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Pagª 12 - EDIÇAO NºXXVII , Vº NUMERO  DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   


O Dono da Bola

Por: Denise Poenise Severgnini

A gurizada jogava bola num campinho improvisado próximo as suas casas. Era a diversão favorita dos moleques. Todos eles eram oriundos de famílias carentes.

A bola, coitada, já estava muito desgastada, mas ainda representava a felicidade dos meninos. Nos pés de cada um deles, ela concebia um sonho de futuro melhor ou quem sabe o surgimento de um novo Ronaldinho Gaúcho...Quando a falta de dinheiro rondava um lar, o sonho do menino ser jogador de futebol famoso aumentava.

Nas semanas subseqüentes ao Natal , uma nova família mudou-se para as redondezas. Johnny, filho único do casal que acabara de chegar , procurara logo a turma do campinho.

Ele ganhara de Santa Claus uma bola oficial de marca famosa. Era esta a oportunidade de usar o presente, já que vivera sempre em apartamento.

A meninada ficara deslumbrada com a beleza da bola apresentada pelo novo amigo. Largaram a pelota antiga num canto e foram formar as equipes para o jogo de futebol.

Todos eram amigos e bons jogadores. Acontece que Johnny era um «perna de pau», o que no jargão futebolístico significava um péssimo jogador. Os meninos tiveram paciência de explicar a ele algumas jogadas, mas o garoto também possuía o péssimo costume da arrogância e não aceitava auxilio.

Numa determinada jogada, ofendera verbalmente Pedrinho, o garoto mais talentosos do time. Formara-se uma confusão...todos contra Johnny...

O garoto mimado colocara a esfera embaixo do braço e dissera aos demais:
_ Eu sou o dono da bola! Ou jogam como eu quero ou levo-a embora!

Os demais meninos olharam-se. Pedrinho pegara a velha pelota colocara no centro do campinho. Recomeçara o jogo.
Johnny ficara ali parado e sozinho com a sua linda bola nas mãos...


Governo galego considera português a par do inglês

O presidente do Governo galego Alberto Núñez Feijóo comprometeu-se a estudar, com a maior brevidade, a inclusão do português como língua opcional nos currículos escolares da região. A decisão foi anunciada pelo próprio Feijóo depois de um encontro com o embaixador de Portugal em Madrid, Alvaro de Mendonça e Moura, que esteve de visita à região, desde o início da semana, para contactos com vários responsáveis locais. Para Feijóo iniciativas da inclusão do português já estão em curso em várias regiões espanholas, nomeadamente na Extremadura pelo que a Galiza, dada a sua «relação especial» com Portugal, não pode ficar alheia a esta iniciativa. Comprometendo-se a avaliar a questão, Feijóo explicou que numa primeira fase vão ser cuidadosamente analisadas as capacidades docentes da região, onde o português é ensinado, a nível do ensino básico e secundário, por professores de galego.

Tudo o que seja abrir a Galiza ao mundo e incorporar línguas estratégias no nosso currículo é uma oportunidade que não podemos perder, afirmou. Considerando que o português, a par do inglês, é uma das línguas mais importantes do mundo, o chefe do Governo regional recordou que as previsões apontam para que em 15 anos haja 360 milhões de falantes do português, mais do que o alemão e o francês juntos.

FUTEBOL RURAL DE MENINOS, OU O JOGO DA USINA VASSUNUNGA

Por Antônio Carlos Affonso dos Santos - Acas

Aquele domingo amanheceu com muita neblina. Isso em si não era nenhum problema, pois todos sabiam que dia que começa com neblina é dia ensolarado. O problema é que, em madrugada de muita neblina, a visibilidade nos campos de lavoura é quase nula. Assim estava!

Cinco horas da manhã: já havia cerca de trinta pessoas na casa do João Domingos. A Manega, com a ajuda das mães dos meninos do time de futebol da Fazenda São José, preparava a matula de cada um para a viagem.

As mulheres haviam passado a noite, assando, cozinhando e costurando embornais novos. �s cinco e trinta, foi posta uma mesa para o desjejum: cinco litros de leite fervido, três bules grandes de café fresco, um bolo de uns sete quilos - todo coberto de suspiro de limão, dez pães recém tirados do forno, um pernil assado, cinco frangos cheios, laranjas, bananas, mamões e mandioca cozida com manteiga de garrafa e com melado de cana, além de batata-doce cozida.

Para os adultos, havia ainda um litro de conhaque para misturar ao leite quente. O objetivo era alimentar bem a molecada para que não sentissem fome até chegarem ao destino. Foi meia hora de pouca conversa e muita fungação, após a qual não restava nenhum farelo de bolo, nenhum fiapo de carne, nenhum gole de café ao menos, o que fez com que a dona Du, mãe do Ném, fizesse um comentário interessante, de que «se os meninos jogassem futebol com a mesma vontade com que comeram, não haveria adversário capaz de derrotá-los».

O João Domingos mandou que todos os meninos fizessem um círculo, em seguida benzeu-os a todos, batendo com um ramo de arruda na cabeça de cada um. Na saída, a Manega ia entregando para cada um, o embornal novo com a matula para a viagem.

Percorrer a pé os sete quilômetros que separavam a casa do João Domingos da sede da Estrela foi uma moleza. Alegres e ansiosos como estavam, não viam nenhuma dificuldade em levantar cedo só para irem jogar futebol com a camisa da Estrela, time onde jogavam seus ídolos.

Era, além de um sonho, uma honra. Na sede da Estrela, o Toninho Esteves já nos aguardava com muita ansiedade. Havia preparado dois enormes sacos de lona: um, contendo o uniforme completo do time - além de cinco jogos completos para os reservas; no outro as novas chuteiras dos craques infantis, como o Toninho se referia a nós, todas devidamente ensebadas e identificadas com o nome do jogador.

Em separado, ainda envoltas em papel manilha vermelho e amarradas em cordonê amarelo, as chuteiras do Ném; número quarenta e cinco. Às sete em ponto chegaram os caminhões para transporte dos meninos e do time principal; às sete e quinze partimos para a Usina Vassununga para o jogo dos nossos sonhos. Para nossa alegria e orgulho, o Tião Téu, o ídolo de todos nós, o maior craque que meus olhos já viram, quis ir conosco. Eram somente dois adultos no nosso caminhão: o João Domingos e o ídolo maior, o Tião Téu.

Durante o trajeto, que demorou quase três horas, nós enchíamos o Tião Téu de perguntas: - quantos anos ele tinha, quando começou jogar futebol, e etc. Já o Mané Barrinha, o craque de nosso time, fazia perguntas do tipo:- como pôr efeito na bola, como disputar bola de cabeça com os zagueiros, como chutar melhor de chapa e de peito de pé e etc.

As dez em ponto chegamos à Usina Vassununga. A sede da usina estava uma beleza, as pequenas ruas estavam todas enfeitadas com bandeirinhas multicoloridas, arcos de bambu e cartazes anunciando a festa de aniversário da usina, onde todos eram convidados, inclusive para a churrascada logo após o jogo do primeiro quadro; durante a festa estariam se apresentando uma dupla caipira de fama nacional: Sulino e Marrueiro.

Vendo de perto os cartazes, lemos a notícia de que a Fazenda Estrela D’Oeste se apresentaria com o time completo, e ainda levaria uma equipe de meninos, de até treze anos de idade, que iria enfrentar a seleção estadual de futebol infantil de São Paulo. Nossos queixos caíram.

 

Epílogo: empatamos. Um a Um! E o gol foi meu!