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Pagª 35 -  EDIÇAO NºXXIII , Iº NUMERO  DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   

Franklin Cascaes por correspondência

Por Arlete Brasil Deretti Fernandes

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Letras – Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa para obtenção do título de Bacharel em Letras na UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA - Centro de Comunicação e Expressão - Departamento de Língua e Literatura Vernáculas

(...) RESUMO

Este trabalho de conclusão de curso apresenta a transcrição de dezesseis cartas autógrafas de Franklin Cascaes, correspondentes a quatro décadas: 1950, 1960, 1970 e 1980, integradas ao acervo «Coleção Profª Elizabeth Pavan Cascaes,» que faz parte do Museu Osvaldo Rodrigues Cabral da UFSC.

Foi seguida a orientação metodológica para transcrições estabelecida pela Filologia, Ciência que objetiva aproximar-se o melhor possível da genuinidade dos documentos.

Ao realizar-se a crítica textual foram resgatadas informações contidas nestes escritos sobre alguns fatos ocorridos na história da Ilha. Esta pesquisa acompanhou a grande luta do artista para que sua produção fosse acolhida por uma instituição, assim como acabou acontecendo.

Por meio da disciplina Análise do Discurso, o discurso do escritor foi analisado desde o início de sua luta até a acolhida de sua obra pelo Museu Universitário.(...)

(...)  PALAVRAS FINAIS

Importante tarefa foi transcrever as cartas que revelam uma parte da vida de um artista que passa por tantas lutas para ter amparada uma obra que ele tem certeza de que possui um valor histórico-artístico-cultural.

Franklin Cascaes lutava para conservar a história do legado cultural açoriano, trabalho que o NEA, (Núcleo de estudos açorianos), vem desenvolvendo hoje.

O texto abaixo, expõe a história desta cultura e de sua preservação:

Em 06 de Janeiro de 1748, chegam à Ilha de Santa Catarina os primeiros casais açorianos. Inicia-se um período de explosão demográfica, haja vista que nesta época a Ilha possuía uma população que não ultrapassava as 500 almas.

Muitos outros vieram e, até 1756 desembarcaram na Póvoa de Nossa Senhora do Desterro, aproximadamente, 6500 açorianos e uma centena de madeirenses.

A grande maioria destes colonos foram localizados no litoral de Santa Catarina e algumas famílias migram mais tarde para as póvoas do Rio Grande e região, fundando Porto Alegre dos Casais, em 1752.

A gente que saiu dos Açores, e que aqui chegou, trouxe consigo uma bagagem cultural e um modo próprio de viver os seus costumes, lenda, crendices, religiosidade, cantorias, danças folclóricas, etc.

Nas últimas décadas do Século XX, por diversos fatores, assistiu-se a um processo acelerado de transformação dos padrões culturais ao longo de todo o litoral. Tais transformações produziram um distanciamento progressivo dos descendentes de açorianos e de sua cultura de origem.

Diante dessa realidade inconteste e, cientes de que o processo será irreversível em médio prazo caso não haja um processo no sentido inverso, o Núcleo de Estudos Açorianos propõe-se a agir enquanto ainda existem valores culturais vivos e fortes.

Soma-se a isso o fato de que esses valores são professados por um contingente populacional que representa as 7ª e 8ª gerações dos povoadores luso-açorianos que se fixaram no litoral catarinense, a partir do Século XVIII, e que muitas comunidades apresentam seus valores intactos. (www.identidade.ufsc.br)  e (www.agecom.ufsc.br).

Franklin Cascaes foi um lutador, porque nunca desanimou ao solicitar às autoridades que dessem um lugar a uma obra que hoje vem sendo descoberta e valorizada.

O estudo das dezesseis cartas de Cascaes suscita diferentes reflexões: Onde foi parar a pedra, segundo o escritor «monumento natural», que deu o nome ao Bairro Ita-corumi ou Ita-corubi, que em tupi-guarani significa menino de pedra?

