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Pagª 2- EDIÇAO NºXXIII, Iº NUMERO  DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   

Continuação da Coluna Um (Ver início)

Assim, por delegação ou por vontade expressa, o Testamento Vital já existe: o que não existe é a certeza (e poderá haver essa certeza?) de que ele corresponde à vontade do doente. Não existe agora e não existirá através do preenchimento de um papelinho em consciência porque ninguém adivinha qual a vontade real do doente naquele momento preciso.

E claro que é bastante mais tranquilizador, em termos de decisão e possíveis incertezas futuras, ter-se um documento em apoio e de certeza que o argumento na altura em caso de dúvidas pessoais rondando algum remorso em caso de pressão social ou familiar, estará fortemente ancorado não na percepção daquilo que se pensa que o doente pensaria naquelas circunstâncias, mas sim no tal documento, preenchido com a consciência do momento do escrito mas não conferido (porque impossível) com a consciência do momento da decisão.

Também aceito, porque me considero razoável, que o facto de haver um documento declarando uma dada vontade, e não tendo sido alterado havendo para isso oportunidade da parte do agora doente (em fase terminal) que, é bastante mais possivelmente certeira a decisão que vá nesse sentido, mas continuamos ainda no reino das possibilidades.

As Leis vigentes têm princípios gerais que dizem que uma pessoa pode alterar uma declaração, sendo capaz, ou seja, não estando tutelado ou incapaz de tomar decisão, mas também e por aquilo que sei (o que não é igualmente muito tranquilizador nesta perspectiva do respeito pela vontade última) que, neste caso, a decisão, sobretudo desta gravidade, implicaria a intervenção de um Juiz como garante da lisura do processo e da decisão.

Por outro lado há igualmente uma coisa, em termos jurídicos, que se chama de direitos indisponíveis, quer dizer que não são direitos (porque são indisponíveis) devido sobretudo ao seu carácter: pode-se perdoar um ladrão que nos roubou, o juiz provavelmente terá isso em consideração na graduação da pena, mas em princípio não pode pura e simplesmente arquivar o processo e tem mesmo de condenar, caso se prove o roubo mesmo que perdoado pelo lesado.

Outros casos há, por exemplo o suicídio, que como é evidente não é permitido por lei, por entre outras razões ser um mau exemplo social e por se ter nessa punição quando adequada ou possível, um factor de prevenção social.

Por isso, e fazendo o resumo daquilo que gostaria de deixar claro, é que a vontade última do doente não é nunca forçosamente respeitada, haja Testamento Vital ou não. Reduz-se a margem de responsabilidade pessoal do ou dos familiares, salta-se do campo da percepção ou do diz que disse, para uma mais tranquilizadora decisão, afasta-se a tomada de decisão da perspectiva pessoal do familiar (que até pode não comungar dos mesmos princípios do então doente e agir consoante as suas convicções pessoais) e burocratiza-se afinal o processo decisório.

Sabendo aquilo que sei não vai haver muita gente a preencher o papelinho desde que esteja suficientemente discutido o assunto com os seus botões e a maior parte daqueles que defendem agora com ardor a «modermidade» do sistema seguirão o também velho princípio do «não faças aquilo que eu faço, faz aquilo que eu digo».

 

A arca sem rumo.

Por Haroldo P. Barboza 

Há nove anos comemoramos 500 anos de existência cheios de entusiasmo, assim como um adolescente que completa maioridade e acredita que a partir deste momento tornou-se independente e apto a dar rumo à sua vida, por sua própria conta. Chegamos a imaginar que em 2002 e 2006, finalmente votamos certo. Acreditamos que nem as urnas eletrônicas manipuláveis conseguiram reverter o rumo que nosso país deveria trilhar a partir de agora. Menosprezamos Regina Duarte pela sua mensagem pessimista contra o novo governo, dito da esperança. Parece que foi da esperteza.

E depois de 9 anos começamos a perceber tardiamente que o processo de empobrecimento (financeiro e moral) do povo segue firme a favor do enriquecimento das contas bancárias dos abutres que por séculos nos envolvem com seus tentáculos sangrentos. A tristeza pela decepção é maior por vermos que o comandante máximo da nação sucumbiu aos encantos da posição que galgou sem mesmo ter feito um estágio como Governador, Ministro ou Senador. Não pedimos que ele tentasse resolver com um passe de mágica, problemas de 100 anos em 6 meses. Nem em 4 anos. Mas pelo menos que olhasse na direção da solução. Que reduzisse a falta de esperança em pelo menos 20%!

