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GILBERTO
NOGUEIRA DE OLIVEIRA
Biografia e Poesia
GILBERTO NOGUEIRA DE OLIVEIRA, nasceu em 26 de agosto de 1953 em Nazaré-Ba. Foi morar em Belo Horizonte em outubro 1976. Mudou-se para Salvador em 1978 e retornou à sua terra natal em 1980.
Escreveu vários livros de poesias. Em 2005 lançou seu primeiro livro (Ferro Teatro). Seus livros: REVOLTA, ALEM DA MISERIA, O SANTO DEMONIO, ESSES HEROIS CAMPONESES, OS DOIS POLOS ANTAGÔNICOS, O SISTEMA, NEOLIBERALISMO NO CÉU, IMPÉRIO, ORGIAS CAPITAIS, FERRO, O HOMEM PARTIDO, ZÉ, TEATRO IMPRODUTIVO, L� FORA , EM MINHA TERRA, FERRO E A VINGANÇA DO DIABO.
Em 2002 reuniu todas as suas poesias em dois livros: EM MINHA TERRA (são poesias feitas em Nazaré-Bahia) e L� FORA (poesias feitas em Belo Horizonte-MG e em Salvador-BA).
Parou de escrever em 2002 por motivo de saúde e retornou ao mundo da cultura em 2010 com algumas poesias e um livro. Todas as suas obras foram organizadas e registradas na Fundação Biblioteca Nacional-RJ-Brasil pelo Historiador André Leite.
POESIA
A ARMA NOSSA DE CADA DIA
Nazaré, 01-07-1995
O poeta está armado...
Disse ele empunhando uma caneta.
O pintor está armado...
Disse ele empunhando um pincel.
A policia está armada...
Disseram eles, combatendo o povo.
Chegou a tropa de choque, abrilhantando a desgraça.
O camponês está armado...
Disse ele empunhando uma foice.
O operário está armado...
Disse ele empunhando um martelo.
O povo está armado...
Disseram eles de encontro à esperança.
O governo está armado...
Disseram eles promovendo o terror.
A desgraça brilha na praça.
O povo de encontro à desgraça.
E a desgraça brilha... na praça.
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COBRANÇA I
Nazaré, 20-12-1973
Já é hora de cobrar
As desgraças que vocês fizeram,
Comigo e com meus irmãos.
Maldita ditadura.
Militares assassinos.
Vocês não vêem
Que estão atrasando a cultura
Quando matam um gênio?
Vocês estão colocando
O futuro do paÃs em perigo,
Em mãos assassinas e irresponsáveis.
Militares entreguistas,
Promotores da desgraça,
Um dia vocês vão pagar.
Quando o povo, furioso
Tomar toda a nação,
AÃ eu vou sorrir,
AÃ eu vou gargalhar.
Os generais obedecerão aos cabos,
AÃ acaba o desespero.
O pior é que pode acontecer
A continuidade dessa cultura,
De que militar só serve
Para matar e obedecer.
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COISAS COSMICAS
Nazaré, 04-04-1974
Numa estupenda noite que não mais parecia ter fim
Houve a explosão de estrelas, explosões irônicas,
Era a Terra a contemplar a Lua
Num amor distante e impossÃvel
Num impetuoso flerte lésbico,
Onde só havia troca de olhares e de esperança.
A Lua queria ir ao encontro da Terra,
Beijá-la e abraçá-la e não pensar nas conseqüências.
As estrelas que as observavam irônicas,
Uma a piscar o olho e outras a responderem.
O sol com seus olhos de fogo, com sua luz de ouro,
Punha tudo à mostra.
E as duas amantes se desejavam,
Mesmo apesar da distancia que a separavam,
Como uma barreira de cristal, intransponÃvel.
Júpiter e Marte apreciavam a cena, sombrios.
Mercúrio estava melancólico, Plutão não menos.
Venus querendo participar, Saturno irava-se de ciúmes
Por não poder construir uma barreira mais sólida.
Mesmo assim ficou alegre ao ver a impossibilidade.
Urano e Netuno divertiam-se. Confiavam na intriga
Feita pelas irônicas estrelas,
Daquele amor impossÃvel.
E o espaço mudou sua estrutura mediúnica e espiritual.
E o espaço virou mar,
Um mar muito agitado
Que parecia até o fim do mundo.
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