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Poesia de Liliana Josué


Ultrapassando Sombras; Sonolência em Tempos de Crise

Por Liliana Josué

 

Ultrapassando Sombras

 

Revolte-se a terra, revolte-se o mar
mas hoje sinto-me livre
não tenho espectros a atormentar-me
tenho espaço
tenho luz
tenho harmonia
tenho alegria
de viver.

Amanhã... não sei...
talvez esteja morta de tristeza
rodopiando ao som nostálgico
dum disco antigo
num possível anseio
de animal ferido
que a vida enganosa
me fez em gargalhada
desdenhosa.

Mas hoje sou feliz
isso é que importa.
Revoltem-se fantasmas
que eu os mato
na minha raiva de os poder vencer.
Anseio Primaveras sem o acto
duma vida em sepulcro
por falta de vontade de querer.

Tenho todo o Abril no coração
Quero sentir Portugal pulsar na minha mão



Liliana Josué.

 

 

Sonolência em Tempos de Crise

 

Vejo tédios
abrir de bocas
em sonolências amenas
espreitando de prédios
escondendo-se em tocas
ou caminhando apenas.
Seres bafientos, banais
desprovidos de espinhas dorsais .

Arrastam-se como as lesmas
em busca duma folha
ou erva, que não podem perder.
Rastejam e comem na mesma
irracionalidade, que aferrolha
qualquer ser amorfo e sem querer.
Sombras sem esqueleto
perdidas no próprio gueto.

O tempo avança indiferente
aos ventos que vão soprando
na força do próprio eterno
cavalgando superior, impertinente.
E o mundo vai-se devorando
com os dentes do Inferno.
Mas as lesmas (bicho mole)
só querem folhas e sol.



Liliana Josué

 

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Lilana Josué foi lida
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