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Pagª 8 - EDIÇAO NºXXIII, Iº NUMERO  DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   


O café de Jacu já tem reconhecimento Internacional?

Atualmente, o Jacu Bird Coffee ferve nas cafeterias gourmet de Tóquio, Nova York e Paris. O Café Jacu, sucesso comercial no exterior, tem ajudado a impulsionar as vendas do café orgânico Camocim, com certificações de instituições nacional e internacional. Iniciada de forma experimental, a produção do novo café passou a ser planejada no ano seguinte, tendo em vista o mercado internacional, no qual o Sr. Sloper encontra comprador certo, disposto a pagar «ouro» por lotes pequenos (pacotes de 5 kg ) e não por sacas do Café Jacu, ou melhor, do «Jacu Bird Coffee».


Esta é a embalagem de um dos produtores brasileiros do «café de jacu», mote deste artigo.

No caso do jacu, praticamente toda a produção (95%) vai para o mercado externo (Tóquio, Londres e Costa Oeste dos Estados Unidos -principalmente a Costa Oeste; Inglaterra, Alemanha e França. Apenas 5% é vendida no Brasil, principalmente nas capitais.

E o café do civeta?

No povoado de Sumatra, na Indonésia, onde os grãos são cultivados existem os «gatos de algalha», uma espécie de gato selvagem, muito parecidos com o nosso gambá. Algumas literaturas, as quais eu acho que estão mais corretas, dizem tratar-se do «civeta», um mamífero, da família das doninhas. Esses civetas comem os grãos, os ingerem e depois os defecam. Os aldeões coletam e processam as fezes. «É a combinação de grãos e sucos gástricos destes civetas que dá ao Kopi Luwak o sabor e aroma que são únicos».

Este é o CIVETA, originário da Asia, uma espécie de gato do mato, ou gato de algalha, ou gambá, ou doninha: ou então o pequeno mamífero que faz a riqueza de muitos indonésios.

Esta é a embalagem de um dos produtores indonésios do «'Kopi Luwac», o café mais caro do mundo.

Opinião de quem entende muito de café

Na opinião do sommelier Ariel Pérez, da Casa do Porto, o Café Jacu é uma recompensa da natureza às pessoas que vivem em harmonia com o meio ambiente, respeitando a biodiversidade do planeta. Para ele, Henrique Sloper é um assistente da natureza e os jacus, uma dádiva.

Afinal, o tal café que vem nas fezes do jacu é bom? '«Muito bom. Harmonioso, equilibrado e tem uma acidez desejada. Deixa um sabor residual muito agradável na boca. Lembra fruto maduro, adocicado. Está vendo esse creme que fica na xícara depois que acaba? É sinal de qualidade. Enfim, é um café maravilhoso, para degustar como se estivesse tomando uma raridade»', descreve Marcos Aurélio Bacceti, produtor, corretor e degustador de café para fins comerciais e de pesquisa. Ele já havia experimentado a bebida em São Paulo.

A bioquímica Maria Brígida Scholz, pesquisadora de café do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), tomou o café-jacu pela primeira vez e também aprovou. '«Esperava que fosse um bom café. E realmente é. Muito doce, com acidez aceitável, bem agradável. O ponto de torra é suave, muito aromático»', afirma ela, que também é degustadora oficial de café. Segundo Brígida, trata-se de um café super selecionado, já que o jacu escolheu no cafeeiro os frutos bons e bem maduros. ''O pássaro é atraído pelo doce do café'».

De início, fez-se muita piada com a notícia do Café de Jacu

• A notícia correu logo na Cooperativa de Venda Nova (ES):
- O Henrique, da Camocim, está fazendo um café que passa por dentro do jacu, antes de ser levado pro terreiro.
- Como assim? Como passa por dentro do jacu?
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• -«O que você está pegando no chão»?, pergunta o repórter.
-Eu estou pegando o café do jacu!
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-«E depois de beneficiado, o jacu coffee fica diferente?», pergunta o repórter.
«Ele fica com o mesmo aspecto, como se fosse um café convencional comum», diz.
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- Vixe, cara! E quem é que tem coragem de tomar esse café?
- Quem toma? Não há o que chegue... E nem tem preço fixo. Assim que o Sr Sloper estoca uma partida, ele faz um leilão pela internet e só vende se chegar no preço que ele quiser.
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Parecer de um Pesquisador

-Você tomaria uma bebida feita com fezes de animal? Antes de responder, saiba que é esse o ingrediente especial do café mais raro, saboroso e caro do mundo, o Kopi Luwak, originário da Indonésia. Essa, digamos, excentricidade do café sempre foi considerada uma lenda urbana, até que um estudo realizado pelo pesquisador italiano Massimo Marcone, em 2004, confirmou o que deve ter feito o estômago de muitos apreciadores da iguaria revirar.

