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Pagª 42 - EDIÇAO NºXXVII , Vº NUMERO  DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   

Crónicas de Santarém

Por Arlete Piedade

Queridos Leitores e Amigos

 

 

Resolvi alargar o âmbito destas minhas crónicas a todo o país, para melhor dar a conhecer Portugal aos nossos visitantes e leitores. Por isso com este acróstico me despeço de Santarém capital da antiga província do Ribatejo, hoje uma denominação apenas na tradição, pois que em termos administrativos já não faz sentido. Em Portugal temos os distritos, que se duvidem em concelhos e freguesias. As capitais de distrito são as cidades mais importantes, dentro dos distritos temos os concelhos cuja capital pode ser uma cidade, ou uma vila, e depois temos as aldeias, que são povoados mais pequenos.

A partir do próximo número irei explicar melhor quais as diferenças entre cidade, vila e aldeia, para já podem ficar com estas noções para se irem habituando.

A cidade mais importante do país, é Lisboa, a capital e a seguir o Porto, capital do norte de Portugal, cidades que entre si e os seus habitantes têm mantido uma rivalidade por vezes levada a extremos, como no caso do futebol, em que as equipas das duas cidades sempre se comportam como rivais, nomeadamente o Benfica e o Futebol Clube do Porto.

Nos próximos números do Raizonline irei falar mais detalhadamente sobre estas diferenças e também contar historias, origens e lendas das cidades, vilas e aldeias de Portugal.

Por hoje é tudo, despeço-me com amizade,

Arlete Piedade

Santarém Ribatejo

S calabis te chamaram os filhos de Roma
A ntiga tua fundação se perde em lendas
N a margem do belo Tejo, miras-te ufana
T radicional tua gente, orgulha-se da fama
A ncestrais fizeram de ti, cidade formosa
R ibatejo a província tua mãe que te cerca
E ncantos das verdes campinas em flor
M ouras encantadas povoam teu castelo

R ibatejo te chamaram minha terra amada
I nclíta filha do Tejo que te corre nas veias
B anhada pelas suas águas que te inundam
A panhadas de surpresa saem das margens
T ransformam teus campos em lagos e rios
E nchem teus celeiros de melões e vinho
J ogos de cabrestos, cavalos e touros...
O campino conduz para a feira e a tourada...

Arlete Piedade (Ver coluna ao lado - Crónicas da Minha Terra)

 

PORTUGAL AMA O BRASIL

P artiram nossos antepassados á descoberta
O rdem real para desbravar novos caminhos
R umos incertos pelo oceano revolto, alerta
T udo a postos para não chegarem sózinhos
U ma rota desconhecida mas talvez secreta
G algando abismos profundos e seres daninhos
A lcançando enfim essas novas terras ardentes
L igadas por corações apaixonados e carentes

A morosos se tornaram esses míticos mareantes
M eninas donzelas encontraram na areia dourada
A maram-nas como se não importasse mais nada

O s corpos e almas unidos, á forte paixão rendidos

B rasil, terra amada, filha, irmã, amiga, amante
R omance eterno de povos diferentes, mas unidos
A mor sem fim entre almas, cores, gente errante
S edução edificante, na distância, seres queridos
I nfeliz pátria, filha amada, terna e inebriante
L aços de amor nos prendem, Brasil te amamos!

Arlete Piedade

 

CABO VERDE NO MUNDO

C - Cada filho seu pão e sua água pura
A - Assim o mundo devia ser e não
B - Barriga vazia a roncar de um lado e
O - Obeso de riqueza por outro lado!

V - Ver até a terra chorar por uma gota de água
E - Enquanto na televisão noticias de enchentes
R - Reciclando lixo muitos pão buscam, e vimos
D - Deleitado na luxúria uns poucos palacianos
E - Entendo a diferença, não entendo a miséria!

N - Nada pode ser tão injusto, penso eu, que
O – O olhar de milhares de crianças famintas!

M - Muitas guerras podiam ser evitadas
U - Uma vez se pensarmos que as mulheres e crianças
N - Não sendo quem guerras pedem, mas paz
D - Delas são maiores vítimas inocentes
O – O dinheiro e o esforço gasto, bem-estar dariam, enfim…

João Furtado

 




Crónicas da Minha Terra

Por Arlete Piedade

Almeirim

 

Começarei esta nova série de crónicas sobre as cidades e vilas portuguesas, começando por escrever sobre as cidades do meu distrito, e inicio por Almeirim, a cidade mais próxima de Santarém, na margem sul do rio Tejo.