Infelizmente, depois da euforia da festa, percebemos os destroços de nossa dignidade aumentando com rapidez. Nosso piloto navega (num caro avião) sem bússola pelo universo da miséria usando os atalhos dourados dos gabinetes. Ficou deslumbrado com os serviços a bordo nas constantes viagens realizadas e finge não perceber que cada «acordo» com presidentes estrangeiros cedemos mais um pedaço da nossa dignidade esgarçada pelas botas dos vorazes abutres. Abandonou a arca nas mãos dos que permitiram que ele chegasse ao topo de seu sonho em detrimento do futuro de seus compatriotas desiludidos. Boiando a esmo no charco da podridão moral, rezamos para abalroar a embarcação onde esteja Noé, para que este tente nos salvar, pobre gado rumo ao matadouro.

O perigo que corremos é o de Noé já ter comprado uma tela de LCD e estar «encantado» (hipnotizado) pelas belas desnudas que se exibem nas casas do Big Bosta Brasil, com um time de inocentes cheias de silicone e de mentes vazias.

 

ISABEL DE ALMEIDA DE SOUSA FURTADO

Acróstico de João Furtado

I - Imagem tua me segue
S - Simples mulher desejada
A - A mãe perfeita e amada
B - Bela fantasia me persegue
E - Este amor que nos une e cura
L - Loucos desejos em pureza pura!

D - De ti tudo desejo
E - Esteja eu perto ou longe!

A - Amor de amiga querida
L - Lembrança de mulher escolhida
M - Mesmo na difícil hora
E - Este quadro jamais borra
I - Impossível não admirar-te
D - De poema, com ou sem arte
A - A tua pessoa escrever!

D - Desejo ser poeta e rimar
E - Este poema, mas não sou, certeza tenho,

S - Sou teu maior admirador
O - O teu, reclamo com direito,
U - Um completo e perfeito amor
S - Seja hoje, seja sempre, sem despeito
A - Atrás do teu carinho estarei sempre

F - Foi a forma de te dizer
U - Unicamente que te amo
R - Repito tanto que necessário for
T - Tal um gravador ou papagaio
A - A loucura que vivo por tua atenção
D - De dia ou de noite, hoje ou ontem ou sempre
O - O teu amor foi, é e será a minha vida!

 

 

Acima das nuvens

Por Haroldo P. Barboza

Como nosso governo vive voando (literalmente), sempre é o último a saber que nossa aviação civil (e militar) está em crise. E nas raras vezes que transita em terra firme, faz declarações para empolgar a galera. No final de março de 2007 «exigiu» data para o fim do caos que assola o setor. No meio desta zona, o Mi(si)nistro Waldir Pires ficou a ver navios (ou aviões?). Este sim deveria voar para conferir de perto as barbaridades. Mas «Pires» não voa. Se fosse «xícara» teria mais chances, pois esta tem asas.

Esta exigência de soluções imediatas da figura máxima do governo deveria ser feita também nas demais áreas sob sua tutela.

Mas nada funciona por três fatores principais:

1 – Os orçamentos para cada área são aprovados pela Câmara Federal. Mas na metade do ano os valores são cortados em até 60% dependendo do impacto político que garanta a perpetuação no poder das parasitas que «galgaram» (como gatunos escalando muros residenciais) os postos de comando. Ou mesmo por «ordem» de um abutre estrangeiro que nos coloniza e deseja um superávit alto para reduzir o «risco Brasil».

2 – Do que sobra para aplicar na área, cada «ortoridade» busca um meio escuso de se locupletar do cargo que lhe foi conferido. Sempre deixam uma «merreca» para comprar uma máquina há 15 anos fora de uso no primeiro mundo, um rolo de arame para amarrar pés de móveis prestes a desabar, ventilador para substituir o ar refrigerado que não funciona há 4 meses e uma «verba» para agradar fiscais que possam contestar condições inadequadas de trabalho.

3 – A Justiça omissa e com preguiça não age para punir culpados encontrados com a mão (e o corpo todo) na «massa». Bandos de advogados de plantão estão com mandatos de soltura prontos (basta colocar o nome do acusado na linha pontilhada) para seus réus primários (mesmo com 20 escândalos nas costas). Os Juízes logo assinam tais documentos desde que seus polpudos salários e suas enormes vantagens estejam garantidos. Se fazem isto pelos marginais que portam armas de fogo, por que deixariam de atender aos que usam silenciosas canetas?