Cascaes se preocupava com questões de urbanismo da Ilha, como da Lagoa da Conceição e da urbanização das ruas centrais.

Também fez entre outras, diversas sugestões à Prefeitura Municipal como a construção de uma pirâmide no cemitério de Itacorubi e outras interessantes idéias que não foram acatadas.

Como artista ele se preocupava com questões estéticas. Ele também foi um ecologista, já naquela época.

Recentemente, na coluna do Diário Catarinense do dia 17 de março de 2007, o jornalista Moacir Pereira tece um comentário sobre Cascaes, dizendo o que se segue:

Franklin Cascaes, considerado o maior pesquisador da cultura açoriana, artista plástico que revelou a força do folclore na Ilha de Santa Catarina, gravurista e escritor que deixou as peças mais ricas sobre lendas e superstições dos descendentes portugueses, é um dos poucos catarinenses integrando a Wikipédia. Seu extraordinário acervo passou a ser valorizado e ganhou repercussão e prestígio nacional a partir da primeira obra.(PEREIRA, 2007, p. 3) .

Neste estudo sobre as cartas, o que pude ler e observar sobre a obra de Cascaes foi que esta se enquadra dentro de teorias literárias contemporâneas, como de Umberto Eco, Genette e Foucault, conforme referências no decorrer do trabalho: uma obra aberta (dando ao leitor a oportunidade de completar a obra sugerida); um hipertexto (uma obra que se constitui a partir da transposição de diversos textos colhidos na tradição popular); um hypomnemata (um texto que se constitui a partir de muitas anotações de pesquisas e de vivências do próprio autor).

Como nesta pesquisa trabalhei com cartas, posso afirmar que muito das correspondências permaneceu longo tempo esquecida nos arquivos públicos ou privados e que recentemente passou a ter valor como documento de maior importância.

Os pesquisadores descobriram que podem encontrar nelas dados importantes, testemunhos vivos de uma época, documentação de uma história pessoal e de situações, vivências e experiências que descrevem uma época e uma cultura.

O importante é que a obra de Franklin Joaquim Cascaes está hoje amparada institucionalmente e pode ser estudada e descoberta pelo público acadêmico ou por outros estudiosos. E, tal qual a Ilha de Santa Catarina, cantada por Franklin poeta, mesmo que tomando de empréstimo os versos de Zinininho, sua obra poderia ser descrita também como aquela «coroa burilada pelas mãos incomparáveis» não do arquiteto do Universo, mas «para ornar a fronte alvíssima do oceano» cultural de Santa Catarina. (...)

Foi Orientadora deste trabalho a Profª Drª Zilma Gesser Nunes

Florianópolis
2007

(veja o trabalho completo e ordenado carregando aqui)

 

 

 

ESTRELA BRILHANTE

Sandra Fayad

Se eu fosse uma estrela brilhante no céu,
pediria a Deus que perfumasse cada ponta
com cheiro de amor.
Se eu pudesse brilhar na terra,
acesa de muito carinho,
escreveria seu nome em letras encarnadas
nas curvas do meu caminho.
Depois iríamos visitar o Parque Nacional
sem pressa, nas trilhas a caminhar,
Com o sol mesclado se pondo no crepúsculo do cerrado,
a contrastar com a lua branca despontando do outro lado.
A paz da noite chegando de mansinho
também tem cheiro de cafuné sem pressa.
Dá vontade de voltar pra casa,
porque a qualquer momento
o Lobo Guará pode chegar.
É melhor ficar num canto bem juntinho,
ouvindo Roberto Carlos cantar:
«eu sou aquele amante à moda antiga,
daqueles que ainda mandam flores...»

E na madrugada pálida e fria,
Rubras taças de vinho nos fariam levitar
Abraçados no embalo da canção...
Dos beijos ardentes prateados
E da mistura do nosso corpos trançados
Como as ramas de um ninho,
Nasceriam tão somente
Doces sonhos de anos dourados...

