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Pagª 4 - EDIÇAO NºXXVII, Vº NUMERO  DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   



  ANIMAIS QUE PLANTAM GENTE 

 De Sandra Fayad

Este Titulo da nossa colaboradora Sandra Fayad encontra-se à venda no Brasil nos seguintes sitios:

1 - Livraria Cultura mais próxima ou p / site.
2 - E-mail + depósito em c/c(R$29,90+selos) = remessa correios;
3 - Café Com Letras: SCLS 203, Tel.: (61) 3322 4070;
4 - Quiosque do Ivan:Centro Comercial Conic, Tel.: (61) 3225-2832;
5 - Horta Comunitária 713 Norte: (61) 9984-7160.
6 – Banca do Francisco SQN 314, Tel.: (61) 3447-1749;
7- Banca do Ivo SCRLN 712/13, Tel.: (61) 8114-1118;
8 – Portal Catalão, Resenha em «Livros à Venda», neste site, com o comentário de Ignácio de Loyola Brandão, Membro da Academia Brasileira de Letras. e outros no fórum deste portal.

 

AGUAS DAS CHUVAS

Por Sandra Fayad

 

 

 

 

Manhã do último domingo, 13 de abril. A semana que o antecedeu foi a primeira do ano com clima demasiadamente quente e céu azulado na maior parte do tempo, exceto sábado, quando São Pedro acenou com algumas nuvens escuras, mas desistiu.

Já que o vento levou as poucas que restaram, fui fazer minha caminhada matinal no Eixão Norte, sentindo pela primeira vez os efeitos desagradáveis do calor e da secura, que representam as sensações próprias do período da seca (de maio a outubro).

Pensei: «Este ano vai começar mais cedo». Uma hora depois, qual não foi minha surpresa ao olhar para o céu ao leste e perceber que de lá vinham caminhando nuvens escuras em direção ao oeste da cidade, para onde eu me dirigia na volta para casa.

Parei já no final do percurso para examinar a possibilidade de aquelas nuvens desabarem em abundância sobre a Horta Comunitária com o solo já empedrando sob plantas, que já manifestavam sofrimento por insolação.

Não fui bastante crédula na generosidade da natureza, até porque parecia repetir-se o fato do dia anterior. Como sou fraca em meteorologia! Parada como dois de paus a encarar o céu a cem metros de casa, senti um... dois... três... vários pingos sobre a cabeça.

O casal de pombos estacionado na fiação aérea confirmou: deslocou-se em círculos e foi pousar nos fios ainda secos mais acima. Quando percebi que a chuva ia me pegar no caminho não acelerei o passo para chegar à casa. Quis ter certeza de que não ia fugir como no dia anterior.

Segui vagarosamente para garantir que chegaríamos juntas. Que delícia! Ela desabou com vontade. Já em casa, aproveitei para encher uma bacia e dois baldes nas bicas do telhado.

Pensei: «Vai servir para lavar a varanda e o canil.» E serviu mesmo! Poderia ter colhido muito mais, através de um sistema de coleta de água das chuvas, utilizando uma calha.

Esse sistema que já existe funciona assim: a água desce do telhado por uma calha e é enviada para um reservatório (caixa) que fica abaixo ou mesmo no nível do chão, passando por um filtro.

Dali, é levada para um reservatório superior com o auxílio de uma bomba de recalque, de onde segue para os pontos de consumo por gravidade. A alimentação dos pontos também pode ser feita por um pressurizador ou bomba de pressão, que capta a água diretamente do reservatório inferior quando as torneiras são acionadas.

Neste caso, o reservatório superior é desnecessário. O material utilizado para conduzir a água de um para outro ponto é composto basicamente de registros, canos e joelhos de pvc, de acordo com a área que se deseja irrigar.

Não é uma maravilha ter um sisteminha assim, simples e eficaz?

Ainda mais se considerarmos que o volume de água doce própria para o consumo humano é mínimo em relação ao total de água existente no Planeta.

Além disso, dados estatísticos indicam que, nos últimos 50 anos, a qualidade da água piorou consideravelmente, devido a alguns fatores como maior concentração populacional em áreas urbanas e processos de alta industrialização no campo e nas cidades.

Atualmente, grandes centros urbanos, industriais e áreas de desenvolvimento agrícola com alto nível de utilização de adubos químicos e agrotóxicos já enfrentam a falta de qualidade da água, o que pode explicar a volta de epidemias já erradicadas e o aparecimento de novas doenças de pele, alergias, dengue e outras de difícil controle por parte das autoridades sanitárias e da própria população.

Vejam como tudo acontece:

Na área urbanizada, ao utilizarmos água, seja para uso doméstico ou para fins industriais, geramos resíduos, que por sua vez geram algum tipo de poluição.

Um exemplo bem comum é a contaminação por escoamento de águas das chuvas. Decorre da própria urbanização (calçamentos e colocação de pisos impermeáveis fáceis de limpar).

A conseqüência é que, como a água das chuvas não é mais absorvida pelo solo, segue seu curso arrastando o lixo das ruas e dos lixões a céu aberto, os detritos de esgotos e produtos químicos, carreando tudo para os mananciais e subsolo, de onde retorna ao consumo provocando as doenças.

(Continua)

 

A árvore das palavras
De Teolinda Gersão

Por Arlete Deretti Fernandes

 

 

 

 

Teolinda Gersão nasceu em Coimbra, estudou Germanística e Anglística nas Universidades de Coimbra, Tuebingen e Berlim. Foi leitora de Português na Universidade Técnica de Berlim, docente da Faculdade de Letras de Lisboa e posteriormente professora catedrática na Universidade Nova de Lisboa, onde lecionou Literatura alemã e Literatura Comparada até 1995.

