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Pagª 21 - EDIÇAO NºXXVII , Vº NUMERO DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes.
O PARNASIANISMO DE FLORBELA ESPANCA
(Continuação - ver Início)
De acordo com tais cânones, Bilac tornou-se o cinzelador dos sonetos talvez mais
perfeitos da língua, na tradição de Bocage, com decassílabos rigorosos, imagens
sóbrias, riqueza métrica, de suma elegância e sonoridade, que conquistam o
leitor sobretudo por se aliarem a um sensualismo ardente, óbvia impregnação das
teorias realistas.
Olavo Bilac
Língua Portuguesa
Ultima flor do Lácio, inculta e bela,
Es, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela... (...)
Este poema de Olavo Bilac poderia muito bem ser emparelhado a alguns de Bocage,
pelo que achamos útil fazer aqui algumas referências a Manuel Maria Barbosa Du
Bocage, socorrendo-nos em primeira fonte de António José Saraiva e Oscar Lopes:
«(…) A arte versificatória (de Bocage) sobretudo o soneto, tem tido muitos
admiradores, entre os quais se destaca o parnasiano brasileiro Olavo Bilac. (…)
O que o distingue melhor é a matéria psicológica que traz pela primeira vez à
poesia portuguesa: o sentimento agudo da personalidade, o horror do
aniquilamento na morte. (…)»
De reparar aqui, a este tema voltaremos as vezes que tal se torne necessário,
que existe já neste iniciar de corrente psicológica, uma negação ainda que ténue
do regresso à terra (feitura em pó difundido pela religião) e a referência a um
desejo de imortalidade, que atravessa todos os séculos mas que aqui se reveste
de características muito específicas.
Não se aceita a ressurreição pura e simples do cristianismo imperante, mas sim
uma continuidade imediata da vida ainda que sob forma não física.
O medo da
morte só existe se ela não representar algo que continua de forma imediata para
além dela, ou seja, um renascimento ainda que o processo implique uma redução
transitória ao nada. E esta problemática encontra-se expressa um pouco em toda a
escrita de Florbela Espanca ( especialmente nas suas referências à Fénix ).
Continuando com Bocage…«(…)Tal egotismo percebe-se ainda na maneira abstracta e
retórica com que, em nome da Razão, se revolta contra a humilhação da
dependência e contra o despotismo; no gosto do fúnebre e do nocturno, e nos
clamores não menos retóricos de ciúme, de blasfémia ou contrição…) Esse gosto
tão romântico do funéreo e tenebroso percorre grande parte da poesia de Bocage.(…)
Não se sabe em que medida isto é simples saborear de uma estética (dantesca, shakespeariana, e, então, romântica) do locus horrendus que vira do avesso o locus amoenos do pastoralismo clássico; em que medida o poeta é efectivamente presa de uma obsessão irracional incontrolável, uma espécie de pavor sagrado à procura de imagens; ou em que medida isso traduz uma ânsia, ao mesmo tempo inextinguível e medrosa, de abarcar numa consciência humana todos os medos e dores que ela, espontaneamente, evita, que ela mal enfrenta sem se desagregar. (…)
O egocentrismo de Bocage, manifestado em constantes vocativos a Elmano, ao
Desgraçado, em constantes pronomes na primeira pessoa, na sua confiança em
renome póstumo, no próprio auto-retrato do famoso soneto «magro, de olhos
azuis, carão moreno» e de outras poesias (…)»
Fazemos aqui referência a um aspecto igualmente recorrente numa parte substancial
dos poetas e autores desta corrente psicológica: O renome póstumo.
Este aparece
talvez como a última forma possível de continuidade para além da morte, mas
seria demasiado fácil aceitar-se que o objectivo profundo de tal reclamação seja
exclusivamente ou só isso mesmo.
Vendo o Diário de Florbela do dia 24 de Janeiro de 1930 encontramos esta
referência:
«(…)O Diário de Maria Bashkirtseff é qualquer coisa de profundamente triste, de
tragicamente humano. Só não compreendo naquela grande alma o medo da morte. O
espectro da morte, a ideia da morte, apavora-a, espanta-a, indigna-a. É a sua
única fraqueza :«Il faudra donc mourir, misérable. Mourir ? J’en ai très peur…Et
je ne veut pas…Je veux vivre, moi, quand même et malgré tout…Mon corps pleure et
crie mais quelquer chose qui est au-dessus de moi, se réjouit de vivre, quand
même… »
Mas que imensa alma ! Queria o amor, queria a glória, o poder, a riqueza, queria
a felicidade, queria tudo. E morreu com pouco mais de vinte anos, gritando até
ao fim que não queria morrer.
Como não compreendeu ela que o único remate possível à cúpula do seu maravilhoso
palácio de quimeras, de ambições, de amor, de glória, poderia apenas ser
realizado por essas linhas serenas, puríssimas, indecifráveis, que só a morte
sabe esculpir?
Os seus vinte anos não chegaram a compreender o alto e supremo símbolo das mãos
que se cruzam, vazias dessa maré de sonhos que a vida, amargo fluxo e refluxo,
leva e traz constantemente.
