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Desde 7 de Março de 2011
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Poesia de Francis Raposo Ferreira

 

Haja Alegria; Histórias da cidade

 

Haja Alegria

Alegrem-se, vem aí o verão,
Começa-se tudo a despir,
Umas fazem um figurão,
Outras são mesmo de fugir.

Tenho gravada na orelha,
Uma maxima sempre eterna,
Adoram, seja nova ou velha,
Mostrar a sua linda perna.

São as blusas transparentes,
Que tudo permitem mostrar,
É a beleza dos dias mais quentes.

É o decote, do vestido novo,
Que deixa os homens a sonhar,
É a mini-saia, alegria do povo.

Francis Raposo Ferreira

 

Histórias da cidade

Nas minhas andanças pela cidade
Outra história me faz corar.
Conheci senhora de tenra idade
E ela muito me deu que contar.

Conheci-a num café Lisboeta,
Recordo esse dia de calor,
Era loura, vistosa, muito esbelta,
Aquilo a que chamo um primor.

Sentada a uma mesa na esplanada,
Tomava um refresco de limão,
Meti conversa, estava amargurada,
Tinham-lhe magoado o coração.

Mirei-lhe as pernas, bronzeadas,
Reparei nas roupas coloridas,
Olhei para as mamas, empinadas,
E vi que tinha mãos compridas.

Sempre gostara de mulheres assim,
Dedos grandes indicam inteligência,
Está no papa, pensei cá para mim,
Só é preciso um pouco de paciência.

Pedi-lhe autorização para me sentar,
Disse-me que sim sempre a sorrir,
Contei-lhe umas anedotas para animar,
Declarou que gostava de me ouvir.

O dia caminhava para a tarde,
Disse-me que tinha de ir embora,
Mostrei-lhe o meu ar de infelicidade,
Convidou-me a ir até onde mora.

Lá fomos caminhando, devagar,
Consegui fazê-la esquecer a tristeza,
Ao chegar, convidou-me a entrar,
Tinha-a conquistado, tinha a certeza.

Entrámos numa linda habitação,
Soube depois que era emprestada,
Mal entrámos, ela estendeu a mão
e puxou-me de forma a ser beijada.

Beijei-a nos lábios, sofregamente,
Arrisquei e apalpei-lhe uma mama,
Não resistiu, disse-me docemente:
«Ai amor, vamos mas é para a cama.»

Sem nunca deixar de me beijar,
Fomos até ao quarto, bem mobilado,
Disse que enquanto se ia arranjar
Eu podia ficar ali descansado.

Despiu-se com muita doçura,
Sentou-se frente ao aparador,
Começou logo por tirar a dentadura,
Ai meu Deus, mas que horror.

Olhou-me pelo canto do olho.
Escolheu um fino pincel,
Aquilo escorria que parecia molho,
Vi-lhe então a enrugada pele.

Levantou-se num ritmo sexual,
Tirou um sutiã almofadado,
Foi uma desilusão sem igual,
O seu rosto estava transfigurado.

Fez um strip muito mal ensaiado,
Tirou as meias e…que chocante,
O volumoso rabo tinha-se evaporado
E as pernas um aspecto degradante.

Aquela mulher toda vistosa de outrora
Transformara-se num pesadelo,
Não acreditava no que via agora,
Pensei que fosse uma ilusão do espelho.

Todo o seu corpo eram plásticas,
Senti-me bem enganado, não o nego,
Disse-me que eram assim as práticas
Até a sua roupa estava no prego.

Estava numa casa que não era sua,
Com um corpo que não existia,
A sorrir, ridícula e assim toda nua,
Como uma rainha, pura hipocrisia.

Não sei o que aconteceu depois,
Acreditem que é mesmo verdade,
Só sei que acordei com nós os dois
Numa pose de muita intimidade.

Se adormeci, ou até se desmaiei,
Isso não vos posso garantir,
Só sei que assim que acordei,
Minha cabeça só pensava em fugir.

Francis Raposo Ferreira

 

Francis Raposo Ferreira foi lido
web counter vezes desde o nº 115 de 11/04/2011
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