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Homem sem pátria

Por Valdeck Almeida Jesus

 

 

 

Em 2007 Valdeck Almeida de Jesus inscreveu-se no 2º Concurso de Poesia da ABRACI, categoria não inédito, com o poema «Homem sem pátria» e ficou entre os 10 primeiros colocados. Um recital de todos os poemas da antologia foi realizado dia 08 de dezembro de 2008, na Academia de Brasileira de Letras.
Segue-se o poema vencedor.

Homem sem pátria

Tiraram meu saber
Levaram meus bens
Mataram minha história
Assassinaram minha família
Mudaram minha língua
Devastaram minha geografia
Poluíram meus pulmões
Cegaram minha perspectiva
Truncaram meu destino
Cortaram meus laços e
Destruíram minhas raízes
Ensinaram-me a ser outro
Com gosto, língua, sonhos e medos...
Apagaram minha fogueira
Derrubaram minha floresta
E agora, o que me resta?
Ainda sou humano:
Não venderam minha alma ao diabo!
Ainda sonho!

Salvador, 17 de setembro de 2007

 

A sombra da noite

Autora: Pequenina

A sombra da noite por aqui passava
Um divergente e silencioso cavalheiro
Cabelos brancos, passos cansados
Usando um chapéu de «boiadeiro».

De pele negra, quase luzente
Um africano procedente
Que estaria a pensar este ancião…
O que passava-se em sua imaginação.

Seria um só, um desprovido?
Por certo andava por ali perdido…
Olhava o mar em amplidão…
Como a buscar o porto da consolação.

Eu observava-o com atenção
Andando a ermo sem direcção
E deduzi que o seu sofrer é a solidão
Ou a perda de um amor, uma paixão.

Busca assim no mar descarregar
As suas queixas, a sua dor, o seu penar
Talvez as ondas venham a amenizar
A lacuna que o faz silenciar.

Ao amanhecer o divergente cavalheiro volta
Acabrunhado, cabelos brancos alvoroçados
Já não trazia mais o seu chapéu, nem o seu cajado
Que como prendas, ao mar foram atirados.

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Pagª 50 - EDIÇAO NºXXVII , Vº NUMERO  DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   

Arca de Noé do milho em Braga

Banco de sementes português conserva amostras de oito países

 

Amostras de milho de oito países diferentes estão conservadas em Braga no Banco Mediterrânico do Milho, uma espécie de Arca de Noé para aquele cereal, segundo disse a directora do Banco Português de Germoplasma Vegetal.

Ana Maria Barata adiantou que o banco envolve cinco mil amostras de diferentes variedades de milho colhidas em Marrocos, Tunísia, Iémen, Grécia, Itália, França, Espanha e Portugal.

Ao todo, o Banco Português de Germoplasma Vegetal, uma estrutura do Ministério da Agricultura, possui 18.500 exemplares de amostras de vegetais e sementes, de cem espécies diferentes.

Ana Maria Barata salientou que as amostras da zona do Mediterrâneo são muito solicitadas, entre outras razões, devido às alterações climáticas: por exemplo, os milhos portugueses e mediterrânicos estão mais adaptados a stress hídrico, pelo que são interessantes de estudar desse ponto de vista.

O Banco Mediterrânico iguala, em pequena escala, o trabalho do Svalbard, a Arca de Noé, na Noruega onde estão os duplicados de segurança genéticos de todo o mundo.

O Svalbard é uma caixa-forte em frio para conservação dos duplicados dos materiais do mundo, uma filosofia que sempre existiu entre os bancos a nível global. Se houver uma catástrofe há sempre salvaguarda de ter material numa estrutura de conservação.

A responsável, engenheira agrónoma, salienta que o Banco Mediterrânico e o Svalbard fazem, também, frente a problemas como o da perda de diversidade genética ocorrida em alguns países, como sucedeu em França: «Em Portugal mantivemos uma grande diversidade de milhos, mas há países em que as mudanças na produção agrícola a diminuíram», acentuou.

Filosofia da FAO

Acrescenta Ana Maria Barata que este espaço se insere na filosofia da Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO), das Nações Unidas, de ajudar a manter a biodiversidade, actuando em países pobres que não podem ter uma estrutura deste tipo.

Frisou igualmente que o banco português opera, se necessário, no estrangeiro como sucedeu em Marrocos, numa missão conjunta com a FAO, em que foram recolhidas amostras, obedecendo ao critério de que 50 por cento do material fica para quem o colheu e o restante para o país de origem.

A responsável acentuou que os bancos internacionais obedecem a regras da FAO, segundo as quais qualquer cedência a outrem de materiais de um dos seus membros só pode ser feita com a sua autorização.

 

Cores de Outono

Maria Pretonilho

Fofa, a manhã na janela
saúda-me ao acordar
há tantas nuvens branquinhas
e uns laivos de azul
fininhos
opondo-se a navegar
de repente asas passam
e um grito abala o ar
uma gaivota ladina
demanda o brilho do mar.