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Pagª 5 - EDIÇAO NºXXIII ,Iº NUMERO  DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   



Antoine de Saint-Exupéry
O piloto poeta e o Pequeno Príncipe

Por  Arlete Deretti Fernandes

(Continuação- ver início)

«Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que a fez tão importante.»
«Se tu amas uma flor que se acha numa estrela, é doce, de noite, olhar o céu. Todas as estrelas estão floridas.»
«O amor não consiste em olhar um para o outro, mas sim em olhar juntos para a mesma direção.»
O principezinho disse à raposa: - «Se vieres, por exemplo, às quatro horas da tarde, a partir das três horas começo a ser feliz.»

«És sempre responsável por aquele com quem tens intimidade�.

Também Exupéry escreveu os seguintes livros, antes do Pequeno Príncipe:

Correio do sul-(1928)-

Ao escrevê-lo, Exupéry era piloto de linha havia dois anos. Satisfazendo o seu gosto pela aviação, ele fizera desabrochar sua vocação de escritor. Com este romance, manifestava sua experiência dos seus primeiros anos de vôo. Livro ainda inseguro, talvez por isso tão comovente. Através da imagem de Genoveva, vê-se a decepção de um primeiro amor que não foi correspondido. Através da personagem de Bernís, descobre-se a inquietação do homem que a fé solicita e que permanece incapaz de crer. «Correio do Sul», por sua nostalgia da infância, anuncia «O Pequeno Príncipe» e já esboça os temas de outros livros.

Vôo Noturno (1931)

- Um romance ainda, porém mais ágil e duro. A obra saiu perfeita desta vez. Domina-a uma personagem marcante: Rivière, que fora inspirado ao autor por Daurat, o diretor do Correio Aéreo. Os vôos noturnos constituíam naquela época uma proesa. Ora, a primeira tentativa se conclui por um fracasso e pela morte do piloto. Rivière tem terríveis lutas de consciência: «Ele tem o obscuro sentimento de um dever maior do que o de amar, ou então, reflete, trata-se ainda de uma ternura, mas tão diversa das outras...» Os vôos noturnos continuarão.
O que anima Rivière é o desejo de oferecer aos homens, para protegê-los da morte, algo que os engrandeça, que os unifique, pela exaltação lúcida de suas responsabilidades: o espírito de sacrifício. «Vôo noturno» é o eterno conflito entre a felicidade e o dever, mas Saint-Exupéry não estabelece a teoria que se deva preferir o dever à felicidade. Mostra simplesmente que não se pode deter na imagem de uma felicidade mesquinha, voltada para si mesma, que impeça as almas de subir.

Terra dos Homens (1938)

- É o livro que consagra a glória do autor. Ele deixara o correio aéreo, tornando-se piloto independente, jornalista, sempre preparando «raides». Este livro é feito de artigos e reportagens escritos durante este período, até à véspera da guerra. É o livro da amizade.
Amizade pelos seus camaradas: Saint-Exupéry soube expressar de maneira significativa o sentimento complexo de uma amizade viril, discreta, compreensiva, que desabrocha numa comunhão de alegrias, de perigos, de segredos e mistérios. Amizade por todos os homens: ele possuía um sentido muito forte de fraternidade, de solidariedade humana. Fala com inquietação dos homens falhados, que deveriam abrir-se para uma vocação mais alta e não encontraram «jardineiros» para os cultivar. Amizade entre os povos, enfim além dos nacionalismos. «Escrevi Terra dos homens com paixão, para dizer aos meus contemporâneos: sois habitantes de um mesmo planeta, passageiros de um mesmo navio!».

Piloto de guerra (1943)

Saint-Exupéry, exilado em Nova York impôs-se o dever de mostrar aos americanos que a França valia mais do que fizesse pensar sua derrota. Volta à época do entusiasmo da guerra, depois à derrocada, mostrando os homens a morrer quando tudo estava perdido. Por quê? Não por desespero, mas para oferecer um sacrifício útil. «Morre-se pela única coisa pela qual vale a pena viver». Morre-se para se preservar os valores espirituais, herança cristã.
Da mesma época é a «Carta a um refém», seu amigo Leon Werth.

Cidadela (1948)-

Saint Exupéry trabalhava neste livro durante muito tempo. Pretendia ainda gastar uns 10 anos para terminá-lo. Era como seu testamento espiritual. Foi publicado tal como se encontrava quando o autor morreu.
É um tipo de longo poema em prosa, uma seqüência de meditações entremeadas de parábolas e apólogos. O cenário do deserto e a personagem do cheique , um sábio que nos transmite sua experiência dos homens, do mundo e da arte de governar. Não deseja a felicidade de seus súditos à luz falsa da facilidade.

O escritor -

Saint-Exupéry era um escritor nato, embora jamais tenha cedido à facilidade. Era exigente em matéria de estilo. Sua linguagem era precisa, densa, rica. Ele possuía uma imaginação de poeta, linda como a criança que ele fora. De sua infância conservava ainda uma espécie de pureza. Escrevia para dizer aos homens algo que tinha no coração. Ensinava o sacrifício, a grandeza, a responsabilidade. A obra do escritor ainda é atual, e de uma riqueza imensa.

