Pagª 2- EDIÇAO NºXXI , IIIº NUMERO DE MAIO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes.
Continuação da Coluna Um (Ver inÃcio)
Eu pago 3,16 € cada vez que voto em Legislativas (e mesmo que não fosse votar
pagava na mesma) diz-me o Prof. Manuel Meirinho Martins num estudo que está a
fazer sobre esta questão. Mas multipliquemos esta soma pelas outras eleições
todas, e só nisso gastámos 150 milhões de euros desde 1994, com especial
incidência nos últimos anos em que a proporção no crescimento dos custos tem
sido exponencial o que não augura nada de bom para o futuro.
Comparando e para se ter uma ideia do valor do dinheiro no contexto social, em
Janeiro de 2009, estavam inscritos no centro de emprego 447 996 desempregados e,
de acordo com as estatÃsticas da Segurança Social, apenas 193 541 estavam a
receber subsÃdio de desemprego, isto é, 43,2%. Com base nestes números o aumento
recente para mais 6 meses de subsÃdio (de um ano para 18 meses) custa ao Estado
53 milhões de euros.
Ora, no campo base, o Prof. Meirinho Martins, calcula que nos próximos 4 anos o
Estado (nós) tenhamos que pagar entre 80 e 100 milhões de euros só para
actividades correntes dos partidos, partidos esses, que na sua percentagem por
vezes significativa não conseguem manter um diálogo que os credibilize aos olhos
daqueles que lhes pagam.
Mas a questão não será bem essa de se saber se os partidos polÃticos «merecem»
ou não (aos olhos do contribuinte) o dinheiro que se lhes entrega. O problema,
quanto a mim está na lógica do processo.
Eu admitiria (e devo ter admitido) que no inÃcio da implantação dos partidos
polÃticos em Portugal, após um longo perÃodo de ditadura de 50 anos, que
houvesse uma intervenção no sentido de dotar os mesmo das condições mÃnimas de
nascimento e desenvolvimento. Passado este perÃodo de cerca de 35 anos começo a
achar estranho que, para os partidos saÃrem do ninho da subvenção, seja
necessário tanto tempo como aquele em que eles estiveram «engaiolados».
Mais estranho, ou absurdo, se quisermos, é que a dependência destes em relação
ao dinheiro público (nossinho) cresça em proporção maior nesta ponta extrema,
quando o inverso seria o expectável desde há bastantes anos. Diz-se, e bem, que
não se deve dar o peixe mas sim ensinar a pescar, e aliás os próprios partidos
que comem desse peixe defendem a ideia para os outros casos todos excepto para
este.
O problema ainda é que, encostados ao subsÃdio (a chamada subsidio -
dependência) não há polÃtico, partidário ou não, que não defenda o fim dessa
fragilidade, argumentando até que «estar de barriga untada ao sol» é má
companheira e que as empresas inviáveis são para morrer, porque são inviáveis.
Ora, não se quer, como é claro, declarar desde já a inviabilidade de alguns
(pelo menos) partidos polÃticos, mas seria bom começar a ver esta questão de
outra forma: num perÃodo em que se defende em todos os campos a autonomia (o que
não quer dizer isolamento) sectorial, a auto-suficiência, o crescimento
sustentado, não é nada bom contradizer estes princÃpios, até porque eles têm um
fundamento importante neste caso concreto.
É que ao viverem do subsÃdio os partidos vão sentindo cada vez menos a
necessidade de manter uma relação constante com o povo que depois é chamado num
curto perÃodo de tempo (o das campanhas) a elegê-los. A balança da despesa
partidária tende assim cada vez mais à concentração (na sua relação com o povo)
e a pender para estes perÃodos eleitorais que em dois ou três meses (na melhor
das hipóteses) acaba, pelo seu massacre e insistência por ofuscar o trabalho
daqueles, coitados, que levam o ano inteiro a dar no duro.
Mesmo em linguagem «liberal» mais rasteira acho que há também aqui um caso de
concorrência desleal...
Por quanto quer comprar?
Por Haroldo P. Barboza
Se conselho fosse bom, não se dava. Vendia-se. Esta afirmação é mais antiga do
que andar para frente.