Almeirim é uma cidade antiga, com uma história rica em acontecimentos relacionados á corte portuguesa, cujos reis nos séculos XV e XVI, elegeram esta localidade como local de recreio para passarem férias e temporadas mais ou menos longas, devido ao seu clima ameno. Noutra crónica falarei desse tempo mais em detalhe.

Nos tempos actuais Almeirim é célebre pelos seus produtos agrícolas, nomeadamente o vinho e o melão. Famosa pela sua gastronomia e os seus restaurantes que todos os fins-de-semana acolhem muitos visitantes vindos de outros pontos do país especialmente para passarem o dia em Almeirim e aqui almoçarem.

Entre os vários pratos, um se destaca e dá fama á cidade. É a famosa Sopa da Pedra, cuja receita, compartilho convosco:

Sopa da Pedra

Ingredientes

2,5 L de água , 1 kg de feijão vermelho, 1 orelha de porco, 1 chouriço de carne, 1 chouriço de sangue (morcela), 200g de toucinho, 2 cebolas, 2 dentes de alho, 700g de batatas, 1 molho de coentros, Sal, louro e pimenta a gosto,  

Preparação

Ponha o feijão a demolhar de um dia para o outro. De véspera, escalde e raspe a orelha de porco de modo a ficar bem limpa. No próprio dia, leve o feijão a cozer em água, juntamente com a orelha, os enchidos, o toucinho, as cebolas, os dentes de alho e o louro. Tempere de sal e pimenta. Junte mais água, se for necessário. Quando as carnes e os enchidos estiverem cozidos, tire-os do lume e corte-os em bocados. Junte, então, à panela as batatas, cortadas em cubinhos e os coentros bem picados.

Deixe ferver lentamente até a batata estar cozida. Tire a panela do lume e introduza as carnes previamente cortadas. No fundo da terrina onde vai servir a sopa coloque uma pedra bem lavada. 

Mas também esta sopa tem uma lenda na sua origem. Não quis deixar de vos transcrever aqui a mesma: 

A Lenda da Sopa da Pedra

Um frade andava no peditório. Chegou à porta de um lavrador, não lhe quiseram aí dar esmola. O frade estava a cair com fome, e disse:

- Vou ver se faço um caldinho de pedra! E pegou numa pedra do chão, sacudiu-lhe a terra e pôs-se a olhar para ela, para ver se era boa para fazer um caldo. A gente da casa pôs-se a rir do frade e daquela lembrança.

Perguntou o frade: - Então nunca comeram caldo de pedra? Só lhes digo que é uma coisa boa.

Responderam-lhe:- Sempre queremos ver isso!

Foi o que o frade quis ouvir. Depois de ter lavado a pedra, pediu: - Se me emprestassem aí um pucarinho.

Deram-lhe uma panela de barro. Ele encheu-a de água e deitou-lhe a pedra dentro.

- Agora, se me deixassem estar a panelinha aí ao pé das brasas. Deixaram. Assim que a panela começou a chiar, tornou ele:
- Com um bocadinho de unto, é que o caldo ficava um primor!

Foram-lhe buscar um pedaço de unto. Ferveu, ferveu, e a gente da casa pasmada pelo que via. Dizia o frade, provando o caldo:
- Está um bocadinho insosso. Bem precisava de uma pedrinha de sal.

Também lhe deram o sal. Temperou, provou e afirmou:
- Agora é que, com uns olhinhos de couve o caldo ficava que até os anjos o comeriam!
A dona da casa foi à horta e trouxe-lhe duas couves tenras.
O frade limpou-as e ripou-as com os dedos, deitando as folhas na panela.

Quando os olhos já estavam aferventados, disse o frade:
- Ai, um naquinho de chouriço é que lhe dava uma graça.
Trouxeram-lhe um pedaço de chouriço. Ele botou-o à panela e, enquanto se cozia, tirou do alforje pão e arranjou-se para comer com vagar. O caldo cheirava que era um regalo.

Comeu e lambeu o beiço. Depois de despejada a panela, ficou a pedra no fundo. A gente da casa, que estava com os olhos nele, perguntou:
- Ó senhor frade, então a pedra?

Respondeu o frade:
- A pedra lavo-a e levo-a comigo para outra vez.

Arlete Piedade

(Informações recolhidas em:
http://www.cm-almeirim.pt/almeirim/ )