REFERÊNCIAS:
SAINT-EXUPÉRY, Antoine: O Principezinho. Publicações Europa-América, LTDA.
Portugal..
ENCICLOPÉDIA ABRIL: Editora Abril Cultural, Brasil, 1975.
SITÃ?O: www.opequenoprincipe.com

 

 

 

 

Histórias da Vida Real

 

 

Crónicas por Martim Afonso Fernandes

 

FUTEBOL NO INTERIOR DO BRASIL

Rivalidades entre os clubes de futebol dos municípios.

As cidades de Imbituba e de Laguna, 30 quilômetros distantes uma da outra, até hoje conservam as amizades entre as famílias, jovens, estudantes e desportistas. São rivais por causa das belas praias, dos portos e do esporte.

Se há tempos passados havia rivalidade entre os times Imbituba Atlético Clube e o Cerâmica Futebol Clube de Imbituba, imaginem entre o Futebol de Imbituba e o de Laguna!

Laguna tinha duas equipes: Almirante Lamego, que depois passou-se a chamar-se Flamengo e o Barriga Verde. Ambos com jogadores «prata da casa», com boas qualidades, assim como acontecia também com o Cerâmica e o Atlético de Imbituba.

Em qualquer lugar onde fosse o jogo, a torcida comparecia. De trem, caminhão ou ônibus, o negócio era participar. Uma partida pelo Campeonato da Liga de Tubarão, entre o Flamengo de Laguna e o Atlético de Imbituba, sempre era uma partida disputadíssima.

Jogo em Imbituba, segundo comentaristas das rádios, era o tal, com a torcida feminina que mais freqüentava e que mais torcia. A mulherada, além de conhecer e de entender de futebol, também sabia criticar os juízes! E os jogadores que jogavam pesado.

A equipe do Flamengo foi a Imbituba, completa. Lembro-me ainda do nome de alguns jogadores: Tironi, goleiro; Jupí Marcondes, grande amigo dos Imbitubenses ! Jairo, irmão de Jupí. Barrica, Derocí, Tira, Raimundo, Biguá, Fernando e outros.

Como é de praxe toda equipe ter um carniceiro para abrilhantar a partida, o Flamengo tinha a fera chamada Barrica. Jogador baixote, com um baita bigode, largo e longo, cútis morena que parecia bugre, cabelo preto, liso, musculoso, tinha uma canela de ferro.

Como lateral esquerdo, não interessava o adversário se era alto, magro, forte, o que quer que fosse, Barrica era aquele marcador tipo cachorro, que pegava e não largava. Dava lambada até na sombra. Se fosse hoje, com os cartões vermelhos, jogaria uma partida sim e outra não.

Como o Flamengo foi para Imbituba afim de ganhar o jogo, Barrica começou com a sessão de tourada. A torcida feminina começou a «pegar no pé» do juiz e do Barrica, mas este nunca se intimidou com torcida e nem tampouco com jogador e juiz.

Em uma das jogadas, na disputa da bola na especialidade dele, que era o «carrinho», não deu outra, ele acertou o jogador de Imbituba.

O grito de expulsa, expulsa este cavalo! Este estúpido, violento!

Barrica viu que ia expulso mesmo. Baixou o calção e apresentou tudo de sua genitália a que tinha direito, para que a mulherada visse. Com o calção baixo até aos joelhos. Dois jogadores que tinham as mulheres torcendo, aproveitaram e saíram chutando a bunda do Barrica.

Foi suficiente para as mulheres entrarem em campo e dar de sombrinha na cabeça e no corpo dele. Para a própria sorte, Barrica corria bem, e foi logo para o lado da torcida. Levou alguns «cascudos», mas deixou a lembrança para os admiradores de futebol.

Quando jogava Flamengo e Atlético em Imbituba, Barrica era avisado:
- Se mostrares de novo, vais ser capado!!!
Era papo para muita gozação!!!!

O pior foram os comentários que surgiram depois:
- «A mulherada que invadiu o campo para bater no Barrica, não era bem isto que queria! Estava a fim de ver se o espantalho que viram balançando era prótese ou era natural»!!!

 

A luz do sol me ilumina

Arlete Piedade

A luz do sol me aquece e me ilumina
a amizade que vem do sideral espaço
e a ternura da tua poesia de menina
então já me chega o carinhoso laço!

Com afecto me sustento e assim faço,
a poesia que me habita de pequenina,
a amizade que vem do sideral espaço,
a luz do sol me aquece e me ilumina!

Assim me nutro de poemas que traço,
e amor que nas estrelas determina,
destino que no coração, entrelaço
e sonhos que fértil mente, imagina!
A luz do sol me aquece e me ilumina!

Dedicado a Denise Severgnini, amiga querida