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Pagª 21 - EDIÇAO NºXXIII , Iº NUMERO  DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   

 Artigo / Opinião

Olga Savary: Quem Tem Medo Dela na Academia Brasileira de Letras?

 

Silas Corrêa Leite

A maior escritora brasileira atualmente é Olga Savary. No mesmo nível de Hilda Hist, Clarice Lispector, Marina Colasanti (para dizer o mínimo), pois estas estão pra mim no mais edificante patamar da maravilhosa qualitatividade letral. Já pensou?

Curtindo Olga Savary tinha eu, cá com meus botões, que ela já era e fazia tempo da bendita Academia Brasileira de Letras. Desantenado?

Errei feio. Pois não é que é? Bem, ela estar na ABL pelo histórico handicap lítero-cultural que tem, seria uma honra. Mas uma baita honra mesmo lá para a Academia. Aí o leitor desavisado perguntaria: mas, o que mesmo que a Olga Savary é no contexto literário do Brasil?

O problema mesmo não é o que ela é, mas o que ela não é, quero dizer, ela faz de tudo, além de ser humanamente dizendo uma tremenda Poeta, talvez a melhor do Brasil desde 1500. Pois aí que está a questão: se ela é tudo isso que ela é mesmo, por que ainda então não pintou de fardão e se eternizou na Academia Brasileira de Letras?.

Fiquei de butuca: quem tem medo da Olga Savary? Pois é, se ela tem um currículo que, valha-me Deus, é o melhor femininamente falando em terra de santa cruz que virou afrobrasilis, então, cara pálida, qual é mesmo o impedimento letral?

Tá certo que o Brasil é de, às vezes esquecer seus mitos, principalmente nesta época de inumano e amoral neoliberalismo de tantas (mais) riquezas injustas, lucros impunes, contrastes sociais, propriedades roubos (e sampa com seu capitalhordismo atucanado agoniza); tá certo que o Rio de Tantos Carnavais tem seu, argh!, Cesar Maia que oscila entre um nada e um ninguém, mas, convenhamos, esquecerem a Olga Savary e, a turma toda da ABL não ir de mala e cuia, na casa dela, em Copacabana, bem aparamentada, convidá-la em coro (e com orgulho), para a honra de tê-la na ABL, aí já é demais.

Acredite se quiser. Poeta, Contista, Ensaísta, Tradutora, Jornalista, Crítica, Literata, Palestrante, Curadora, Depoente, Personagem Em Livro, Personagem Viva de Nosotros Que A Amamos Tanto (amalgamados afrobrasilís de tupi-davidicos), Verbete, Copiada, Adorada, Consultada: faz Orelhas, Prefácios, Resenhas, Saraus, Catálogos, Músicas, e, se precisar, periga ver, ela Voa... e ainda não pintou para literalmente ilustrar a ABL?

O que é que é isso, companheiros? Onde já se viu? Tem cabimento? Vamos fazer uma Marcha Pela Olga Savary na ABL. Tipo «Olguistas unidos/Jamais serão vencidos!»

Russa e brasileiríssima pela própria natureza de ser livre e água, nordestina e acariocada, ela mesma é a alma mutante do brasileuropeu. Russa-amazônica, com sua poesia água e sua alma sextante. E os direitos humanos da Olga Savary no palco iluminado da ABL?

Uma mulher do quilate da Olga Savary valoraria em muito a ABL. Ela é a grife da literatura brasileira, da poesia brasileira, nesse macadame de significâncias históricas. Nesses tempos de um brilhante Lula Light e o Brasil no auge como nunca, a maior dose de brasilidade que a nossa cultura tem é fulgurada no coração lítero-cultural de Olga Savary.

E não existem outras. Olga não pede para entrar. Ela é iluminura em si mesma. Ela não é como uma escola de samba que pede passagem. Ela é ponte entre o mérito e a conquista. Está faltando o quê?

Ela não precisa gastar dinheiro para fazer sala para os que a indicarão pelo voto. Ela é voto líquido e certo. A paixão dela pela arte literária a qualifica, quase que a santifica. Como a alma brasileira é feminina, Olga Savary é essa alma, essa cara, essa aura, pois luta ainda e muito, produz, escreve, se consome noiteadeira nas lides de escrever, por isso também que é o nosso maior nome para ser expresso como uma grife na Academia Brasileira de Letras. Será o impossível?

Eu acredito em sonhos. E em lutas. Mas, será tão difícil assim?. Uma escritora portentosa como ela, não pode ficar de fora. Se ela vai para o décimo-nono livro; se tem 36 prêmios de renome, se é famosa no mundo inteiro, em todos os continentes, referência até como avaliadora de todos os nossos consagrados escritores de todos os tempos, se participou de 950 livros, é de se espantar que ainda não seja agora e assim mesmo no belo e empolgante açodado do momento, uma convidada de honra para lá se assentar, na Academia de Letras, e finalmente e mais do que ninguém, tornar-se imortal.

