo, consequentemente, de clientelas, de caciques de degradação que não mais se susteve, mesmo no pós 1910 republicano.

Ligados a esta Geração de 70 podemos ver então Antero de Quental, Eça de Queirós, Oliveira Martins, Manuel de Arriaga, Teófilo Braga e outros, os quais nos deixaram também obra escrita de muita importância, seja em prosa ou em poesia, que hoje deveríamos ler ou reler com entusiasmo.

Como se pode ver, trata-se de gente «à rasca» certamente, mas manifestando-se de forma bem diferente, vincando uma intelectualidade superior que hoje pouco se conhece no nosso meio politico presente, tão manchado, tão embrutecido e tão aviltante. Como é bom recorrermos à memória de um tempo histórico que nos deixou tantas lições, e fazer com ele esta jornada crepuscular.

 

20.03.2011

MMS

Mario Matta e Silva foi lido
free hit counters vezes desde o nº 91 de 18/10/2010
free hit counters

 

COMENTE ESTE TEXTO