Os preciosos grãos são mesmo processados pelo sistema gastrointestinal e depois retirados dos excrementos da civeta, um mamífero parecido com um gato, que não existe no Brasil (na Indonésia, as palavras Kopi e Luwak significam, respectivamente, café e civeta). O animal come somente os frutos mais doces, maduros e avermelhados do café, que são digeridos pelo seu organismo, com exceção dos grãos, que são excretados junto com suas fezes.

E é justamente essa produção limitada dos grãos (menos de 230 quilos por ano) o motivo de sua raridade, preço alto (cerca de mil dólares o quilo) e sabor inigualável, garantem os apreciadores. «Uma mistura de chocolate e suco de uva. Menos ácido e amargo do que os cafés comuns», descreve Marcone.

Pesquisa valiosa

 Massimo Marcone com os grãos de Kopi Luwak

 

 

Enzimas, bactérias e fezes

O pesquisador explica que à medida que o grão passa pelo sistema digestivo do animal, ele sofre um processo de modificação parecido com o utilizado pela indústria cafeeira para remover a polpa do grão de café, mas que envolve bactérias diferentes das usadas pela indústria, além das enzimas digestivas do animal.

É isso que dá ao Kopi Luwak seu sabor característico inigualável. Mas esse processo um tanto quanto esquisito de produzir café não representa riscos à saúde? «Os resultados dos testes que fiz em meus trabalhos mostraram que a bebida é perfeitamente segura», garante Marcone.

É nessas ilhas que vivem as civetas, que começaram a se alimentar da planta. Para evitar o desperdício, os plantadores de café começaram a coletar os grãos que saíam intactos das fezes dos animais. Em algum momento alguém resolveu experimentar essa variedade aparentemente pouco apetitosa e descobriu o que hoje é considerado o café mais saboroso do mundo.

Dados Económicos

Segundo o senhor Sloper, dono da fazenda Camocim em entrevista ao repórter José Hamilton, a diferença básica da produção do café do jacu e do café do civeta é o processo digestivo do animal, O café do civeta, como é digerido por animal parecido com um de gato ou gambá, portanto um mamífero tem a digestão mais lenta, portanto sua capacidade de produção é menor.

Já «o café de jacu, por ser uma ave e por ter a digestão muito mais rápida, produz mais quantidade de café em menor tempo», explica o dono. Unindo essa resposta com um pouco mais de lógica eu, ACAS, deduzo que o tempo maior sujeito às enzimas podem dar maior qualidade e sabor ao café, de um em relação ao outro. Daí, a diferença nos preços, mesmo sabendo que os brasileiros empenhados nesse mister ainda estão no começo do processo e ainda podem incorporar pesquisas neste campo, que considero promissor, sob todos os aspectos.

Em algumas cafeterias de São Paulo (SP), como o «Suplicy Cafés Especiais», onde podemos encontrar esses cafés especiais, o Kopi Luwac custa R$ 25,00 a xícara enquanto o café de Jacu custa R$ 10,00 ; exatamente o mesmo preço que é cobrado em Londrina (PR ). Estes cafés e, especialmente o café de jacu, podem também ser encontrados nas lojas Casa do Porto (Vitória e Vila Velha (ES), Belo Horizonte(MG) e São Paulo(SP), no Suplicy Cafés Especiais em São Paulo e ainda no Santo Grão, em algumas capitais.

Os preços pesquisados por mim mostrados abaixo, levam em consideração pesquisas locais que fiz e informações de artigos já publicados a respeito. Pode haver variações, conforme a região seja por locais de venda mais sofisticados, seja pela distância dos produtores e o cliente final.

Enquanto os cafés Kopi Luwak (da Sumatra- Indonésia) custa cerca de US$ 1000 (ou R$ 2.000,00) o kilogramo, nosso café do Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo, (torrado e moído) do tipo «Blend» (formado por «conilon e robusta», principalmente, mais palha de café, chicória ou milho torrado) custam em média cerca de R$ 8,00 (ou US$ 4.00) o kg e os cafés tipo Gourmet, formado por arábico ou bourbon, catado no chão – «derriça») atingem R$ 15,00 (ou US$ 7.50), ou bourbon catado no pano, o «café orgânico» (Cerrado Mineiro; Sul de Minas; Aralto ou Mogiana), todos eles de Minas Gerais, com exceção do Mogiana, de São Paulo –provavelmente de Cravinhos, minha terra natal), atingem o valor de R$ 51,00 (ou US$ 25.50) cada kg.

