Pagª 20 - EDIÇAO NºXXVII, Vº NUMERO DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes.
QUANDO SONHAMOS!
Poema
de Ilona Bastos
Ouvindo música,
Vou escrevendo
Ao sabor dos sonhos
Que inundam minha mente,
Invadem meus ouvidos,
Transbordam em meu olhos,
Colorindo as paisagens
Do tom que é o dos sonhos.
Que bela é a vida
Quando sonhamos!
Como apaixonados,
Observamos a Natureza
Com encantamento,
Aceitamos os outros
Com carinho,
Levantamos, pela manhã,
Cheios de um entusiasmo
Que ilumina o nosso olhar.
Que boa é a vida
Quando sonhamos!
Atraímos a beleza aos nossos olhos,
A harmonia aos nossos ouvidos,
A maciez à nossa pele,
A doçura à nossa boca,
O perfume à nossa inspiração,
A fluidez aos nossos pensamentos,
A leveza aos nossos gestos,
A esperança à nossa vida.
Que sabor tem a vida
Quando sonhamos!
Hoje em dia todos se julgam poetas...mas na verdade, são apenas mulheres
que se desnudam, já que não têm pretendentes porque já mostraram tudo...
poesia esta na mente e tem seu pudor...esta «pequenina» entrara nos
anais da celebridade, porque descreve pura poesia...Abraços do Armando
Quando a desilusão invade nossas almas, os sentimentos se confundem.
Ficamos ao meio do caminho, sem saber a qual seguir.
De um lado está a maldade e a crueldade, do outro está o bem, os
deveres, e as obrigações.
Existem pessoas, que não se importam em passar por cima de um
semelhante, para obter seus desejos mórbidos, e possessivos; obsessão
pelo poder!
Pobres Demônios não sabem que a vida, é feita de altos e baixos.
Não sabem dar valor ao que chamamos dignidade, e não entendem que o ser
humano, vale pelo que faz de Bom! E não pelas maldades descabidas.
Enchem-se de glória, como se fossem eternos, mal sabem que a maldade
pode servir de arma contra si mesmo, o que não é bom!
Quanto ao bem, este é uma estrela de luz, que nos segue e nos protege,
por onde passarmos.
Se plantares o bem, por certo este é o fruto que irás colher, onde as
flores, os sorrisos, e a paz, sempre estarão presentes, e as portas de
todas as moradas, estarão sempre abertas, para oferecer-te um abrigo.
E que quando uma mão se fecha, muitos braços se abrem , e te acolhem com
amor e sinceridade.
É um caminho vasto, livre e acolhedor!
Enquanto o caminho do mal, só há espinhos, ervas daninhas, trevas, e o
ódio.
E estes que trilham por estes lados, dificilmente retornarão, pois não
há volta.
Gargalham, como demônios enlouquecidos.
Seus urros, fazem estremecer a terra de pavor.
Sua presença, é de uma figura macabra, sinistra e diabólica.
Procuram esconder-se, dentro de um falso semblante.
Mas se olhares dentro do seus olhos, verás fagulhas do ódio e da inveja,
que queimam como o fogo do inferno.
Mas não devemos temer, pois no fundo são criaturas dignas de pena, e que
um dia serão consumidas pelo seu próprio veneno.
Como dizem: O bem, sempre vence o mal!
Autora: Pequenina
Como Português, não vi Portugal
Por Armando C. Sousa
Verdade meus queridos leitores, é mesmo uma vergonha dizer uma verdade, mas a verdade é que eu mentiria se o não dissesse.
Nasci na freguesia de Ruivães Concelho de Vila nova de Famalicao.
Ate aos 8 anos de idade o mais longe que conhecia fora de casa e o caminho da igreja; mesmo essa, eu não queria ir, depois de apanhar um puxão de orelhas dado pelo padre João; por entrar na igreja descalço.
Verdade, eu não tinha calçado algum - tinha 6 anos quando meu pai morreu, não entrava dinheiro algum em casa, mesmo assim, o padre queria a oferta, dinheiro igual a pelo menos uma rasa de milho e pagar bulas e indultos...
Um dos motivos de minha aversão aos homens de batina... bom também conhecia os carreiros para o monte de S. Miguel do Anjo.
Do alto podia ver o espelho do mar e sonhar...
