Pagª 2- EDIÇAO NºXXVII, Vº NUMERO DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes.
Continuação da Coluna Um (Ver início)
Estamos plenamente conscientes que o nosso trabalho, a nossa perspectiva, terá
como em todas as coisas os seus críticos, mas era bom que esses críticos não
fossem aqueles mesmos que, perdidos em longos gabinetes, escondidos em
exclusivas tertúlias, fechados em escusas universidades (não são todas,
felizmente) nada ou quase nada têm feito para estabelecer ou restabelecer este
fio cujas pontas desde há muitos anos têm andado separadas.
Mais que apregoar a «grandeza» da língua portuguesa e da lusofonia em geral,
vistos os planos da língua e do património cultural e humano, dos usos, dos
costumes, da multiplicidade de manifestações que no dia a dia saem à rua, é
preciso fomentar, é preciso fazer reviver.
Embora uma parte dessa actividade nobre seja pelo menos em parte mais
economicamente traçada, preservada pelas trocas turísticas, pela imigração e
pela emigração, a lusofonia é muito mais do que isso: é, entre outras coisas,
uma troca de contactos permanente, um vai vem humano e cultural que acerta
constantes agulhas no diálogo, na crítica (seja ela mais ou menos compreensiva),
nas actividades que enquadram todo um sistema que espontaneamente se vai
compondo apesar da manifestada inércia das entidades que guardam o nosso
dinheiro e alegadamente o distribuem de forma proporcional por aquilo que eles
acham mais importante.
A nossa responsabilidades universalista não se compadece com governantes
medíocres, com orçamentos desfasados, com erros económicos e políticos que sacam
milhões do património de todos e que bem podiam ser aproveitados desde logo para
o fomento daquilo que temos de melhor e que é o nosso património histórico e
cultural.
Porque através da história se passa sempre e a história da lusofonia é tão
complexa, tão rica, tão diversificada, que no fundo, só a «arraia miúda» tem,
neste momento uma forma espontaneamente organizada de a abarcar no seu todo.
Assim, «isto» é o que o nosso jornal procura: fazer confluir, mesmo em entidades
distintas, esse manancial enorme que é desde sempre imparável, porque ao
contrário do que muitos pensam é a sociedade civil o motor por excelência de
todas as coisas.
Continuação da Crónica de Arlete Piedade - Dia de S. Pedro – Fim das Festas Populares (Ver Início)
Um dia nas suas pregações Jesus perguntou a Simão se este o amava. Por três
vezes Simão afirmou e reafirmou que sim, e então Jesus lhe disse: «Então
apascenta os meus cordeiros» ; «Apascenta as minhas ovelhas» e «Serás a Pedra
sobre a qual fundarei a minha Igreja» e também: «Eu te darei as Chaves do Reino
dos Céus e aqueles que ligardes na terra, serão ligados no Céu, quem desligardes
na terra serão desligados no Céu».
Pedra ou Petrus (em grego) ou Pedro, tudo significados para o nome pelo qual o
Apóstolo passou a ser conhecido a partir daí e para a posteridade. Pedro foi
portanto o alicerce da Igreja conforme Jesus o elegeu e acabou por ser o
apóstolo principal, ou chefe de todos.
Depois da morte de Jesus, fez várias pregações e viagens em especial a Jerusalém
e Antioquia, mas acabou por ir Roma onde se tornou o primeiro Bispo de Roma, ou
seja o primeiro papa. No entanto acabou por sofrer perseguições e ser torturado.
A seu pedido foi crucificado de cabeça para baixo, porque não se achava digno de
ser crucificado como o Mestre e portanto escolheu essa forma de martírio numa
afirmação de suprema humildade.
Foi sepultado no Vaticano, na Igreja a si dedicada, mas durante os séculos
foi-se perdendo o rasto á localização do túmulo que apenas a tradição pretendia
estar localizado naquele local.
Até que em 1950 escavações efectuadas vieram confirmar esse facto com a
descoberto do túmulo soterrado por algumas toneladas de terra.
Nas paredes inscrições em grego «Petrus Eni» significando «Pedro está aqui» e no
túmulo vestígios de um homem robusto, idoso e com restos de vestes de cor
púrpura e dourado, mais davam crédito á convicção de quê seria mesmo o túmulo de
Pedro.
Segundo a tradição católica, 29 de Junho teria sido o dia do martírio de S.
Pedro, portanto esse dia passou a ser o Dia de S. Pedro e o santo nele venerado
com festas populares em vários países de tradição cristã.