Já o café de Jacu já foi negociado a R$ 400,00 o kg (ou US$ 200), o que já nos parece como algo promissor, enquanto não se consegue uma produção maior, pois como afirmou o principal produtor deste tipo de café, «...não existe um preço definido para o café de jacu»!.

Onde tomar o café de jacu no Brasil

Casa do Porto - Em Belo Horizonte(MG), São Paulo(SP), Vitória e Vila Velha(ES).
Suplicy Cafés Especiais - Em São Paulo ( SP).
O Armazém – Em Londrina (PR )
Santo Grão – várias capitais.

Constatação e Conclusão

O café-jacu, ou «jacu bird coffee», está chegando a todos os lugares do Brasil, onde quer que se tenha mercado comprador. O produto, que vem do Espírito Santo e está ganhando o mundo. Nas cidades, o café só é servido na forma de espresso por máquinas.

Eu, ACAS, não tive nenhuma notícia de que alguém o tenha provado, coando-o pelo processo usual em todo o Brasil : passados por coador. Admito, no entanto, que deva ser tão bom quanto na forma de espresso. Aliás, para mim, este fato é importante, pois a lenda do café, conta que o árabe que bebeu café pela primeira vez afirmara que quis tomar o café porque havia notado que suas cabras ficavam mais ativas, eufóricas e saltitantes cada vez que comiam grãos de café maduros.

Já os jacus se mantém calmos – e isso foi registrado em filme; talvez em breve possamos também processar o «café de cabrito», exportando todas as bolinhas recheadas de café´: o quê os leitores acham?

 

 

O Café do Jacu

Por Antônio Carlos Affonso dos Santos ACAS

Algumas das informações e imagens aqui passadas, foram extraídas de textos dos seguintes jornalistas/fotógrafos: José Hamil-ton Ribeiro, (São Paulo-SP)/ Jorge dos Santos, Patrícia Lapertosa (Belo Horizonte-MG) /Magno Nunes. Muitos outros artigos de outros jornalistas foram lidos, porém pouco ou nada de novo adicionaram a este texto.

Eu nasci e me criei numa fazenda de café, em Cravinhos (SP) , região de Ribeirão Preto, à época alcunhada de «A Capital do Café».

Pois é, leitores, a região de Ribeirão Preto já foi a maior produtora de cafés do mundo! No final da década de 50 e início da década de 60, houve a infestação de uma praga nos cafeeiros, chamada de «ferrugem», que se dizia de origem africana.

O vírus, por assim dizer, se instalava nas raízes dos cafeeiros e ia comendo a planta por dentro: primeiro as raízes, depois o tronco e por último os galhos e ramos novos.

Tentou-se de tudo para combatê-lo, (sulfeto de cobre entre outros), porém a ciência foi vencida naquela oportunidade. A meu ver, faltou experiência dos governantes e vontade política de gastar algum dinheiro com a importação de cientistas e execução de pesquisas dentro e fora do país, para conhecer melhor e combater a praga que nos assolava.

A única solução encontrada foi a mais drástica possível: a erradicação dos cafeeiros, todos. Arrancados os cafeeiros, ainda tinham que queimá-los, pois os «vírus» sobreviveriam de outra maneira, ocultando-se no solo de massapé roxo e nobre da região, oriundo de aluvião vulcânico; certamente dos solos mais férteis do Brasil.

Dessa maneira, muitos fazendeiros perderam as rédeas de comando, pois não sabiam dirigir outro tipo de cultura. Hoje, a região é considerada a mais promissora do Brasil, tendo ali surgido burgos agrícolas muito ricos, pois são os maiores produtores do mundo de etanol, originário da cana-de-açúcar, além de produzir muito açúcar e suco de laranja, que abastecem a maioria dos países do hemisfério norte, incluindo-se aí os Estados Unidos da América, que é o maior rival nessa competição quanto ao suco de laranja, porém os EUA vivem às voltas com as nevascas, que frequentemente dilaceram com a sua produção, ao passo que no Brasil este fenômeno não existe; aqui é sempre primavera e verão na maior parte do país, o ano inteiro.

Na região entre São Paulo e Paraná, sudeste do Brasil, temos com certa freqüência a precipitação de geadas, especialmente entre os meses de junho e agosto que, se não é época da floração dos cafeeiros, é quando as gemas das flores se formam nos ramos; com isso a quantidade de frutos é menor, pois muitas dessas «gemas» não vingam.