Machado de Assis se sentiria honrado.


Silas Corrêa Leite, de Itararé-SP, Santa Itararé das Letras
Teórico da Educação, Jornalista Comunitário (ECA/USP), Escritor (Poeta, Ficcionista, Ensaísta, Romancista), Conselheiro em Direitos Humanos (SP)
Membro da UBE-União Brasileira de Escritores
Prêmio Ligia Fagundes Telles Para Professor Escritor
Autor de «O Homem Que Virou Cerveja», Crônicas Hilárias de Um Poeta Boêmio, Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, 2009, Salvador, Bahia, no prelo, Giz Editorial
Autor de Campo de Trigo Com Corvos, Contos Premiados, Editora Design, finalista do Prêmio Telecom, de Literatura, Portugal.

E-mail: poesilas@terra.com.br

Site: www.itarare.com.br/silas.htm

Blog premiado do UOL:
www.portas-lapsos.zip.net

Texto da Série «Brasil: Panurgismos, Bravatas e Prosopopéias Jugulares» - Ensaios, críticas, resenhas e Pensadilhos (livro inédito do autor)

 

 

 


    
VER E SENTIR


                  
Cristina Maia Caetano
   (XXIII)

Talvez, o que custe mais para determinadas pessoas seja o silêncio. Talvez, para essas mesmas pessoas estarem caladas dois segundos, seja um autêntico suplicio, um autêntico penar. Talvez, essas pessoas, tenham na boa verdade, apenas medo de deixarem o seu ser, a sua alma, o seu espírito falarem.

Talvez o medo de perceberem o que com eles se passa, seja demolidor … e, preferem silenciá-lo com palavras constantes, fazendo ruborescer verdadeiros tagarelas. Só o silêncio dos lençóis e das fronhas, percebem o que na alma, o que no espírito vai!

As lágrimas salgadas confidenciam tudo o elas precisam de saber! E nem necessitaram de falar, de ver, de ouvir… apenas de sentir!

De facto, creio mesmo que talvez um dos maiores problemas existentes hoje em dia, é exactamente o das pessoas não se conhecerem a si mesmas. Debruçadas num computador, num jogo de vídeo, num site qualquer da Internet, cedo aprendem a esconder os seus mais secretos anseios.

Com o evoluir do tempo, estes, transformam-se em medos, em frustrações e, em desconhecimento profundo do seu ser. Mas continuam a viver em sociedade! Então falam, e falam, mas não se escutam! E continuam a falar, a rir, a comunicar, a gesticular, a verbalizar… e talvez um dia, sem mais nem menos, sem qualquer aviso prévio, prefiram o silêncio!

Agora, intitulam-se vitimas: ninguém os compreende e nem os amigos os entendem. Rapidamente, muros tornaram-se altos, bem altos e bem empedernidos. Certamente, será doença a apoderar-se deles? Certamente, sim, certamente não!

Talvez, mesmo, seja só agora que no silêncio procurem o seu verdadeiro ser, a essência da sua alma, do seu espírito! E têm medo, muito medo… Sem alternativa melhor, sentam-se tal como Buda… quem sabe se não virá ele da laranjeira dizer-lhes o que necessitam, …. E como ele não vem, como ninguém vem, o silêncio contínuo dentro de cada um tal como um telescópio, ausculta e escuta sem pressas cada purinho do corpo humano, cada nervozinho, cada veia… sem criticas ouve, ouve e ouve… finalmente começam a analisar, a escutar … e, agora a alma e o espírito começam a falar entre si… finalmente, querem fazer-se ouvir-se!

Finalmente, essa chance está a ser-lhes dada! Do nada, consolidam-se, reconstroem-se, renascem! Sem medos assumem o que são e… finalmente deixam de ter medo da solidão, deixam de ter medo de si, deixam de ter medo de mostrar aquilo que são! E aí, sim, reparam que a necessidade de falar diminui, apenas e só porque se têm a si mesmo…

Lembrem-se pois, de pensarem carinhosamente no assunto e com a certeza que o melhor, é mesmo não se fazerem julgamentos...


Cristina Maia Caetano publicou recentemente o primeiro volume da colecção infantil Fadinha Lótus que é o segundo do seu currículo como escritora que teve em «Conhecer o Teatro em Moçambique» a sua primeira experiência editorial.

Além de pintora, ilustradora, escritora e poeta que cultiva a espiritualidade é também cronista nos jornais «Diário de Aveiro», «Pinhel Falcão» e Rádio FM Aveiro.