Pagª 33 - EDIÇAO NºXXVII, Vº NUMERO DE JUMHO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes.
Histórias da Vida Real

Crónicas por Martim Afonso Fernandes
O JOVEM VOADOR
Icaro Passos de Araújo, era o nome de um rapazola de mais
ou menos seus treze anos. Gostava muito de aventuras e mais ainda de fazer
diabruras.
Não perdia filmes que pudessem lhe sugerir algo de importante e curioso.
Certa ocasião sonhou que estava a voar. E resolveu começar um projeto
voador!
Em primeiro lugar saltou de cima de uma casa com um guarda-chuva aberto, que
deu-lhe alguns segundos de prazer, deslocou-se uns cinqüenta metros, mas a
armadura metálica do sombreiro não resistiu e virou ao contrário.
Depois, a continuar suas experiências, pegou um pato, ave caseira, e começou
a jogar para cima e a observar os movimentos das asas. A abrir e a fechar.
Com uma cartolina, resolveu desenhar modelos de asas e passou para a
construção. Preparou uma armação de bambu e cobriu-a com tecido. Colocou o
aparato sobre suas costas e os braços dentro dos suportes para acionar os
movimentos de bater as asas.
Chegou o dia do teste. Chamou os colegas para ajudá-lo a fixar aquela
armação móvel, que estava bem comentada na cidade e na escola onde estudava.
Sua residência situava-se numa rua de declive bem acentuado. Tudo pronto. O
Icaro sonhador partiu para a realização de seu grande projeto.
Ao se projetar do telhado de sua casa, a euforia e os
aplausos dos presentes foram grandes, mas duraram pouco tempo. Faltou
energia para que seus braços pudessem deslocar o ar e galgar uma distância e
uma altura para completar o percurso de seu desejo.
Por proteção de anjos, não chegou a quebrar-se muito, sua aterrissagem fé-lo
cair de pé e sair a rolar pelo mato rasteiro que por ali existia.
Ao completar maior idade, Icaro foi prestar serviço militar na Força Aérea
Brasileira, podendo assim realizar uma parte de seu sonho. Não voou com asas
próprias, mas com asas metálicas, com aviões a propulsão, motorizados ou
turbinados.
Este jovem passou para a história. Dava seus longos passos no ar, cortando
os ares que na sua infância tanto sonhara atravessar. Mais uma vez o homem
sonhou voar. E realizou seu grande sonho.
Seria seu nome e seus sobrenomes que o incentivaram a
querer subir às alturas?
Aqui no Brasil chamamos aos tripulantes de navios de marujos, por andarem no
mar. E, para completar, não ficaria nada mal chamar de araújo a quem anda
pelos ares.
Ã?caro, após terminar seu tempo de prestação ao serviço militar, retornou Ã
vida civil. Há muitos anos passados, reencontrei um amigo nosso de infância
e ao perguntar-lhe sobre alguns companheiros de nosso tempo, lembramo-nos
entre outros das diabruras que fazÃamos e do rumo profissional que cada um
tomou. O nome do rapazola que acabou voando veio-nos à mente. Daà o nosso
papo:
-Que rumo tomou o Ã?caro? Meu amigo respondeu:
-Aquele encapetado trabalha numa fábrica de industrialização de carne de
siri para exportação, numa cidade vizinha daqui.
AÃ interroguei meu colega:
-Ele formou-se em quÃmica?
-Não, disse meu colega. Hoje ele é operador de caldeira para geração de
vapor do sistema industrial. E o mais engraçado é que foi usada uma
locomotiva antiga a vapor servindo para decoração da indústria que ele
trabalha.
Ao ouvir esta resposta, dei aquela minha gargalhada que ecoa aos pés da
montanha.
Meu amigo assustou-se com o troar do barulho e me interrogou: -Por que
tamanha gargalhada, homem?
Ao que respondi: - Se Icaro ainda tiver aquela vontade doida de voar e
fechar todas as válvulas de segurança da caldeira, com a pressão alta da
mesma, ela explodirá e leva tudo para o espaço sideral!!!
Sara Daniela Coelho da Silva
Notas Biográficas
Sara Daniela Coelho da Silva
Estuda Ciências da comunicação na Universidade da Beira Interior, Covilhã ,
e o que a motiva a colaborar no nosso jornal, para além do gosto pessoal
pela actividade é também a sua vontade de adquirir experiência.
Resta-nos dar-lhe as boas vindas e ler o seu trabalho.
Os jovens e o álcool
Nos dias de hoje quando pensamos em jovens associamos logo o álcool, as festas e os disparates. De certo modo esse pensamento é verdadeiro, se verificarmos que a maioria deles começa a beber muito cedo.
O acto de ir a um bar ou café beber «uns copos» é algo que nesta faixa etária se faz para socializar e não somente para consumir bebidas alcoólicas. No entanto, alguns jovens começam a beber sentindo dificuldades em parar podendo depois ser criada uma situação mais complicada.
Na minha opinião, os pré-adolescentes e adolescentes bebem demasiado e em grande parte devido à educação que possuem, mas também para se afirmarem dentro do grupo de amigos, pois muitos desses jovens são tÃmidos ou muito inibidos e o álcool faz com que eles se desinibam.
Além disso, muitos bebem para se esquecerem dos problemas e situações mais complicadas da vida que afectam toda a gente, independentemente da idade.
A entrada para a Universidade também se torna fulcral nos «novos hábitos» que os jovens adquirem. A maioria destes vai sozinho para a Universidade sentindo uma necessidade de conhecer pessoas novas mas para muitos dos pré-universitários, a entrada para a Universidade significa também uma maior liberdade relativamente a todos os limites que os pais impõem, inclusive o álcool.
Assim, torna-se necessária uma maior sensibilização para a população em geral no que respeita aos problemas associados ao álcool que são difÃceis de tratar, podendo deixar sequelas nomeadamente ao nÃvel da saúde, para a vida adulta.