Aos dez anos o mais longe que fui foi a Requião ao monte da Cruz, a um
magusto de escolas, que deflagrou numa guerreia de pedras entre rapazes
de diferente freguesias...Requião era cerca de hora e meia.
Claro a pé, nunca tive dinheiro para uma bicicleta, mas principiei a
trabalhar aos 10 anos e meio.
Não te rias; isto era tempo de ditadura.
Cresci, mas nunca tive direito a voto. O padre escolhia quem deveria ser
votante.
Aos 19 anos, diversos colegas foram presos, e eu entrei para escuteiro numa freguesia vizinha para me livrar da perseguição do padre João.
Foi o meu maior momento de hipocrisia...mas livrei-me de umas semanas de calabouço quase certas...não que eu fosse político, nada disso; não sei o que é ser político... nunca ia à missa da igreja da freguesia, e o padre odiava-me.
Casei-me, e o mais longe que tinha ido, duas vezes a Braga e Bom Jesus, uma vez a Guimarães ver o Castelo e a estatua de D. Afonso Henrique, duas vezes à Povoa de Varzim, ver o mar....sim o mar, que tanto me atraía em criança. Todo isto cerca de trinta quilómetros de raio de minha cozinha de terra....
Antes de imigrar fui a Valença do Minho e Viana, e o mais longe a Vale
de Cambra.
Mesmo assim as dificuldade foram muitas para isto...
Imigrei para Franca, logo que pude fui ver a cidade da luz,...torre, Opera Versalhes, Campos Elísios, Portas de Orleães, e muito mais.
Fascinava-me Coimbra, talvez pela Rainha Isabel Inês de Castro. Ou Pelo Rei D. Diniz...ou ainda pelos saberes daquela gente influenciados pelos doutorados; mas nunca pude lá chegar.
Imigrei para o Canada; Pais frio, gente de coração gelado... recordações
dos Portugueses com quem convivi...na sua mente, o dinheiro os fazia
superiores, e afinal vi-os ficar pelo caminho, sucumbindo ao peso da
ignorância.
Eu também sofri confiando neles.
Ao enviar meu passaporte para renovar, nunca mais apareceu...Agencia ou no correio se extraviou...sem passaporte Português, sem possibilidades de o rever devido as leis Salazaristas de 1962, preparadas para o efeito...então vi um pouco de Portugal como filho bastardo do Pais, duma mãe Pátria que me serviu de madrasta.
Com passaporte Canadiano, vi um pouco de Portugal e ilhas; apenas obtive
os meus documentos no ano dois mil...depois de me considerar o Canadiano
Forçado perante o Cônsul em Toronto, este resolveu me dar o passaporte
numa hora.
Tarde de mais para ter uma casinha no torrão que me viu nascer.
6 filhos compreenderam a podridão que ainda existia em Portugal, resolveram ver outras terras; outras gentes, e admirar a beleza que existe por esse mundo além viajam como verdadeiros Canadianos. Eu acredito que todos deveremos poder ter uma ferias por ano, e ver gentes e terras diferentes, para melhor compreender as diversidade de pensamentos.
Depois de tantos anos apenas ficou em mim gravada a língua de minha mãe. Todos os que me compreendem são meus irmãos na Língua que Camões tanto diversificou.
Coimbra... essa vive em mim, nas baladas e serenatas e fados dos
estudantes..
Hoje, 10 de junho de 2009, aniversario de minha partida para a França,
De encontro a liberdade
Por Armando Sousa
Toronto Ontario Canada
Heroínas Anónimas
Crónica
João Furtado
A saudade da minha mulher, das minhas filhas que deixei em Cabo Verde. A saudade do meu filho que encontra-se no Brasil a estudar. A necessidade de regressar para ajudar na velhice do meu pai e do meu sogro. Tudo isto me atormentava.
Estava apenas 5 dias fora. Mas também, por outro lado, não queria separar-me da minha filha, do meu filho, da minha netinha e do meu netinho. Estava perante um grande dilema. Se ficasse continuaria a ter a vontade de partir. Se partisse, partiria dividido, pois a vontade de ficar também era enorme. Mas sabia que teria que partir. Era necessário partir. Foi assim que acordei naquele Domingo.
