Pagª 32 - EDIÇAO NºXXVII , Vº NUMERO DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes.
RTP cria transmissões autônomas nos canais internacionais
A RTP Internacional disponibiliza, a partir desta segunda-feira, transmissões
autônomas para Europa, América e �sia, graças a um ajuste do horário de emissão
ao fuso horário dos destinatários.
As mudanças atingem também o canal destinado a Africa, que passará a transmitir
programação dirigida especificamente aos paÃses africanos lusófonos durante 24
horas por dia, em vez das actuais 12 horas.
Para o administrador da RTP, LuÃs Marinho, «a aposta neste serviço é
fundamental», porque integra e responsabiliza mais a RTP enquanto serviço
público.
LuÃs Marinho considera que se justifica o esforço que representa ter dois canais
internacionais, pela dispersão da população portuguesa no mundo (quase cinco
milhões de pessoas) e pela responsabilidade histórica em relação a paÃses de
expressão portuguesa.
«O objectivo é aproximar a programação das horas mais convenientes de cada área
internacional, que era uma das crÃticas que nos faziam», afirma.
Assim, haverá uma forte aposta nos conteúdos que reflictam a história e o
património portugueses, nos programas informativos, na ficção de lÃngua
portuguesa (séries, novelas e cinema português) e no esporte.
Alterações
A nova orientação da programação permitirá ainda recuperar a área da programação
infantil - uma hora em lÃngua portuguesa - transmitida em horários que as
crianças possam ver nos diferentes continentes.
Para o director de programas da RTP, José Fragoso, o ajuste de horários aos
consumidores é um serviço decisivo para quem está fora.
As grades de programação passam a estar divididas em função do fuso
destinatário, sendo que, no caso europeu, a programação é semelhante à da RTP em
Portugal porque o horário é praticamente o mesmo.
O caso asiático é, por enquanto, o mais difÃcil, porque não há ainda as mesmas
condições de transmissão, afirma José Fragoso, adiantando que a emissora está
criando um horário nobre asiático, mas ainda não tem programação para o dia
inteiro.
A programação internacional tem a garantia de um filme português por semana,
assim como a transmissão de grandes reportagens da SIC e novelas portuguesas.
Também os noticiários diários dos Açores e da Madeira têm transmissão diária,
uma vez que muitos dos emigrantes são provenientes das ilhas. O desporto assume
um papel relevante no panorama internacional, com a transmissão dos jogos de
futebol do Campeonato Português, da Taça de Portugal e da selecção portuguesa.
A RTP �frica passa a contar logo a partir da manhã com programação infantil e
módulos dirigidos ao público que vê a programação nos paÃses lusófonos. Até
então, a emissão do canal só começava a partir da hora do almoço.
Outro problema que a RTP quer resolver é o dos intervalos de dez minutos que
alguns programas têm aqui em Portugal, e que na RTP Internacional não podem ter
a mesma duração.
Estão por isso a ser desenhados conteúdos de curta duração para transmitir
nesses perÃodos, como, por exemplo, pequenos programas de culinária, videoclipes
de música portuguesa ou breves biografias de figuras
portuguesas.
Banco Central Europeu injecta quantia record no sistema
O Banco Central Europeu (BCE) cedeu nesta quarta-feira 442,24 bilhões de euros
aos bancos para gerar liquidez no sistema, naquela que foi a sua primeira
operação de financiamento a um ano, uma das medidas mais arrojadas tomadas pela
instituição para estimular o crédito.
No total, 1.121 bancos pediram créditos sobre doze meses com taxa fixa de 1%,
indica a instituição num comunicado. Todos os pedidos foram atendidos.
A taxa euribor a 12 meses caiu hoje para um mÃnimo histórico de 1,57%.
O montante ultrapassa o recorde anterior de Dezembro de 2007, quando o BCE
emprestou 349 bilhões de euros numa operação de financiamento que correu durante
duas semanas.
Os mercados esperavam um afluxo de pedidos. Para os bancos, a operação a um ano
constitui com efeito uma boa oportunidade, talvez a última, para obter liquidez
a este preço por um perÃodo longo.
Trata-se de uma estratégia do BCE para concentrar esforços na luta contra a pior
recessão na Europa desde a 2ª Guerra Mundial e dar liquidez ao sistema bancário,
que representa cerca de três quartos da indústria financeira da região.
Além disso, o banco cortou a taxa de juros para um mÃnimo histórico e começará
no próximo mês a comprar 60 bilhões de euros em obrigações para ajudar a
liberar o crédito.
ONU elege Brasil campeão em energias renováveis
A Unep (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) divulgou recentemente o
relatório «Tendências Globais de Investimentos em Energias Sustentáveis 2009».