 

Ciranda de Sá de Freitas e outros

Nota da Redacção: O nosso colaborador , o poeta Sá de Freitas tem-nos remetido com regularidade trabalhos seus que, com muita honra para nós, temos ido publicando conforme as nossas possibilidades.

Um dos seus últimos envios é uma ciranda que conta no seu desenrolar com mais de uma vintena de poetas e de poemas.

Os dois primeiros poemas, que terão despoletado a Ciranda, já foram aqui publicados sob a forma de dueto (na altura eram ainda um dueto) Poema em dueto - DESAFIO-TE...TRISTEZA, Sá de Freitas - DESAFIO-TE, ALEGRIA, Cleide Canton , e o seu interesse de então multiplicou-se agora por vinte.

Não temos pois condições para proceder à publicação desta Ciranda nas nossas páginas dada a sua extensão pelo que remetemos os nossos amigos leitores para o nosso anexo, ao qual podem aceder carregando no link que será fornecido no final.

Entretanto publicamos o texto de Sá de Freitas com referência aos restantes participantes na citada Ciranda.

Sinto-me feliz e lisonjeado por ter sido acompanhado nessa Ciranda, por ilustres nomes da Literatura. Obrigado a todos e à todas que me concederam essa grande honra.
Obrigado Carmo Vasconcelos por tão bem elaborado trabalho.
Meus abraços a todos, com agradecimento também aos que nos honrarem com a sua atenção na leitura da mesma.

Abraços

PARTICIPANTES:

Sá de Freitas, Cleide Canton, Carmo Vasconcelos, Humberto Neto, Eugénio de Sá, Maria Luiza Bonini, António Zumaia, Efigênia Coutinho, Jorge Linhaça, Adélia Mateus, Nídia Vargas Potsch, Lígia Tomarchio, Humberto Soares Santa, Cônsoli, Lauro Kisielewicz, Naida Terra, António Cícero da Silva, Roze alves, Susana Mendes, Luíza Benício, Luiz Poeta.

(Veja aqui a Ciranda de Sá de Freitas e outros)


EU NEM SONHAVA

Sá de Freitas

Naquele dia em que te vi passando,
Tão bem vestida, no jardim da igreja,
Quando eu tomava um copo de cerveja,
No bar da esquina, o meu violão tocando.

Jamais pensei que um dia eu fosse ver-te,
Fazendo parte ativa dos meus dias,
A inspirar as mais lindas poesias,
Que o teu carinho leva-me a escrever-te.

Isso porque diante da grandeza,
Do teu porte garboso, da beleza
E até mesmo da tua burguesia...

Jamais supus que, um dia, de repente,
Ias te apaixonar perdidamente,
Por quem toca violão e faz poesia.


EM NOSSA ESTRADA

Sá de Freitas

Há dias que em nossa caminhada,
Só encontramos pedras, seixos, espinhos,
Justo quando sentimos-nos sozinhos,
Mesmo com tanta gente em nossa estrada.

Nenhuma voz amiga é escutada...
Somente vemos corações mesquinhos,
E mesmo até olhares escarninhos,
De muitos companheiros de jornada.

E grande é a dor que invade a nossa alma,
Pois tanta ingratidão nos tira a calma
E a um humano trapo nos reduz.

Mas quando nem estamos esperando,
Bem lá do Firmamento vem chegando
O socorro Divino de Jesus.

 

Soneto da Desilusão

Por Antônio Carlos Affonso dos Santos - ACAS

Pululam poetas
contistas
e cronistas
A indiferença comeu todos

Alardeiam os trovadores
Contando suas dores
Falando de amores
A indiferença comeu todos

Secam os rios
Envenenam os ares
A fome matando

Choram os pobres
Poderosos chorando
-A indiferença nos come a todos!