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Poesia de Gilberto Nogueira de Oliveira

OS ESPINHOS DA REVOLUÇÃO

 

Por Gilberto Nogueira de Oliveira

 

 

OS ESPINHOS DA REVOLUÇÃO

Nazaré, 16-04-2011

Gilberto Nogueira de Oliveira

 

Revolução dos cravos.
Fico a pensar...
Foi realmente uma revolução popular,
Desse glorioso povo que trabalha tanto?

Talvez, por trabalharem tanto
Não tenha tido tempo para perceber
O fato subentendido da revolução.

É como a piada dos países democráticos:
Democracia, para quem? Quem se beneficia?

Uma coisa é certa:
Todas as colônias africanas
Queriam se libertar
Do ditador Caetano,
Filhote do salazarismo
E animal de sangue frio.

O povo brasileiro acompanhou
As loucuras do salazarismo.
Até uma inocente biblioteca espírita
Ele mandou tocar fogo,
Destruindo treze mil livros.

O que Salazar tinha contra o além?
Ele achava que até os espíritos
Estavam tramando contra suas loucuras.
Sabe-se lá se não estavam mesmo?

Cruel matador de negros!
Ele pensava que os negros
Ainda aceitavam ser escravos.

Caetano só não contava
Com a volta dos grandes homens.
Amílcar Cabral! Agostinho Neto! José Saramago!

Caetano foi um prosseguidor

Dos crimes hediondos de Salazar.
Quando viu tantas flores em Portugal,
Fugiu para os espinhos do Brasil
Que para ele eram flores.

Meu Brasil varonil?
Minha pátria mãe gentil?
Aqui também era o mesmo atraso.
Eram muitos assassinatos de pessoas cultas.

Eu só sei que no calor da luta
Uma pobre florista portuguesa
Colocou no cano do fuzil
De um feroz militar,
Um cravo!

Teria isso desencadeado
Uma onda de amor e paz
E compreensão pelo clima?

Make love, not War!

Grande José Saramago!
Este foi quem entendeu tudo.
Logo se apoderou do Diário de Noticias
Para construir o socialismo.

Só que Marcelo Caetano
Continuava a jogar farpas
No povo português,
E Saramago ficou sozinho.

Acordem irmãos portugueses.
A verdadeira revolução é agora.

Libertem-se do jugo americano
Que pensam que vocês são colônia.

Vocês não precisam de dinheiro.
Vocês precisam de dignidade.

O Brasil já passou por isso.
Tomava empréstimos lá fora
Para pagar os juros da dívida.

Já pensaram? Que bola de neve!
O dinheiro nem chegava aqui.

O povo português é culto, trabalhador
E gostam de freqüentar bibliotecas.

Gostam de poesias e dão valor à sua língua pátria.
O povo português não se entrega
E valoriza seu sangue de trabalhador.

Unam os cravos às rosas vermelhas
E façam uma nova revolução.

O que aconteceu no passado
Não foi bem uma revolução.

Foi uma transição
Porque se fosse revolução,
Se teria consolidado. Deixaria marcas profundas.

Todo mau governo,
Mata as crianças de fome

Portanto, eu responsabilizo os ditadores
De Portugal e de Brasil
Pela morte de crianças inocentes,
Pela falta de educação,
Pela corrupção das instituições
Que também provoca sofrimento.

E a morte propriamente dita,
Pois é essa a mais cometida.
Se vocês não recriarem a revolução,
Recriarão um país sem historia.

 

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Gilberto Nogueira de Oliveira foi lido
free hit counters vezes desde o nº 105 de 31/01/2011
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