O estudo aborda investimento em tecnologia por região geográfica em todo o
mundo, as perspectivas do uso de energias sustentáveis, os fundos de
investimento, além de fazer uma avaliação individual dos paÃses em
desenvolvimento.
O Brasil foi considerado campeão mundial no uso de energias renováveis, porque
46% de toda a energia consumida no PaÃs é proveniente de fontes limpas, com
destaque para a hidroeletricidade e os biocombustÃveis.
Algumas ações brasileiras foram destacadas, tais como, a utilização de 25% de
etanol na gasolina, produção de automóveis do tipo flex fuel (bicombustÃveis),
representando 90% dos carros novos, e adição de 2% de biodiesel ao diesel com
previsão de aumento para 5% em 2013.
O Programa de Incentivo as Fontes Alternativas de Energia Eléctrica (Proinfa),
que consta do Plano Nacional de Mudança do Clima, também foi citado pelo
relatório como um importante instrumento de incentivo para o uso de energia
eólica e de biomassa.
O relatório está disponÃvel no site da
Unep
Portal Português de Oncologia já está «on-line»
Foi ontem lançado o POP - Portal de Oncologia Português e Publicação Oncológica
Portuguesa. Este projecto tem duas vertentes: a de portal informativo e a de
publicação de âmbito cientÃfico. O coordenador do conselho cientÃfico do POP, o
médico Mário Bernardo, acredita que «este projecto vai preencher um espaço que
existe na sociedade portuguesa» com a disponibilização de informação correcta,
actualizada e preparada por profissionais de saúde.
O POP pretende tornar-se como um projecto de referência na Oncologia Portuguesa.
Disponibiliza diariamente informação pertinente sobre Oncologia para qualquer
utilizador e contém também um espaço de acesso restrito a profissionais de saúde
contendo informação relevante sobre novidades terapêuticas, protocolos de
diagnóstico e de tratamento, agenda de congressos e ainda diversos «links» de
instituições de Oncologia, nacionais ou estrangeiras.
A informação disponibilizada é bastante abrangente. Qualquer utilizador pode
recolher informações sobre o cancro e os seus diferentes tipos, havendo aqui um
destaque para a prevenção, o diagnóstico, o tratamento (e os respectivos efeitos
secundários) e o prognóstico.
A árvore das palavras De Teolinda Gersão (continuação - Ver inicio)
ESPAÇO ONDE SE PASSA O ROMANCE: Moçambique
TEMPO: Outro aspecto central é a atenção dada ao tempo, quer seja na estrutura
narrativa ou no tempo histórico onde ocorre.: os anos 50 e 60 do século XX. Os
fatos históricos são todavia encarados numa perspectiva que transcende a sua
época e os situa em ligação com a atualidade. O tempo não é linear, tanto
psicológico como histórico.
A autora utilizou uma das técnicas mais conhecidas utilizadas na narrativa do
tempo psicológico, o flashback, que consiste em voltar no tempo. Há uma mistura
de acontecimentos presentes e passados – e até futuros -, quebrando a
continuidade «natural» dos acontecimentos.
LINGUAGEM – O livro está escrito com uma linguagem «muito criativa e um estilo
pessoal», usando um novo tipo de linguagem, que faz sentir o leitor mais próximo
da vida: mais oralizante, do cotidiano, com um ritmo poético e metafórico que
confere vivacidade às palavras. Por exemplo: Moçambique retratada por Teolinda,
metaforicamente, pode ser qualquer paÃs africano colonizado por um paÃs europeu.
O próprio tÃtulo da obra em várias passagens do livro: «Ou sentava-se debaixo da
árvore do quintal e falava com o vento e as folhas. A árvore abanava os ramos e
eu pensava: a árvore das palavras.» (p. 32).«Eu sou, dizia a árvore agitando os
ramos, a semente abrindo no escuro, a água apodrecendo nas lânguas, a floresta
dormindo. Eu sou.» (p. 50).
A caracterÃstica principal de sua escrita é o fragmentário e o simbólico, no
qual a imaginação se sobrepõe à realidade. Foi mantida a grafia vigente em
Portugal.
FOCO NARRATIVO- Predomina na escrita os flashes da memória, o fluxo da
consciência e uma alternância do foco narrativo. São marcantes as mudanças
abruptas do foco narrativo; ela é firmemente conduzida em 1ª pessoa pela
personagem Gita. Porém, em outros momentos ela é transmitida por outros
personagens da história., como por exemplo: Amélia, a mãe portuguesa; Laurano
(pai); Lóia, (a ama-de-leite negra); Rodrigo, o namorado rico.
TEMA – Racismo, diversidade cultural, descoberta do amor, luta pela liberdade.
PERSONAGENS – São seis, quatro mulheres e dois homens.