Esta frase é o argumento que uma pessoa usa para criar um obstáculo entre ela e
um amigo que pretenda lhe passar alguma orientação. É claro que nem tudo que
recebemos de orientação é a expressão integral da verdade, pois cada fato está
sujeito a muitas variáveis. No entanto não custa nada ouvir, filtrar,
experimentar e adaptar alguns dados que podem ser úteis para uma existência com
menos atribulações. Já bastam as situações de alta pressão das quais não
conseguimos nos livrar, causadas pela competição agressiva diária e pelos
elementos nocivos reinantes na natureza que agridem nossa sobrevivência por não
sabermos conviver com eles.
O estilo de vida ocidental criou um distanciamento entre gerações onde o jovem
naturalmente impetuoso, se deixa levar pela propaganda que o impele a tentar
realizar o maior número de projetos com pouco planejamento (depois a gente vê
como fica), parcos recursos (depois a gente faz um gatilho) e em tempo curto
(amanhã mesmo já estará dando resultados). Neste cenário, seus ouvidos se fecham
a algumas orientações que lhes são passadas pelos mais antigos da famÃlia.
Alegam que hoje os tempos são outros. Esquecem de um pequeno detalhe: mudaram os
equipamentos e as fórmulas para atender as novas necessidades, mas as
caracterÃsticas humanas são as mesmas de 100 séculos atrás (experiência,
preguiça, inveja, inocência, ganância, pressa, etc).
E esta distância aumenta se o jovem deixa que sua perseverança ultrapasse os
limites e se transforme em teimosia. Vejamos se a diferença básica pode ser
compreendida com os exemplos abaixo.
Perseverança – quando uma pessoa se determina a adquirir um bem ou realizar um projeto, mesmo que seja algo inédito, ela terá como base estudos e práticas anteriores de outros que já fizeram algo igual ou bem parecido (se tiverem falhado, darão maiores subsÃdios). A perseverança não permite que ela desista de seu objetivo mesmo que um acidente de percurso ocorra. Se uma prateleira fixada na parede desaba por ter uma sustentação fraca para o peso mal calculado depositado sobre ela, o perseverante não se abate. Refaz a parede lascada, monta uma sustentação cinco vezes mais forte e realiza seu projeto. Se no ato não tiver meios para trocar a sustentação, coloca um aviso provisório alertando sobre o máximo de carga que a prateleira pode suportar no momento. E desta forma age para construir suas «estantes» para guardar seus “tesourosâ€? de vida. E com o tempo atinge seu projeto com sucesso. E sente orgulho por ter superado os obstáculos paulatinamente com equilÃbrio.
Teimosia – quando uma pessoa esclarecida coloca sua vida ou saúde em risco
apesar de todos os alertas recebidos, demonstra uma falsa atitude de
personalidade forte, que «não se deixa influenciar por opiniões alheias». Não é
vergonha declarar que apesar de tantos anos de vida aprendeu algo novo, até
mesmo com alguém mais jovem. Um menino que trabalhou no campo dos 6 aos 20 anos,
certamente terá boas condições de orientar um técnico em agropecuária que obteve
um diploma na cidade aos 25 anos. Se uma pessoa fuma e alega que o tio morreu
aos 90 anos fumando dois maços por dia, usa um argumento frágil, pois desconhece
os prazeres perdidos pelo tio, as doenças que ele adquiriu, as dores que sentiu,
os gastos que teve com médicos e remédios. Não há uma planilha arquivada sobre a
qualidade de vida deste tio para ser consultada. E assim o teimoso segue
impávido e de nariz empinado condenando seu pulmão (e outros órgãos) à falência
em vida.
Carregar peso desnecessário quando nossas forças estão no auge, terão reflexos
dolorosos na coluna depois dos quarenta anos, quando o esqueleto começa
inclinar. Escrever sobre dezenas de páginas com lápis (para ler depois é pior
ainda) à noite provocará reflexos irrecuperáveis nos olhos depois dos quarenta
anos. Dormir diariamente menos de 4 horas certamente afeta os reflexos (por isto
motoristas batem nas estradas e operários perdem dedos na indústria), reduz a
memória, retarda o raciocÃnio. Isto ocorre em qualquer idade.