Princezinha exilada, porque não soubeste tu murmurar, encolhendo os ombros, o
teu doce e sereno «nitechevo» de eslava?"(…)»
Contudo, o que se assiste aqui é a uma interpretação (provavelmente motivada por
edições pouco fiéis do Diário de Maria Bashkirtseff que só nos anos 60 deste
século passado foram devidamente depuradas) que realçam a chamada fase da recusa da
mesma artista confrontada com a tuberculose incurável na época, desvanecida esta
ideia por afirmações posteriores da mesma onde se nota, não propriamente um
elogio da morte (ou do estado de morte) como o faz Florbela, mas sim a uma
aceitação da inevitabilidade e o desejo de ficar conhecida (para além da morte)
quanto mais não seja através das afirmações contidas no seu diário.
De qualquer
forma não deixa de ser sintomático que a observações de Florbela se debrucem
preferencialmente (com edição menos clara ou não dos Diários de Maria Bashkirtseff) sobre este plano que lhe é tão caro, a morte familiar, a morte
familiarizada, a morte companheira.
«(…) Em Agosto de 1928, cerca de um ano depois da morte do irmão, Florbela
Espanca tenta suicidar-se. Segue-se uma segunda tentativa de suicídio em
Novembro de 1930. No dia 8 de Dezembro desse mesmo ano, no dia do seu
aniversário (já o seu casamento se havia realizado nesse mesmo dia) foi
encontrada morta num quarto em Matosinhos.
Debaixo do colchão foram encontrados
dois frascos de Veranol, ou seja do farmáco que tomava para conseguir dormir
(…)».
Florbela fez assim duas tentativas conhecidas de suicídio e acabou por falecer
cerca de um mês depois da sua segunda tentativa de suicídio. Nos tempos modernos
a ideação suicida e a patologia que lhe estava agregada teria sido detectada por
qualquer médico ou psiquiatra.
Contudo também para Maria Bashkirtseff a morte não será nunca o nada…poderá sim
ser o pouco uma vez que ela nunca saberá que foi precisamente a publicação do
seu diário que a tornou conhecida muito para além da sua obra como artista.
(…)«Je meurs, c'est logique, mais horrible. Il y a tant de choses intéressantes
dans la vie!»
«À quoi bon mentir ou poser? C'est évident que j'ai le désir sinon l'espoir de
rester sur cette terre par quelque moyen que ce soit. Si je ne meurs pas jeune,
j'espère rester une grande artiste, mais si je meurs jeune, je vais permettre de
publier mon Journal qui ne peut être moins qu'intéressant». (…) In Diário de
Maria Bashkirtseff .
Contudo, e regressando a Olavo Bilac, o espírito e o cuidado da poética que
fundamenta o espírito e a prática do parnasianismo são declaradamente expressos
neste clássico a que sugestivamente é dado o nome de Profissão de Fé:
Profissão de Fé
Le poète est ciseleur,
Le ciseleur est poète.
Victor Hugo.
Não quero o Zeus Capitolino
Hercúleo e belo,
Talhar no mármore divino
Com o camartelo.
Que outro – não eu! - a pedra corte
Para, brutal,
Erguer de Atene o altivo porte
Descomunal. (...)
Ora, o parnasianismo, com o seu cinzelado formal e aparecendo como reacção ao
romantismo é, desde logo, uma estética de elite para elites, donde se destaca
desde logo também da poética de Bocage acusada, apesar do seu hermetismo formal
e temático, de se afastar o suficiente do elitismo formal ( caindo por vezes na
rua, que é, nesta época, o Romantismo ).
Florbela Espanca, não tão aprimorada como Bilac é, de facto uma cultora da
forma. Urbano Tavares Rodrigues aponta-lhe algumas rimas forçadas...mas os seus
versos, por exemplo, são todos decassilábicos o que não quer dizer muito mas
serve como exemplo da existência de algum rigor formal na sua escrita e serve
mesmo de informação sobre o facto de Florbela não sofrer de uma Depressão
bipolar ( vulgo maníaca - depressiva ). O rigor da forma é incompatível com esta
patologia...
Aliás, Nuno Júdice, referindo-se a este facto, ao formalismo Florbeliano, diz: «
Florbela adopta um modo de expressão, o soneto decassilábico, consagrado por um
uso que vai de Camões até Antero de Quental – o que torna tanto mais excepcional
o seu caso, uma vez que ela consegue, de facto, revitalizar esse género
poético.»(…)
Contudo, torna-se para mim evidente que Florbela sendo Parnasiana pela forma, nada ou muito pouco tem de facto com a envolvência psicológica dos parnasianos.
Gosto de pensar no esoterismo como uma forma muito própria de
conhecimento e de interpretação especial do mundo e da vida. Inerente a
uma interiorização «alma e espírito unos», o auto-conhecimento passa
talvez a ser o salto mais profundo nas entranhas do «Eu» de cada um.
Também, um eficaz meio na integração do dia-a-dia adequa a cultura de
cada um e da sociedade em que se está inserido. O contexto pretende
enriquecer-nos, sendo a maior «riqueza» que ser pode ter para um
desenvolvimento sereno e harmonioso.