 

Continuação da Crónica de Arlete Piedade - Dia Mundial da Criança (Ver Início)

PRINCIPIO 4º
A criança gozará os benefícios da previdência social. Terá direito a crescer e criar-se com saúde; para isto, tanto à criança como à mãe, serão proporcionados cuidados e protecção especial, inclusive adequados cuidados pré e pós-natais. A criança terá direito a alimentação, recreação e assistência médica adequadas.

PRINCIPIO 5º
A criança incapacitada física, mental ou socialmente serão proporcionados os tratamentos, a educação e os cuidados especiais exigidos pela sua condição peculiar.

PRINCIPIO 6º
Para o desenvolvimento completo e harmonioso de sua personalidade, a criança precisa de amor e compreensão. Criar-se-á, sempre que possível, aos cuidados e sob a responsabilidade dos pais e, em qualquer hipótese, num ambiente de afecto e de segurança moral e material, salvo circunstâncias excepcionais, a criança da tenra idade não será apartada da mãe. A sociedade e às autoridades públicas caberá a obrigação de propiciar cuidados especiais às crianças sem família e aquelas que carecem de meios adequados de subsistência. E desejável a prestação de ajuda oficial e de outra natureza em prol da manutenção dos filhos de famílias numerosas.

PRINCIPIO 7º
A criança terá direito a receber educação, que será gratuita e compulsória pelo menos no grau primário.

Ser-lhe-á propiciada uma educação capaz de promover a sua cultura geral e capacitá-la a, em condições de iguais oportunidades, desenvolver as suas aptidões, sua capacidade de emitir juízo e seu senso de responsabilidade moral e social, e a tornar-se um membro útil da sociedade.

Os melhores interesses da criança serão a directriz a nortear os responsáveis pela sua educação e orientação; esta responsabilidade cabe, em primeiro lugar, aos pais.

A criança terá ampla oportunidade para brincar e divertir-se, visando os propósitos mesmos da sua educação; a sociedade e as autoridades públicas empenhar-se-ão em promover o gozo deste direito.

PRINCIPIO 8º
A criança figurará, em quaisquer circunstâncias, entre os primeiros a receber protecção e socorro.

PRINCIPIO 9º
A criança gozará protecção contra quaisquer formas de negligência, crueldade e exploração. Não será jamais objecto de tráfico, sob qualquer forma.

Não será permitido à criança empregar-se antes da idade mínima conveniente; de nenhuma forma será levada a ou ser-lhe-á permitido empenhar-se em qualquer ocupação ou emprego que lhe prejudique a saúde ou a educação ou que interfira em seu desenvolvimento físico, mental ou moral.

PRINCIPIO 10º
A criança gozará protecção contra actos que possam suscitar discriminação racial, religiosa ou de qualquer outra natureza. Criar-se-á num ambiente de compreensão, de tolerância, de amizade entre os povos, de paz e de fraternidade universal e em plena consciência que seu esforço e aptidão devem ser postos a serviço de seus semelhantes.

Obtido neste site

Este dia é celebrado com vários programas dedicados á criança um pouco por todo o mundo, mas mais que brincadeiras e festas, que também são necessárias, devia ser celebrado no coração de cada um com uma reflexão séria para verificar se estão a proporcionar aos seus filhos as condições necessárias para que os seus direitos sejam efectivamente respeitados, fazendo-lhe aprender também os seus deveres como cidadãos, filhos e companheiros.

Arlete Piedade

Seja qual for o motivo, todos são causa de sofrimentos para o próprio e as famílias, por isso em caso de desaparecimento a família deve tomar providencias de imediato, contactando as autoridades, porque qualquer minuto conta, para se alcançarem as fronteiras e perder-se o rasto ao desaparecido em questão de algumas, poucas horas.

São estes os conselhos que tenho para dar, agradeço a vossa atenção mas não estou muito inspirada hoje, o meu filho acabou de sair para uma noite de farra e fico sempre com o coração em sobressalto.

Arlete Piedade 

(Ver o Poema Mão Negra e apresentação P.Point-pps)

 

Veja  vídeo de Arlete Piedade em 2007 na II EPAC (II Encontro de Poetas Abralianos e Convidados) realizado em  Almeirim - Portugal.