Os deslumbramentos com o namoro (principalmente sendo o primeiro) nos conduzem a
atitudes desaconselháveis, quase irracionais. Quando dois namorados deixam de se
ver por 3 meses, é possÃvel entender uma conversa telefônica semanal de 90
minutos para colocar as novidades em dia. Quando se encontram 2 vezes por
semana, 10 ou 15 minutos não bastam? Numa semana de provas ou de trabalhos
delicados na firma, estes encontros semanais devem ser reduzidos (não chegamos a
sugerir suprimidos) de 6 para 2 horas. Tal atitude não deve ser encarada como
sacrifÃcio. É um investimento para que num futuro não distante sejam criadas
condições para que os encontros passem a ser mais freqüentes e em maior tempo.
Neste texto, não existe fórmula mágica. E estas palavras não estão editadas aqui
com o objetivo de suprimir liberdades, desvalorizar ações próprias, revelar a
verdade total nem de forçar condutas. São meros relatos sinceros de quem já
passou por algo similar (até absorveu e aplicou algumas das dicas recebidas).
Certamente centenas de milhões de pessoas disseram isto nos últimos 77 séculos e
alguns milhões dizem hoje pelo mundo a cada minuto. Resta saber pelo menos
quantos escutam e compreendem. Se desejam experimentar em suas próprias vidas é
outra questão
Quem vaia já esta na vala.
Por
Haroldo P. Barboza
A bandeira e o hino de uma nação são importantes sÃmbolos de uma nação. Mas são
escolhidos através de consenso entre figurinistas e músicos. Já o Presidente, é
escolhido pela vontade popular. Por isto, é o sÃmbolo mais importante, com a
missão de traduzir os anseios de seus seguidores em busca de uma vida de melhor
qualidade para a grande maioria que se transforma em credibilidade para o paÃs.
Se esta figura é vaiada num evento público diante do mundo, certamente revela
uma baixa estima deste povo pela figura escolhida pela população. Não é um
paradoxo como pode parecer à primeira vista. Claramente traduz um sofrimento
profundo pelo desgaste da esperança após anos de promessas não cumpridas.
De quem é a culpa de tal ato?
Mal comparando:
Se o seu cão peralta e brincalhão rasga a nova cortina da sala, numa ação de
«educá-lo», você o prende na coleira dentro do banheiro de empregada por 3 dias.
Um pote de água, ração reduzida, sem quintal, sem Sol, sem afago à noite entre
seus pés enquanto você assiste tv.
Após o tempo definido acima ele é «libertado» e corre a esmo pela casa até
encontrar a canela da esposa e mordê-la levemente. Passa a ser considerado
elemento perigoso à sociedade, mal agradecido e sem educação!
De quem é a culpa de tal ato?
Quem já está na vala da vila, acenda uma vela para vê-la à frente do vilão
Continuação da Crónica de Arlete Piedade - Dia Mundial da Hipertensão – 17 de Maio (Ver InÃcio)
A tensão ou pressão arterial é uma medida de pressão calibrada em milÃmetros de mercúrio (mmHg). O primeiro número, ou o de maior valor, é chamado de sistólico, e corresponde à pressão da artéria no momento em que o sangue foi bombeado pelo coração. O segundo número, ou o de menor valor é chamado de diastólico, e corresponde à pressão na mesma artéria, no momento em que o coração está relaxado após uma contracção.
Não existe uma combinação precisa de medidas para se dizer qual é a pressão normal, mas em termos gerais, diz-se que o valor de 120/80 mmHg é o valor considerado ideal. Contudo, medidas até 140 mmHg para a pressão sistólica, e 90 mmHg para a diastólica, podem ser aceitas como normais. O local mais comum de verificação da pressão arterial é no braço, usando como ponto de auscultação a artéria braquial.
Verifica-se hipertensão arterial quando a pressão arterial se situa acima de 140x90 mmHg (milÃmetros de mercúrio) em adultos com mais de 18 anos, medida em repouso de quinze minutos e confirmada em três vezes consecutivas e em várias visitas médicas.
Elevações ocasionais da pressão podem ocorrer com exercÃcios fÃsicos,
nervosismo, preocupações, drogas, alimentos, fumo, álcool e café.
A hipertensão arterial pode ser sistólica e diastólica (máxima e mÃnima) ou só
sistólica (máxima). A maioria desses indivÃduos, 95%, tem hipertensão arterial
chamada de essencial ou primária (sem causa) e 5% têm hipertensão arterial
secundária a uma causa bem definida.