As geadas «queimam» as copas dos cafeeiros, o que faz com que os novos ramos, os «brotos» não vinguem também e com isso a quantidade de frutos diminui, além de afetar os tamanhos dos grãos e etc.

Com a «desistência forçada, devida à erradicação pelos motivos alavancados acima,» o estado de São Paulo perdeu a hegemonia, assim como o estado do Paraná (região de Londrina), pois além da «ferrugem», havia o problema das geadas, fenômeno natural e impossível de demovê-la dos efeitos nefastos à cafeicultura, estes dois estados foram perdendo espaço na produção de café para os estados que estavam pouco mais ao norte, fora da «zona temperada», onde a praga da ferrugem não havia chegado e onde, por ser montanhoso, não havia a ocorrência de geadas; os estados de Minas Gerais e Espírito Santo passaram então a ser os maiores produtores de café do Brasil.

Mesmo o Brasil tendo perdido a hegemonia para a Colômbia aqui no continente americano, ainda se produz muito. Eu conheço como se planta um cafeeiro em viveiro, como se espera o tamanho ideal da «muda» para transplantá-la para a cova definitiva, como fazer o transplante, como cultivá-lo e protegê-lo, como colhê-lo, os métodos de secagem até atingirem o ponto certo para o beneficiamento, a estocagem, como torrá-lo e sem dúvidas, gosto de saboreá-lo, principalmente.

Com a globalização, surgiram possibilidades de mercado para novos e sofisticados produtos, para uma clientela cada vez mais exigente: os cafés orgânicos e os do tipo «gourmet».

E gostando de tomar um café delicioso, acabei por tomar conhecimento da existência de um tipo de café que julgava que não existia e que jamais iria existir: o «café de Jacu»; tema central deste artigo.

Este é o jacu, pássaro que habita nossas matas atlânticas. Tem o ar elegante de um pavão, jeito de peru selvagem e protagonista deste artigo.

Há aproximadamente dois anos, foi anunciada a existência de um café para lá de especial, em um filme produzido em Hollywood, pleno de sofisticação e riqueza, onde um dos protagonistas, Jack Nicholson, dentre outras excentricidades, adorava tomar um café provindo da Sumatra, na Indonésia e que antes da torrefação, teria sido comido por um pequeno animal mamífero e natural daquelas terras, o «civeta» e que depois de defecado pelo animal era então recolhido e processado.

Tal café tinha qualidades únicas e valia todo o dinheiro possível para comprá-lo e saboreá-lo. É o «Kopi Luwac Coffee», o café mais raro e caro do mundo. Este personagem tinha até uma cafeteira especial, na qual só era preparado esse café especialíssimo. O outro personagem e protagonista, vivido pelo Morgam Freeman, era ao contrário, um homem de hábitos simples e vida modesta.

O mote do filme é sobre a avaliação de toda uma vida e o comportamento humano, sob a ótica de duas pessoas diametralmente diferentes. O filme, que foi intitulado no Brasil de «Antes de Partir», cujo título em Inglês é «The Bucket List», mostrava este comportamento aparentemente antagônico entre os personagens desses dois astros de cinema.

Nesse filme, foi mencionado pela primeira vez este tipo de café e o processo, no mínimo curioso de parte de seu processo preparo ter incorporado a «maturação no estômago de um animal». Há de se observar que tal «café especial» já era produzido antes do filme, por pelo menos uns quatro anos.

Em agosto de 2008 começou-se a comercializar o café de jacu, que é a versão brasileira do café mais caro do mundo - o Kopi Luwak. O café Kopi Luwak e o animal envolvido é o civeta. O café que ele come acaba saindo no estrume.

Na Indonésia, um gambá ou gato selvagem; no Brasil, uma ave, o jacu. O jacu (nome popular da espécie «Penelope purpurascens» da espécie «Gracideae», nativa da Mata Atlântica), alimenta-se de folhas e frutos; incluindo o café.

Na cafeicultura brasileira, hoje, a maior novidade - ou a mais extravagante - vem do Espírito Santo, esse estado campeão do café, com a referência básica do conilon e, cada vez mais, também dos cafés especiais, ou «cafés gourmê»; desses que se vende mais por quilo do que por saca e que, no começo, eram assunto só de São Paulo e Minas, produtores tradicionais.

O jacu, como partícipe do novíssimo processo de café «gourmet», foi descoberto por Henrique Sloper, proprietário da Fazenda Camocim, situada no distrito de Domingos Martins, no Espírito Santo, região de colonização alemã.

