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SALGUEIRO MAIA
Xavier Zarco
trazia os mapas da vontade
de um ir e cumprir
fazer do sonho um corpo imenso
que rompe a mordaça
do silêncio
e liberta a voz de um povo
inteiro
num dia nado cristalino
In «25 Cravos de Abril», Menção Honrosa (Poesia) no Concurso
Conto e Poesia da CGTP-IN – 2007, organizado pela CGTP –
Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP-IN,
Lisboa, Portugal, 2009)
Oh! Doce LIBERDADE
Manuel Lopes
Oh! Doce LIBERDADE
Âmago da minha exaltação
Palavra da infinidade
Que libertas o meu coração...
Em cada sopro de aurora
Na água do mar e nos barcos
Na serrania demente
Escrevo o teu nome...
Na clara espuma das nuvens
Nos suores da tempestade
Na chuva insípida e espessa
Escrevo o teu nome...
Nas formas resplandecentes
Nos pincéis de muitas cores
Sobre a verdade da metafísica
Escrevo o teu nome...
Na ideia que me aporta
Nas coisas familiares
Na língua de puro fogo
Escrevo o teu nome...
Nas maravilhas das noites
No pão branco dos dias
Nas estações enlaçadas
Escrevo o teu nome...
Nos campos do horizonte
Sobre umas asas de pássaro
Sobre o moinho das sombras
Escrevo o teu nome...
Em toda a carne que tive
Na fronte dos meus amigos
Em cada mão que se estende
Escrevo o teu nome...
Na vidraça das surpresas
Nos lábios que estão atentos
Muito acima do silêncio
Escrevo o teu nome...
Nos meus refúgios desfeitos
Nos meus faróis aluídos
Nas paredes do meu tédio
Escrevo o teu nome...
Na ausência sem desejo
Na solidão despojada
Na escadaria da sorte
Escrevo o teu nome...
Sobre a saúde refeita
Sobre o perigo dissipado
Sobre a esperança esquecida
Escrevo o teu nome...
E pelo poder da palavra
Recomeço a minha vida
Nasci para te conhecer
Nasci para te nomear...
Oh! LIBERDADE de Abril!!!
Que numa Nação espalhaste cravos
Nos corações milhares... de mil
Soltaste amarras e deste brados...
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