Mesmo em casos de confusão, a criatividade de cada um evolui sempre.
Afinal, a mente sempre consegue «uma boa história criar»! E isso, por si
só, já pode ser considerado uma «boa consequência» do desenvolvimento da
espiritualidade!
E depois…toda a história tem um fundo de verdade… Por outro lado,
durante a prática meditativa, a pessoa deve tentar perceber se está ou
não a tentar convencer-se a si mesma. Quando a emoção e a sensação
estiverem em sintonia, então a probabilidade de estarmos certos é
elevada.
A Distância entre nós
Sandra Fayad
Há uma distância entre tu e eu
Cláustros de silêncios
Maria Petronilho
há claustros nas minha horas
O DIA INTERNACIONAL CONTRA A DROGA
Por João Furtado
Olhar a volta e ver a nossa juventude…
VER E SENTIR
Cristina Maia Caetano
(XXVII)
Para tal, é preciso dedicação para trabalhar a espiritualidade
esotérica. Ser estudioso deste campo, praticar, ser corajoso e ter
respeito não só por estes temas como também por si mesmo, são factores
essenciais para aquisição dos meandros de um mundo verdadeiramente
esotérico.
Mas… é claro que devemos estar vigilantes! É claro, que devemos aprender
a distinguir o real da fantasia e da história irreal! Mas também é claro
que é necessário termos em conta o outro lado da razão, «o reverso da
medalha»!
Assim é pois, óbvio, a aceitação de algumas ligações entre certas
práticas esotéricas e o bem-estar psíquico e físico. Assim é pois,
óbvio, que a meditação é neste campo, o exemplo mais paradigmático.
Assim é pois, óbvio, que o homem tem necessidade de se transcender e de
ser mais e melhor. Assim é pois, óbvio, que meditar é uma possível
resposta para tudo aquilo que os sentidos apuram, … para tudo aquilo que
a tecnologia não demonstra nem responde, … para tudo aquilo que
verdadeiramente deve dar sentido à vida … para tudo aquilo que nos
desperta, segue as vicissitude da vida e as mudanças com impacto
emocional… para tudo aquilo que consta de um programa interno, registado
e processado nas células da nossa mente, do nosso coração, da nossa alma
e do nosso espírito!...
Lembrem-se pois, de pensarem carinhosamente no assunto e com a certeza
que o melhor é mesmo não se fazerem julgamentos...

Que não se mede em quilômetros
Ou horas que o carro percorreu.
Tão pouco é medida em centímetros
Ou segundos que o atleta venceu.
Entre nós a distância é de valores
Limitada por barreiras invisíveis.
Tem diferentes formas de amores
Palavras há tempos inconcebíveis
Com sons ruidosos e novas cores.
Para ti distante é o tempo futuro.
Meu presente faz parte do passado.
Entre ambos ergueste um muro,
E segues apenas de um lado
Mais veloz, porém menos seguro.
Nos auto-serviços vais com afã.
Queres bigs, fanta MAIS quarteirões.
Tua linguagem me parece anã,
Mas sigo à risca tuas orientações
E da janela caem tortas de maçã.
Ainda com o carro em movimento
Desembrulhas tudo com facilidade.
Abocanhas pão sovado, regas condimento,
Enquanto percorremos a cidade,
Comes fritas e refri vais sorvendo.
Fascinada com tudo na verdade,
Percebo como é difícil alcançar-te,
Mas mantenho a pose típica da minha idade
E decido ainda aconselhar-te:
-Coma devagar, para melhor digestibilidade.
(Diplomada pela classificação com louvores, na Categoria «Consagrados»,
na III Olimpíada Cultural -500 anos da Língua Portuguesa no Brasil, 1º
semestre de 2006).
em que vagueio silêncios
aqueles onde me escuto
e em nitidez me vejo
e em maior clareza penso
meus escuros olhos remoço
vivo no tempo absoluto
onde me acho e me amo.
o meu tímido sorriso
dulcifica-me o rosto
todas as tristezas esqueço
ao vaguear, no meu claustro
De rasto caídos e esmagados,
Infelicidade estampada no rosto de ressaca,
A alegria antes vivida efémera foi!
Imaginar o mundo perfeito e saudável
Nada mais bonito e puro, que,
Ter nossos filhos longe da droga
Entretenimentos vários existem
Recordo dos arcos e das bolas,
Natação e outros desportos
A paz do natural devia ser escolha e
Contra as drogas e outros vícios,
Insisto em pedir que reflictam
O corpo deve ser puro para ter saúde e
Nele o espírito saudável viva e
A morte natural de velho aconteça
Levando o corpo e deixando a memória!
Claro que riqueza da desgraça existe
Onde a ganância impera sobre a razão
Nos faz esquecer que os drogados
Todos eles são filhos e filhas nossas
Recordem sempre desta verdade
Ainda que sejam desconhecidos nossos!
A Droga a todos mata, acredite!
Dinheiro não é tudo, te digo, amigo
Repare na mãe e no pai do infeliz
O drogado que na rua sofre e rouba,
Ganhas muito, pensas, mas nada é
A tua riqueza perante a dor que no mundo semeias!