site stats
Rádio Raizonline SiteEmail PORTALMotor de BuscaNewsletter Estante VirtualLivro de Visitas Anuncios Gratis Homepage Blog DoisColaboradores Blog Tres FEEDS
poesia
 
cronicas
 
contos
 
cultura
 
educação
 
agenda cultural
 
humor
 
ambiente
 
solidariedade
 
assuntos europeus
 
ciência
 
tecnologia
 
colunas/empresa
 
biografias
 
 
 

Desde 7 de Março de 2011
visitors by country counter
flag counter










FREE Standard Shipping on $49+



Poesia Africana

Por Wilson Torres 

       

Ana Paula Ribeiro Tavares e Jofre Rocha

Ana Paula Ribeiro Tavares

Biografia

Nasceu no Lubango, Huíla, Sul de Angola, em 1952. Historiadora, tendo obtido o grau de Mestre em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. A autora vem atuando em várias atividades ligadas à literatura e à história africana. Foi membro do júri do Prêmio Nacional de Literatura de Angola nos anos de 1988 a 1990 e responsável pelo Gabinete de Investigação do Centro Nacional de Documentação e Investigação Histórica, em Luanda, de 1983 a 1985. Em 1999, publicou vários estudos sobre a história de Angola na revista «Fontes & Estudos», de Luanda.

Obra poética:

Ritos de Passagem, 1985, Luanda, União dos Escritores Angolanos;
O Lago da Lua, 1999, Lisboa, Editorial Caminho.
Dizes-me coisas amargas como os frutos, 2001, Lisboa, Editorial Caminho.

Mukai*

1

Corpo já lavrado
eqüidistante da semente
é trigo
é joio
milho híbrido
massambala

resiste ao tempo
dobrado
exausto
sob o sol
que lhe espiga
a cabeleira.

2

O ventre semeado
deságua cada ano
os frutos tenros
das mãos
(é feitiço)
nasce
a manteiga
a casa
o penteado
o gesto
acorda a alma
a voz
olha p'ra dentro do silêncio milenar.

3

(Mulher à noite)

Um soluço quieto
desce
a lentíssima garganta
(rói-lhe as entranhas
um novo pedaço de vida)
os cordões do tempo
atravessam-lhe as pernas
e fazem a ligação terra.

Estranha árvore de filhos
uns mortos e tantos por morrer
que de corpo ao alto
navega de tristeza
as horas.

4

O risco na pele
acende a noite
enquanto a lua
(por ironia)
ilumina o esgoto
anuncia o canto dos gatos
De quantos partos se vive
para quantos partos se morre.

Um grito espeta-se faca
na garganta da noite

recortada sobre o tempo
pintada de cicatrizes
olhos secos de lágrimas
Dominga, organiza a cerveja
de sobreviver os dias.
.
* Mukai: - mulher

(O lago da lua)


Jofre Rocha

Biografia

De nome Roberto António Victor Francisco de Almeida, nasceu em Cachimane, província de Icolo e Bengo em 05/02/1941. Estudos primários e secundários, este no Liceu Nacional Salvador Correia. Participou, ativamente, da guerrilha para libertação do seu país. Após a independência exerceu os cargos ministeriais de Relações Exteriores e Comércio Exterior.

Obra poética:

Tempo de Cicio, 1973, Lobito, cadernos Capricórnio;
Assim Se Fez Madrugada, 1977, Lisboa, Edições 70;
60 Canções de Amor e Luta, 1988, Luanda, União dos Escritores Angolanos.

Canto para Angola

Hei-de compor um dia
um canto sem lirismo
nem tristeza
digno de ti, ó minha terra.

Hei-de compor um canto
livre e sem regras
que de boca em boca vai partir
nos lábios de velhos e meninos.

Será o canto do pescador
com todos os sons do mar
com os gemidos do contratado
nas roças de São Tomé.

Será o canto de todos os dramas
do algodão do Lagos & Irmão
o das trag������������������������������������������dias nas minas
da kitota e da Diamang.

Será o canto do povo
o canto do lavrador
e do estudante
do poeta
do operário
e do guerrilheiro
falando de toda Angola
e seus filhos generosos.

(Assim se fez madrugada)

 

Poema do regresso

Quando eu voltar da terra do exílio e do silêncio,
não me tragam flores.

Tragam-me antes todos os orvalhos,
lágrimas de madrugadas que presenciam dramas.
Tragam-me a fome imensa de amor
e o queixume dos sexos túrgidos na noite constelada.
Tragam-me a noite longa de insónia
com mães chorando de braços vazios de filhos.

Quando eu voltar da terra do exílio e do silêncio,
Não, não me tragam flores...

Tragam-me apenas, isso, sim,
o último desejo dos heróis tombados ao amanhecer
com uma pedra sem asas na mão
e um fio de cólera a esgueirar-se dos olhos.

(60 canções de amor e luta)

 

 

COMENTE ESTES POEMAS