Agenda de EventosEmail BlogMotor de BuscaNewsletter AVALIE-NOSLivro de Visitas Anuncios Gratis HomepageAlbum FotosIndice Geral Arquivo

DEFLORARAM ALICE

Por Valdeck Almeida de Jesus

 

 

 

Alice nasceu e cresceu numa cidade do interior, assim meio matuta, meio boboca. Era tão ingênua, tão tola, tão sem maldade em suas atitudes.

Sempre subalterna, sempre a pedir licença e perdão por tudo e por nada. A coitada vivia uma vida paralela à vida real. Vivia no reino encantado da fantasia, embutida num conto de fadas, e acreditava, piamente, fazer parte do «conto» – que tonta!

Passaram-se os anos e Alice continuava entorpecida, já se tornando meio burrinha e estúpida... Ignorante e alienada por opção. Seu problema de conexão com o mundo real tornava-se cada vez mais crônico.

Alice acreditava em tudo e em todos, não contestava nem debatia com ninguém. Por falta de diálogo e discussão sadia com aqueles que dela se aproximavam, acabou ficando ríspida, mandona, meio dona da verdade – da sua verdade.

E assim foi vivendo, vivendo, sem muito aprender... Continuava a acreditar que tudo o que seus olhos (cegos) e ouvidos (surdos) viam e ouviam eram a pura e cristalina realidade.

Não se dava conta de que, nos bastidores, por trás da coxia, urgiam conspirações e trapaças...Um dia, um belo dia, ela foi obrigada a abrir os olhos, a apurar os ouvidos. «Tarde demais», pois seus neurônios, já quase atrofiados, não se acostumaram facilmente às novidades.

Então, ela preferiu fingir que não via nem ouvia, para proteger-se. Enclausurou-se em si mesma e conversava com seus próprios botões.

Deflagrava ardorosos debates internos, aprovando ou desaprovando determinadas atitudes alheias e até as suas próprias. Evitava, a todo custo, se indispor com o mundo ao redor. Duras batalhas travadas em seu dia-a-dia, que acabou por se transformar num fardo pesado de carregar sozinha.

Antes que terminasse tendo de recorrer a entorpecentes químicos, decidiu sair da toca e enfrentar o mundo cruel. Dentre tantos caminhos (tortuosos, retos e curvos), enxergou
o da Justiça, onde a cegueira, a mudez e a surdez imperavam.

Ali, naquele reino encantado, ela pensou que seria acolhida
com todas as suas qualidades e defeitos. Seguia firme, no propósito de começar a engatinhar onde todos também tateavam no escuro. Ledo engano da pobre e tola donzela...Foi exatamente ali que defloraram todas as virgindades da inocente vestal.

Os ouvidos tiveram que escutar palavras inimagináveis; a boca foi obrigada a calar tudo o que desejava gritar aos quatro ventos; os olhos precisaram fechar-se e escurecer todas as coisas que não devia ter visto... Ela quase enlouqueceu.

Não tinha know-how para tanta mudança, para a «dança» imoral das palavras, das letras, dos números... Bateu com a cabeça em várias portas, contorceu-se, estrebuchou-se e foi condenada a sobreviver, querendo ou não.

A tudo testemunhava impassível: pessoas sem competência
ocupando cargos que não mereciam; demissões revogadas por causa do sobrenome do demitido; cenas de nepotismo, quando amantes ou familiares eram contratados com altos salários; gente que, na teoria, esbravejava contra o nepotismo mas que, na prática, agia de forma inversa; representantes de uma determinada categoria sendo escolhidos para representar uma outra completamente distinta, ao arrepio da moral (senão da própria legalidade).

Arrepiou-se com tantas coisas e enlouqueceu. Hoje, já não pode testemunhar, ouvir, ver ou sentir mais nada... Fizeram-na calar-se para sempre, sob pena de morte eterna no mármore do inferno!

 

 

 


As voltas que a Lua dá

Arlete Deretti

Entardece...

A lua branca surge no horizonte sobre o azul do mar
e no espaço se apresenta com movimentos suaves.
Bailarina dá um espetáculo de pura poesia,
um balé já traçado, nas pontas dos pés.

Anoitece...

Ela agora passeia no firmamento
com passos firmes, faceira...
mais parece um candelabro entre as estrelas,
linda como uma feiticeira.

Amanhece...

Ela se esconde sem deixar seus rastros,
vai dormir muito pálida e quieta
deixando ao sol o show do espetáculo.
Mais tarde voltando prá continuar
este ciclo já determinado.

 

A VELHA CASA

Sá de Freitas

Esta casa quem vê não imagina
Quão bela foi em tempo já passado,
Com o seu terreiro todo ajardinado,
Encostada ao sopé de uma colina.

Embora fosse um tanto pequenina,
Seu interior limpinho e perfumado,
Deixava o visitante extasiado
E envolvido numa paz divina.

Mas desde quando foi abandonada,
Por sujeira e insetos foi tomada
E nem mais uma planta ali floresce.

E assim também com a nossa alma ocorre:
Sem Deus, o que de bom tem nela, morre...
E o que é ruim com toda força cresce.

 

O PODER DA CARIDADE

Sá de Freitas

Se procura suprir, ao ver sem nada,
A mesa do idoso ou da criança;
Se traz consolo à alma já prostrada,
Sem fé e desnudada de esperança.

Se vai, tal como pode, na jornada,
A dar auxílio a todos sem cobrança;
Mesmo que certa ingratidão o invada,
Pela estrada do bem sem mágoa avança.

Se mantiver sua boca sempre muda,
Para não propagar sua bondade,
Humilhando a quem teve a sua ajuda...

Ah! Meu amigo ou minha amiga, a cruz
Que faz sangrar seus ombros sem piedade,
Vai ficar leve ao lado de Jesus.

 



Pagª 11 - EDIÇAO NºXXVII , Vº NUMERO  DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo - Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.