Agenda de EventosEmail BlogMotor de BuscaNewsletter ConvíviosLivro de Visitas Anuncios Gratis HomepageAlbum FotosIndice Geral Arquivo

Pagª 4 - EDIÇAO NºXXI, IIIº NUMERO  DE MAIO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   



  
Parcelas Coloridas

Exposição de Pintura

Inauguração dia 22 de Maio

 

A exposição estará patente até dia 5 de Junho de 2009, todos os dias no Jardim de Inverno do Hospital da Luz
Av. Lusíada 1500 Lisboa - 217 104 400

pensamentos do autor (Pedro Charters d'Azevedo)

Para mim na feitura de uma pintura o que domina é, sobretudo, o processo de escrita a escolha da forma que evite não só a banalidade como erros de estilo.

A dor e o júbilo na criação da obra existem mas em tempos diferentes, a dor no momento da criação e o júbilo no fim da obra completa quando me apercebo que o quadro resultou, e funciona.

O que determina o que vai ser o objecto de arte a que me dedico é aquele momento em que ponho na tela os primeiros traços de tinta, a imagem, o ambiente ou o motivo que determina o seu desenvolvimento.

Klee dizia que a pintura não restitui o visível, torna-o visível, Matisse nunca pintava as coisas mas as relações entre elas, dizia ele. Um e outro, tudo somado, definem, quanto a mim, aquilo a que posso chamar o limite sublime da arte.

O que interessa na pintura não é só criar um objecto por si mesmo desligado do autor, é ao contrário, o Eu está sempre presente na imagem produzida, há sempre um pouco de mim, mesmo quando o quadro nasce, como não pode deixar de ser, de circunstâncias de uma memória pessoal. É em certa medida um filho meu.

As tintas a colocar numa tela tem, sempre, o lugar concreto que é o seu, nos tubos e frascos. Mas numa tela os tons, as cores, a sua frequência, a sua cadência o seu lugar no espaço da tela, a orientação o estilo e a forma que elas proporcionam integra-se no resultado de um efeito de memória, cadência e ritmo que toda a obra transporta: por instantes para quem observa parece que se perde o sentido próprio, e está «livre» para receber qualquer outro sentido.

A obra de arte transporta esse efeito: é o apreciador ou comprador de arte, que nas sucessivas «leituras» do mesmo quadro, pode fazer isso. Por isso um quadro nunca se esgota num sentido, ou numa interpretação.

Num quadro nunca é a redução do Eu mas um alargamento para os outros do que, a princípio pode nascer apenas de um. Assim uma obra deve integrar a expressão afectiva num enquadramento reflexivo, ou num espaço de meditação que anule a simples efusão sentimental.

 

 

Exposição Pintura - Luís Athouguia

Até 23 de Maio na Galeria Municipal de Montemor-o-Velho

 

Luís Athouguia nasceu em Cascais. É diplomado pelo IADE, Instituto Superior de Design, em Lisboa. Participou em relevantes exposições internacionais, Bienais de Arte e encontros de Arte Postal. Desde 1983 realizou mais de duas centenas de exposições de Pintura (58 individuais). Representado em museus, instituições e importantes colecções nacionais e estrangeiras.

Desde 1983 realizou mais de duas centenas de exposições em Portugal e Espanha. Está representado em museus, instituições e importantes colecções nacionais e estrangeiras e foi premiado em certames de Arte nacionais e internacionais.

Foi distinguido com o Prémio Vespeira na Bienal do Montijo e o Prémio Internacional «Valentín Ruiz Aznar», Granada (E)

A sua obra está dividida em duas vertentes: a geométrico-abstracta e a deliquescente, gestual. Na primeira desestrutura temáticas, realidades que se convertem em outras realidades que não têm necessariamente que ver com a real, em partes de um puzzle que muda a cada momento, mas mantém a sensualidade cromática, a força da divisão produzida pela introdução da cor negra, enquanto a sua outra produção artística é mais densa, deliquescente, desligada de estruturas formais, produto das suas elucubrações abstractas.

A sua produção pictórica move-se entre mundos diferentes, um, o real, o que se nutre de referências directas, precisas, de uma realidade que não é a nossa mas que procede da que partilhamos, ainda que a desestruture, mediatize, avançando das essências que a conduzem, porque não lhe interessa a descrição, procurando outras inscrições procedentes do mundo onírico, do submundo dos interstícios da fenomenologia da própria variabilidade da existência.

Tudo está sujeito a mudanças, não há virar de página, porque não existe o real estático, senão uma visão dinamizada da mesma, em que tudo é mudança e daí a presença de fragmentos, de realidades formais que nos conduzem a outras realidades inventadas, mentais, neuronais ou até procedentes de outros mundos. Não está neste mundo, mas num intermédio, entre a vigília e o sonho, a meio caminho entre a viagem astral e a proposta visceral de uma maneira de visionar a existência mais além das condicionantes biológicas.