A Narrativa desenvolve-se através da personagem Gita, protagonista, apresentando
as suas reflexões em dois momentos; quando criança, sem reflexões desenvolvidas,
simplesmente o olhar infantil sentindo as sensações que a levam a integrar-se ao
mundo negro através de sua ama-de-leite que a alimenta com o «sangue negro» e
com o cotidiano da «Casa Preta» que Lóia representa.
O quintal para Gita representa a Ã?frica que ela ia absorvendo com o passar do
tempo. A personagem Lóia e sua OrquÃdea representam o universo e a cultura
africana, os colonizados, é a Casa Preta. A protagonista vai consumindo e
passando a fazer parte do seu universo de criança.
A protagonista embora tenha digerida a cultura africana sempre conviveu com o
outro lado: a Casa Branca sendo representada por sua mãe Amélia, que representa
o pensamento do colonizador.
Temos na figura de Amélia e de Lindóia as duas faces da moeda: a do colonizador
e a do colonizado, isto é a primeira está inserida em uma famÃlia preta e
branca. Gita e Laureano, na Casa Preta, pois se identificam com a cultura
africana e ela, a branca, «o pensamento colonizador», despreza, nega a cultura e
discrimina os negros. Ela não faz parte dos colonizadores, pois é de famÃlia
pobre que também é discriminada por aqueles que estão no poder em Moçambique.
Amélia discrimina os negros, nega a cultura africana, quer ficar o mais longe
possÃvel deles. Mas ela faz parte da famÃlia portuguesa pobre que vive em
Lourenço Marques e assim como os negros são também desprezados e só servem para
prestar serviços aos mais ricos.
Gita, e o pai correspondem à cultura africana. Mas ela sabe das diferenças que
existem entre brancos e negros, pois presenciou na sua infância e percebe também
que ela está do lado dos brancos, isto é, tem uma posição mais favorável do que
os negros e sabe também reconhecer a grandeza africana. Seu pai também a ensinou
a questionar o governo português.
Estes questionamentos a levam a pensar mais tarde na guerra colonial que
acontece e que ela narra. Ela também tem consciência da discriminação que existe
na cultura africana e faz pensar na luta pela independência de Moçambique mesmo
quando adolescente.
A personagem ao brigar com o namorado sente a discriminação, pois ao dizer que
estava grávida, ele lhe apresenta a idéia de aborto.
Gita resolve continuar seus estudos em Lisboa e tem consciência do que vai
enfrentar na casa de seu tio, vivendo de favor. Mas persegue seu objetivo, assim
como em Moçambique iria sofrer com as modificações que ocorriam pela luta do
poder.
PALAVRAS FINAIS
Este romance transparece as adversidades sociais que sofrem os negros nativos,
bem como os brancos pobres que foram para a �frica por não terem encontrado em
sua própria terra, Portugal, horizontes para uma vida melhor e possibilidades de
ser feliz.
A �frica como um lugar para todos os negros foi mais uma invenção do pensamento
ocidental, (Appiah, Na casa de meu pai p. 42). Não se levou em consideração a
pluralidade cultural dos povos que constituem o continente africano. Segundo a
visão européia, todos os negros eram da mesma raça, logo, todos os africanos
eram iguais, possuÃam uma africanidade compartilhada. Considera-se um grande
equÃvoco este pensamento ao deparar-se com as diversas culturas que constituem o
continente africano; culturas diferentes que completam, preenchem e solidificam
o continente africano.
A mulher negra africana, diferente das mulheres européias, que possuÃam estigmas
de como portarem-se e serem alguém dentro da sociedade, possui já uma cultura
que a inferioriza e a maltrata por sua condição subjetiva de ser mulher. Sabe-se
que é esta mesma mulher que cuida dos filhos, que faz o trabalho braçal e é
vista e obrigada a servir o homem negro.
A mulher negra moçambicana já vinha sendo dominada antes mesmo da colonização.
Era colonizada duplamente, por uma sociedade patriarcal já instituÃda e pelo
novo colonizador. Muitas vezes, então, largada com os filhos, quando o marido ia
tentar a sorte em outras regiões. Um grande número de mulheres da �frica
procuram no suicÃdio a sua libertação, por não suportarem e nem ao menos saberem
quais são as suas possibilidades como indivÃduos.
(RICH, Adriana, Gênero, identidade e desejo).
Elas não pensam ou refletem sobre a vida, procuram sustentar suas crenças e
costumes e cultivar suas culturas subordinadas ao destino. E é para elas, como
relata o livro, que os homens retornam quando perdem seu norte, sua direção. A
mulher negra luta para manter um teto seu, de sua prole e também de seu marido.
Referências:
APPIAH, Na casa de meu pai
GERSAO, Teolinda. A árvore das Palavras. Ed. Planeta do Brasil, 2004.
RICH, Adriana, Gênero,identidade e desejo.
Wikipédia.