A viagem não era tão já. Tinha ainda 5 dias para estar com os meus netos. A mais velha, de quase dois anos, tinha ido comigo. Estava a viver connosco em Cabo Verde, a Nuna. O Mais novo, com apenas 3 meses, era a primeira vez que o via. Dois amores da minha vida. Dois amores diferentes e com a mesma intensidade.
Para não continuar a tentar saber porque temos que nos separar dos nossos entes queridos, resolvi sair. Disse a minha filha para irmos a missa. Iríamos de carro até Brockton, outra cidade satélite de Boston, nós estávamos em New Bedford. Preparamos e saímos. Ela, o marido dela, a Nuna e eu.
Quando chegamos a missa estava quase no fim. A distância era longa. Esperamos a saída do Padre, para o cumprimentar. O Padre era nosso conhecido. Ele saiu pela porta principal, onde os cristãos foram até ele para o cumprimentar. Também fui. Aproveitei para chamar, por telefone móvel, uma amiga que sabia estar ai.
O nome dela é Ana Maria, mas nós a conhecemos por Bela. É comum em nós Cabo-verdianos termos dois nomes, por exemplo a Nuna, o nome verdadeiro é Adrianne. Ela também estava na missa, alias, havia-me dito isto. Uma das razões que me fez ir era encontrar-me com ela.
A Bela é do quadro da Policia de Cabo Verde. Foi há cerca de um ano por ter câncer. Soube que «perdeu» os dois seios. Ela me confirmaria esta informação no fim da visita. Estivemos juntos quase duas horas. Fomos até onde ela estava hospedada.
Mas, alem da alegria que eu sentia e ela também pelo nosso encontro, pouco falamos. Perguntamos por nossas respectivas famílias. Brincamos com tudo que de improviso aconteceu, mas tudo superficial. Eu tinha medo de a fazer lembrar o quanto tinha ela tinha sofrido. Não queria que ela sofresse novamente a me contar o que aconteceu com ela.
Mas ontem soube o que aconteceu com a minha amiga Bela. Soube através de um amigo de uma outra amiga minha. Amiga recente. Amiga que me tornei intimo como se predestinados. Ela chama-se Cristina, escreve e coloca no Mural dos Escritores. Leu o que escrevo e achou que era bom.
Para dizer a verdade, não acho que escrevo bem. Algumas pessoas têm me incentivado e agradeço, mas na verdade continuo a escrever apenas para poder passar para papel este bicho de inconformismo que vive dentro de mim. Se não coloco no papel, continuo a pensar. A imaginar que nem um louco, sim sou mesmo um louco, o meu cérebro não para de funcionar.
A única solução que tem é colocar no papel. Descobri que assim penso com uma lógica mais ou menos aceitável. Não fico a «saltar» de uma ideia a outra. tal um macaco a saltar de um galho para outro. Foi o amigo da Cristina que fez a Cristina me ensinar o que é ser herói. Ser herói no anonimato. Existem muitas pessoas que deviam ter estátuas nas ruas. Uma delas é a Cristina.
A Cristina tem sofrido com alegria. Tem carregado a Cruz sem reclamar. Tem esquecido a sua própria dor e aproveitado para aliviar a dor do próximo. Foi por ela, alias, por amigo dela, o Dany que soube que a Bela sofrer dores horríveis. Perdeu todo o cabelo. Fez radioterapia. Passou a beira da morte. Perdeu toda a estética feminina. Aquela mulher que me cumprimentou.
A Bela não conseguiu estudar doente e muito menos fez uma das melhores teses de licenciatura. A tese que li, gentilmente oferecida pela Cristina além de bem feito mostrou o lado humano da autora. Deixei de estudar pouco tempo depois de ir para o Liceu. Posso afirmar sem medo de errar que tenho apenas ensino primário. Todo o mais que sei, foi por curiosidade e, como afirmei, pela loucura do meu cérebro que não pára de vertiginosamente trabalhar e criar imagens figurativas.
Se um dia tivesse estudado gostaria de apresentar um trabalho igual ao de Cristina. Mostrar a todo o mundo que todos nascemos iguais perante a lei e perante Deus.
