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Poesia de Gilberto Nogueira de Oliveira

A ESTRELA INTELIGENTE; O MAR PROFUNDO
A ESTRELA INTELIGENTE
Nazaré, Bahia
Dentre todas as estrelas,
Brancas e multicoloridas,
Houve uma incógnita.
Foi a estrela anti-humana
Que brilhou sem ninguém pedir.
A estrela anti natural,
A estrela feita com uma inteligência burra,
Por estrelistas assassinos,
Para estrelar os inteligentes
E os futuros gênios.
Não havia uma estrada
Pela qual o povo fugisse.
A estrela cortou-lhe os caminhos,
Lhes suprimiu a existência.
Só o que restou
Foram os ásperos caminhos
Cheios de fogos bélicos.
Um caminho cheio de olhos,
Um caminho de fumaça venenosa.
Não era um caminho, era um atalho.
Quando o inocente povo
Conseguiu transpor a fumaça
Descobriu, que por trás
Da espessa cortina de fumaça,
Havia fogo.
E as pessoas, atônitas
Voltavam de encontro aos que iam,
E numa terrível confusão
Todos ficaram mudos,
Pois o espesso fogo
Da espessa estrela
Os tinha cercado.
E o povo morreu,
E eles sorriram.
Eles, os donos da estrela,
Que não passava
De uma falsa estrela,
E que brilhava no céu
Para conquistar o povo,
Para hipnotizar o povo
Que pensava que era Deus.
E hoje, a ação da estrela
Transformou esse povo,
Deixando-os alienados.
E passaram a ser estrelistas.
E a vida e a morte
Continuam.
O MAR PROFUNDO
Nazaré, Bahia
Vou chegando na praia,
O mar imenso e profundo
Invade a praia imensa
E profunda.
O mar também brilha
Ao contato com o sol,
Que lhe penetra profundamente.
E o mar fica em fogo
E o mar fica quente
E o mar estremece
E o mar fica com ressaca.
A maré esgota suas águas,
Aguas brilhantes e movediças,
Deixando alguns peixes a pular.
As gaivotas, disso se aproveitam,
E hora de se alimentar.
E caminham no seu voo calmo,
Branco e preguiçoso
Como se fossem veranistas.
Uma criança brinca na areia,
Um casal corre para o mar
Como se fosse o ultimo recurso,
Como se fosse a ultima vontade,
Como se fosse o ultimo prazer.
Um homem de óculos escuros
Pisca o olho para uma mulher cega,
Uma jovem mulher bronzeada.
Ela não percebe os olhos dele.
Ele tira os óculos e repete o gesto,
Um gesto sem lógica.
Um gesto sem amor
Mas um convite ao prazer.
Um convite luxurioso.
O mais difícil de contar
E que tudo isso aconteceu,
Num espaço de tempo
De uma onda descendo da praia,
Enquanto a outra subia.
E o mar continua
Como eu o deixei,
Como eu o abandonei.
Abandonei sim mas, prometi voltar
E fui sem despedida.
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