Doutorou-se em 1976 defendendo uma tese intitulada Alfred Doblin: Indivíduo e Natureza. Teolinda começou a escrever com apenas catorze anos. Influenciada por formas várias de cultura e, dentro destas, pelo contato com diversos mundos (citadino e rural), a sua escrita está marcada pelas viagens e estadas em diferentes lugares, entre os quais se salientam a Africa e o Brasil.

Autora de nove livros ganhou os principais prêmios literários portugueses. Sua obra foi traduzida para o inglês, francês, alemão, holandês, espanhol e romeno.

Três de seus livros foram adaptados ao teatro e levados à cena, Os teclados e os Anjos, em Lisboa. A Casa da Cabeça de Cavalo, no Teatro Nacional de Bucareste, na Romênia.

BREVE COMENTÃ?RIO SOBRE SUAS OBRAS

Esta autora abriu caminho para o romance contemporâneo em Portugal. Seus livros mostram aspectos da sociedade contemporânea, mesmo quando a ação é transportada para épocas diferentes.

Em quase todas as suas obras aparecem dois mundos diferentes, o do homem e o da mulher. Esta diferença é o resultado da opressão da sociedade que obriga os dois sexos a conformarem-se com papéis convencionados.

Teolinda conheceu Moçambique em 1960 e, mais tarde, durante o processo de escritura do livro Arvore das Palavras, regressou para poder «reconstruir com detalhe uma cidade que ainda não existe», e para recordar a espiritualidade e filosofia de vida de um continente que «me ensinou o respeito pela natureza e que não existem culturas superiores nem inferiores, senão culturas diferentes».

Para a escritora escrever é um jogo, uma maneira de organizar sentimentos, de encontrar uma unidade; confessa que lhe dá imenso trabalho, pois escreve uma primeira versão, depois reescreve e volta a reelaborar, mas este trabalho lhe dá imenso prazer.

A aposta da escritora vai para a qualidade e não para a quantidade, considera um livro acabado quando percebe que não pode fazer mais nada, portanto é bastante perfeccionista, não se importando com o tempo que leva para escrevê-lo.

O livro só é conseguido quando o escritor sente que domina o mundo que construiu, ou seja, é o próprio livro que determina o seu ritmo e tempo de elaboração.

Ela sabe que não é fácil escrever um livro, considera que a experiência faz com que a escrita se torne mais difícil, aumenta a exigência, mas também aumenta o prazer.

Pensa que a condição essencial para se ser um escritor é ter uma perspectiva própria das coisas, uma relação mais estreita com determinados temas e por fim ter a capacidade de dar e não de receber atenção. Escrever é também ser capaz de escutar o mundo.

A Arvore das Palavras é uma narrativa composta de 3 capítulos desprovido de títulos, Cuja variação de tamanho vai de 32,25 e 28 páginas respectivamente. A 1ª edição foi em 1997. Nela retrata a história de uma família, a cultura e a sociedade de Moçambique antes e durante a guerra colonial que precedeu a revolução portuguesa de 1974.

Por quê este livro tem o nome de «A arvore das palavras»?

Na Africa a árvore encarna a sabedoria, lembra Hutin. Sentado à sua sombra, gerações transmitem histórias seculares. O baobá é uma árvore símbolo do continente. O maior é o baobá de Sagole (Província de Limpopo, Africa do Sul), que tem 38 metros de circunferência e cerca de três mil anos de idade. (Fotógrafo Jérôme Hutim – Paparazzo das árvores). «Baobá, árvore símbolo da �frica retrata a savana africana, sua flor mede 20 centímetros, tem cheiro de Almíscar e quando seca, seus galhos parecem raízes».

CONTEXTO HISTORICO-

Os portugueses chegam a Moçambique no final do século XV. Pero de Covilhã foi o primeiro português que fez contato com esta região em 1489, recolhendo informações sobre o tráfico e a navegação a mando de D. João II. Os primeiros produtos explorados foram marfim, cobre e escravos.

No século XVII vêm possessões na costa oriental da �frica. Foram atacados ao norte pelos árabes e ao sul pelos holandeses, assim é o fim das feitorias portuguesas. Os portugueses concentraram-se em Moçambique no século seguinte, mas não é fácil, pois há uma disputa entre as potências européias e os indígenas resistem à ocupação.

Em 1752 Moçambique passa a ter estatuto administrativo, «Governo e Capitania Geral de Moçambique Sofala, Rio de Sena», a exploração de escravos toma impulso. E sofre ataques piratas. Na primeira metade do século XIX há um verdadeiro reservatório de mão de obra para a exploração das colônias vizinhas. O centro político de Moçambique desloca-se para o sul começando a relação tipo capitalismo.

Os portos de Maputo (Lourenço Marques) e da Beira eram os portos de entrada e saída dos produtos da Rodésia. Após a 2ª guerra a idéia de descolonização começa e as colónias da Grã Bretanha são as primeiras. Mas, Portugal se opõe ao movimento.

Nos anos cinqüenta surgem os movimentos que defendem a independência de Moçambique e em 1964 começa a Guerra de Libertação conduzida pela Fremlimo, (Frente pela Libertação de Moçambique), que termina nos anos seguintes. A independência foi proclamada em 1975.

(Continua)