A Bela perdeu os seios. A Cristina preferiu não os perder. Deus teve compaixão dela. Ela merecia pelo menos um prémio pelo bom coração que tem. Continuou com os seios. Naturais e perfeitos. Não fez nenhuma plástica. Bela usa, de momento, um par de postiços, acho bem, ela merece a estética feminina, aconselhei-a a fazer plástica e a colocar os seios. Nenhuma mulher deve ficar sem os seios, se os puder ter.
Mesmo doente a Cristina continuou a trabalhar. Assim que pode, começou a dar aulas e a ajudar as crianças. Precisamente as marginalizadas. Sofreu algumas injustiças. Todo o ser humano sofre injustiças, mas poucos respondem com o bem. A Cristina respondeu sempre com o bem.
Não satisfeita com tudo que fez de bem. A Cristina quis me dar uma lição, uma bela lição que não posso dizer por minhas palavras. Vou transcrever o que ela me enviou, também através do Dany o amigo dela.
Ela está neste momento internada. Tenho recebido notícias dela, não caso de dizer, por Dany. Tenho feitos alguns acrósticos para ela, com o nome dela, ela adora. Ela quer que eu seja alegre e feliz, não sei se consigo. Não tenho a coragem da Cristina. Além disto, a minha mulher esta doente também. Sofre de dores de corpo. Sofro por ela, também sofro por Cristina, sofre pela Bela.
Como disse recebi a lição que a Cristina me quis dar. Ela intitulou-o de eu aprendi. Foi a maior lição que devia ter tomado de uma amiga tão especial e num momento tão especial da vida dela.
EU APRENDI
Aprendi que o mundo é mais que nossa casa e a vida vai além de nosso corpo.
Aprendi que amigos são muito mais valiosos que jóia e que é preciso falar
sempre o quanto os amamos e como são importantes em nossa vida.
Aprendi que felicidade é mais que um momento, mas que devemos viver
intensamente os pequenos momentos como se fossem o ultimo.
Aprendi que um sorriso não custa nada e que sorrir mesmo quando se quer
chorar é um bom remédio e muitas vezes espantam as lágrimas, mas aprendi
também que chorar não é nenhuma vergonha e chorar de alegria é muito lindo.
Aprendi que a dor física nem sempre podemos evitá-la e maldizer a vida por
isto não vai abrandá-la, sobre a dor aprendi ainda que existem outras dores
que podemos sim evita-las e até curá-las se confiarmos em Deus mantivermos a
serenidade e acreditarmos que Ele sempre age a nosso favor mesmo quando não
entendemos seus desígnios.
Aprendi que ser só é diferente de se estar só e que nós somos a nossa melhor
companhia quando estamos em paz com nós mesmo.
Quem já não se sentiu só em meio a uma multidão e por outro lado se sentiu
tranquilo sozinho com o próprio silencio?
Aprendi que ninguém é eterno e que as pessoas que amamos um dia se vão, mas
os ventos continuam trazendo outras pessoas e nos ensinando a amá-las.
Aprendi que existe um oásis e um deserto, um céu e um inferno dentro de
todos nós e depende somente de nós de que lado se vai ficar.
Aprendi que esperamos muito da vida para sermos felizes e almejamos uma
felicidade extremamente material quando temos infinitas belezas e
oportunidades ao nosso dispor e não nos custam nada.
Aprendi que deixamos para dar valor ao que temos quando perdemos e nos
esquecemos que na vida nada somos apenas estamos.
Aprendi que é muito importante tecer planos e projectos de vida, mas não
podemos perder muito tempo na vida os elaborando. Viver surpresas,
improvisar ou nada planejar por um dia é quebrar protocolos sair da rotina e
isto pode ser muito bom.
Aprendi tantas coisas que nem me lembro mais tudo que aprendi, mas também
não quero decorar o que sei.
Lembro aqui o que minha amada mãe dizia:
__A vida é uma grande escola aonde a dor e o amor são os professores. Quem
não aprende pelo amor aprende pela dor.
Iniciei meu aprendizado pela dor, mas optei a tempo em concluí-lo com o amor
e para o amor.
E você como esta aprendendo?
Cristina, estou a aprender. Sim, não sei se serei tão douto quanto você,
minha amiga querida. Mas estou aprendendo com você.
Espero ver-te em breve tal como uma Borboleta, toda feliz beijando as rosas,
tirando delas o néctar para a felicidade tua e dos todos nós.
João Furtado