A Fazenda Camocim, com cerca de 300 hectares de café e eucalipto, com boa parte da área ainda mato, foi a pioneira na produção do «café de jacu». Toda a produção no local é de café arábico orgânico. O jeito de colher café da fazenda é diferente do convencional por duas coisas:

-Primeiro o café não vai ao chão, ele é colhido em cima de um pano (por Deus, eu ACAS, fiz isso muitas e muitas vezes), daí vai direto para a peneira e só se colhe o grão cereja (maduro), ou o seco; o café verde fica no pé, para a colheita da “soca�(à posteriori).

-A outra diferença, é que chega uma hora que o colhedor deposita a peneira debaixo do pé de café, abandona os panos e a sacaria e sai pelas «ruas» do cafezal, caçando, campeando, olhando; procurando um outro tipo de grão de café. O grão de café que o jacu comeu ainda ontem.

A fazenda Camocim fica no alto da montanha. Em ambos, a circunstância de serem regiões do Espírito Santo e produtoras de café de montanha, um dos pressupostos (a altitude) da qualidade do café daquela região.

Em 21 de setembro de 2008, a reportagem da TV Globo encarregou o jornalista laureado, José Hamilton Ribeiro, paulista de Santa Rosa de Viterbo e o câmera Jorge de Souza para filmar o jacu pra o programa «Globo Rural». A tarefa deles era mostrar que os jacus comem café e ainda fazem todo o resto do serviço.

O «Globo rural» mostrou: os jacus estavam por toda a parte, em volta das árvores, fazendo uma zoada lá dentro da mata. Um deles se coça, outro jacu, pousado na palmeira fica espiando... .Para demonstrar mais facilmente ao jornalismo da TV Globo, o próprio administrador da fazenda colocou no viveiro, galhos e mais galhos do cafeeiro com os frutos maduros. E os jacus comeram mesmo, com gosto e apetite, segundo o José Hamilton.

-Em cerca de quinze minutos, cada jacu foi aos galhos, pelo menos quinze vezes, disse ele.

O jacu engole o grão de café maduro, para aproveitar a polpa e o mel; o grão de café em coco tem mesmo que sair e só pode ser mesmo na forma de pé de moleque que a gente viu na lavoura, cada coco de café grudado a outro, através da resina das próprias feses da ave.

Henrique Sloper de Araújo é formado em comércio exterior nos Estados Unidos, e dono da fazenda Camocim, e afirma ao repórter José Hamilton:

- Em 2006, parte da plantação foi invadida por jacus — aves de porte grande, que se alimentam de frutos e habitam florestas tropicais. Embora bem-vindas, pois a fazenda desenvolve a agricultura orgânica, a partir de princípios biodinâmicos de manejo da terra e cultivo do café, a quantidade de aves impediu a colheita num pequeno vale da fazenda.

Segundo o que o Sr. Sloper relatou ao José Hamilton, «...os jacus vinham de manhã cedo, durante a madrugada, para comer café. Não dava para colher o café com cerca de quarenta, cinquenta jacus em cada pé de café...». Ocorreu ainda e para piorar, que os jacus começaram a migrar das matas, invadindo os cafezais, com o propósito de comerem café: então começou a dar prejuízo.

Os fazendeiros pediram autorização ao IBAMA (Instituto Brasileiro de Apoio ao Meio Ambiente), para matar esses jacus. O IBAMA não respondeu de imediato; nesse ínterim, o Sr. Sloper buscou ajuda de vários especialistas, mas acabou encontrando sozinho, uma curiosa solução: lembrou-se do filme em que os personagens falavam a respeito do café da Sumatra. E resolveram fazer alguns testes. A resposta veio depressa e foi muito animadora. O «teste» deu certo!
 
Segundo o que repórter José Hamilton confirmou, se pegarmos as fezes do jacu na mão, podemos afirmar uma coisa: ela não tem cheiro! Os empregados da Camocim desenvolveram um procedimento para colher as fezes dos jacus. Os empregados da fazenda Camocim vão vagueando entre os pés de café da fazenda, recolhendo as fezes do jacu com uma tipóia, uma espécie de embornal.

No chão da plantação, grãos inteiros de café apareciam no estrume deixado pelas aves. Eles vão catando os pés-de-moleques (doce típico do Brasil, feito de rapadura e amendoins inteiros ou em metades) de «cocos», separando os mais «bonitos» (grãos maiores) e colocando dentro do embornal. Depois, os levam para lavar e secar no terreiro. Então, só fica faltando a operação de beneficiamento, quando ele, perdendo essa sujeira do exterior, toma o aspecto de um café comum.