Hipertensão Arterial - Prevenção e Tratamento
A hipertensão arterial é um dos problemas médicos mais comuns da população mundial. É muito sério, porque é silencioso e só reconhecido pelas lesões dos órgãos atingidos. É uma doença vascular de todo o organismo e deixa «marcas» nos órgãos atingidos: coração, cérebro, rins, vasos e visão.
Há duas formas de tratamento: sem e com medicamentos.
O tratamento sem medicamentos tem como objectivo auxiliar na diminuição da
pressão, e se possÃvel evitar as complicações e os riscos por meio de
modificações nas atitudes e formas de viver, são elas:
1. Reduzir o peso corporal através de dieta calórica controlada: substituir as
gorduras animais por óleos vegetais, diminuir os açúcares e aumentar a ingestão
de fibras
2. Reduzir o sal de cozinha, enchidos, enlatados, conservas, bacalhau e queijos salgados
3. Reduzir o consumo de álcool
4. Exercitar-se regularmente 30-45 minutos, de três a cinco vezes por semana
5. Abandonar o tabagismo
6. Controlar as alterações das gorduras sanguÃneas (dislipemias), evitando os alimentos que aumentam os triglicéridos como os açúcares, mel, álcool e os ricos em colesterol ou gorduras saturadas: banha, torresmo, leite integral, manteiga, nata de leite, linguiça, salame, presunto, frituras, frutos do mar, miúdos, pele de frango, dobradinha, gema de ovo, carne gorda, castanha, amendoins, chocolate e gelados (sorvetes).
7. Controlar o stress
8. Reduzir o sal é muito importante para os hipertensos da raça negra, pois neles a hipertensão arterial é mais severa e provoca mais acidentes cardiovasculares, necessitando controles médicos constantes e periódicos
9. Evitar drogas que elevam a pressão arterial: anticoncepcionais, anti-inflamatórios, moderadores de apetite, descongestionantes nasais, antidepressivos, corticóides, derivados da ergotamina, estimulantes (anfetaminas), cafeÃna, cocaÃna e outros.
O tratamento medicamentoso visa reduzir as doenças cardiovasculares e a mortalidade dos pacientes hipertensos.
Até o momento, a redução das doenças e da mortalidade em pacientes com hipertensão leve e moderada foi demonstrada de forma convincente com o uso de medicamentos rotineiros do mercado.
Na hipertensão severa e/ou maligna, as dificuldades terapêuticas são bem maiores. A escolha correcta do medicamento para tratar a hipertensão é uma tarefa do médico.
Na hipertensão arterial primária ou essencial, o tratamento é inespecÃfico e requer atenções especiais por parte do médico.
A hipertensão secundária tem tratamento especÃfico, por exemplo, cirurgia nos tumores da glândula supra-renal ou medicamentos no tratamento do hipertireoidismo.
O tratamento medicamentoso deve observar os seguintes princÃpios:
1. O medicamento deve ser eficaz por via oral e bem tolerado
2. Deve permitir o menor número de tomadas diárias
3. O tratamento deve ser iniciado com as doses menores possÃveis e se necessário aumentado gradativamente ou associado a outros, com o mÃnimo de complicações
4. O medicamento deve ter custo compatÃvel com as condições socioeconómicas do paciente para permitir a continuidade do tratamento
5. O mais sério problema no tratamento medicamentoso da hipertensão arterial é que ele pode ser necessário por toda a vida. Aà então o convencimento da necessidade do tratamento é muito importante para que o paciente tenha uma aderência permanente
6. Os controles médicos devem ser periódicos para o acerto das dosagens medicamentosas e acompanhamento da evolução da doença cardiovascular
Muito mais havia a dizer sobre este problema de saúde, mas como tal não cabe no âmbito deste artigo, o conselho que vos podemos deixar é que se informem junto dos vossos médicos, pesquisem na Internet, nos centros de saúde, nas farmácias, e que cuidem da vossa saúde, antes que os problemas se manifestem e seja tarde demais para os tratar eficazmente e possam ficar com o vosso futuro comprometido, pois que este problema pode aparecer em qualquer altura da vida, embora a tendência seja para se manifestar cada vez em idades mais precoces.
Arlete Piedade