Encerram-se assim as festividades dos santos populares no mês de Junho, com
arraiais, fogueiras, sardinha assada e demais tradições populares consoante os
países e os locais onde se realizam as festas.
Arlete Piedade
(Ver o Poema Mão Negra e apresentação P.Point-pps)
No Irã irão?
Coluna
de Haroldo P. Barboza
No dia 12/06/2009 foram realizadas eleições no Irã. O processo foi desenvolvido através de cédulas de papel. O resultado foi anunciado já no dia 13 proclamando a vitória do governista Mahmoud. Contar e totalizar milhões de votos manualmente em menos de 48 horas é bastante suspeito. Ou um prodígio. Se tal evento consegue ser produzido lá, dispensa a apuração eletrônica que se pratica no Brasil gastando milhões de Reais e sem fornecer a transparência que a Democracia exige.
No dia seguinte ao anúncio do resultado, quase 900 mil iranianos saíram às ruas de Teerã para apoiar o protesto do opositor Mousari que exige uma averiguação profunda no processo para se comprovar a honestidade do pleito.
Como não acompanhamos a política da região, não nos cabe analisar quem está com a razão no acontecimento. O que desejamos ressaltar é a reação popular, que aglomera espontaneamente uma elevada parcela de habitantes nas ruas para demonstrar sua insatisfação com algum fato que incomoda e desagrada o povo. Já tivemos exemplos recentes na França em relação a questões trabalhistas.
No Brasil, as autoridades (em todas as esferas) atropelam as Leis, empregam parentes sem concurso, recebem ajuda de custo sem lastro legal, acumulam mais de um cargo público e não são penalizados quando apanhados com a mão na «massa». E nem por isto o povo daqui, sabendo-se lesado em seus direitos e em suas finanças, consegue reunir mais de 500 manifestantes para exigir que as normas (que só valem para os 3 P´s) sejam aplicadas sobre os faltosos. Por isto recebe o merecido título de «boboca» (os pilantras do poder chamam de «babaca»).
Desta forma, nas sucessivas eleições aqui realizadas, as urnas-E que não materializam o voto e não comprovam a segurança exigida, continuarão em uso sem a devida comprovação de transparência que o evento necessita. E o povão também não vai contestar os resultados, contanto que as novelas vazias, o Big Besta Brasil e as «bolsas-preguiças» sejam mantidas em funcionamento. Para os jovens sem esperança, basta que o comércio de drogas se mantenha estável.
Nem o Paraguai (tido como concorrente aos produtos piratas chineses) usa tais urnas. Será que um dia elas chegarão ao Irã? Somente depois que a rede McDonalds espalhar seus «sandubas» por lá em alta escala.
Encenação
Num país afundado em escândalos sem apuração, recuperação (de valores) e prisão (dos pilantras portando caneta), o termo CPI já virou sigla de piada há bastante tempo. Veja lá: CPI = Contando Piada Indecente. Certamente a CPI da Petrobras será aquecida (e esquecida) com óleo «diesel».
O «julgamento» de Renam no Senado foi apenas uma encenação para nos dar a impressão de que «providências» foram tomadas. Tudo já combinado. O caso da manipulação do painel do Senado teve algum «julgamento»? Deus o realizou e levou o desafeto para outro plano. Infelizmente seus aprendizes se proliferam em todas as esferas.
Trabalho de conscientização cada cidadão realiza a seu modo, na tentativa de levar algum pensamento lúcido aos que estão mais alheios aos fatos que nos envergonham:
a) trocando idéias com seus familiares (sempre tem um cunhado «pentelho» que não
está nem aí);
b) debatendo com nossos pares no trabalho, no clube, no condomínio, na rede
virtual, no restaurante;
c) cansando os dedos (e o saco) enviando protestos às entidades (mesmo compostas
por pilantras);
d) alertando jovens por meios de mensagens, palestras, paraninfando turmas em
faculdades;
e) noticiando junto aos que não possuem acesso aos jornais (ou não entendem o
que está por trás das manchetes).
Eu pratico estas formas pois são as que tenho possibilidade. Sendo que no caso (e) ainda me dou ao luxo de imprimir 100 folhas por mês (em média) e a cada vez que sou abordado na esquina por um distribuidor de panfletos de propaganda, eu lhe dou uma de meus «santinhos» torcendo para que ele pelo menos saiba ler.
Grupos mais estruturados podem pintar faixas, realizar passeatas, promover discursos com megafones, propor paralisações bem planejadas e por aí afora.
Bater nas panelas todos podem. Principalmente quem as tem eternamente vazias.