Pagª 21 - EDIÇAO NºXXVI , IVº NUMERO DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS
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Fernandes.
O PARNASIANISMO DE FLORBELA ESPANCA
(Continuação - ver Início)
De acordo com tais cânones, Bilac tornou-se o cinzelador dos sonetos talvez mais
perfeitos da língua, na tradição de Bocage, com decassílabos rigorosos, imagens
sóbrias, riqueza métrica, de suma elegância e sonoridade, que conquistam o
leitor sobretudo por se aliarem a um sensualismo ardente, óbvia impregnação das
teorias realistas.
Olavo Bilac
Língua Portuguesa
Ultima flor do Lácio, inculta e bela,
Es, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela... (...)
Este poema de Olavo Bilac poderia muito bem ser emparelhado a alguns de Bocage,
pelo que achamos útil fazer aqui algumas referências a Manuel Maria Barbosa Du
Bocage, socorrendo-nos em primeira fonte de António José Saraiva e Oscar Lopes:
«(…) A arte versificatória (de Bocage) sobretudo o soneto, tem tido muitos
admiradores, entre os quais se destaca o parnasiano brasileiro Olavo Bilac. (…)
O que o distingue melhor é a matéria psicológica que traz pela primeira vez à
poesia portuguesa: o sentimento agudo da personalidade, o horror do
aniquilamento na morte. (…)»
De reparar aqui, a este tema voltaremos as vezes que tal se torne necessário,
que existe já neste iniciar de corrente psicológica, uma negação ainda que ténue
do regresso à terra (feitura em pó difundido pela religião) e a referência a um
desejo de imortalidade, que atravessa todos os séculos mas que aqui se reveste
de características muito específicas.
Não se aceita a ressurreição pura e simples do cristianismo imperante, mas sim
uma continuidade imediata da vida ainda que sob forma não física.
O medo da
morte só existe se ela não representar algo que continua de forma imediata para
além dela, ou seja, um renascimento ainda que o processo implique uma redução
transitória ao nada. E esta problemática encontra-se expressa um pouco em toda a
escrita de Florbela Espanca ( especialmente nas suas referências à Fénix ).
Continuando com Bocage…«(…)Tal egotismo percebe-se ainda na maneira abstracta e
retórica com que, em nome da Razão, se revolta contra a humilhação da
dependência e contra o despotismo; no gosto do fúnebre e do nocturno, e nos
clamores não menos retóricos de ciúme, de blasfémia ou contrição…) Esse gosto
tão romântico do funéreo e tenebroso percorre grande parte da poesia de Bocage.(…)
Não se sabe em que medida isto é simples saborear de uma estética (dantesca,
shakespeariana, e, então, romântica) do locus horrendus que vira do avesso o
locus amoenos do pastoralismo clássico; em que medida o poeta é efectivamente
presa de uma obsessão irracional incontrolável, uma espécie de pavor sagrado à
procura de imagens; ou em que medida isso traduz uma ânsia, ao mesmo tempo
inextinguível e medrosa, de abarcar numa consciência humana todos os medos e
dores que ela, espontaneamente, evita, que ela mal enfrenta sem se desagregar.
(…) O egocentrismo de Bocage, manifestado em constantes vocativos a Elmano, ao
Desgraçado, em constantes pronomes na primeira pessoa, na sua confiança em
renome póstumo, no próprio auto-retrato do famoso soneto «magro, de olhos
azuis, carão moreno» e de outras poesias (…)»
Fazemos aqui referência a um aspecto igualmente recorrente numa parte substancial
dos poetas e autores desta corrente psicológica: O renome póstumo.
Este aparece
talvez como a última forma possível de continuidade para além da morte, mas
seria demasiado fácil aceitar-se que o objectivo profundo de tal reclamação seja
exclusivamente ou só isso mesmo.
Vendo o Diário de Florbela do dia 24 de Janeiro de 1930 encontramos esta
referência:
«(…)O Diário de Maria Bashkirtseff é qualquer coisa de profundamente triste, de
tragicamente humano. Só não compreendo naquela grande alma o medo da morte. O
espectro da morte, a ideia da morte, apavora-a, espanta-a, indigna-a. É a sua
única fraqueza :«Il faudra donc mourir, misérable. Mourir ? J’en ai très peur…Et
je ne veut pas…Je veux vivre, moi, quand même et malgré tout…Mon corps pleure et
crie mais quelquer chose qui est au-dessus de moi, se réjouit de vivre, quand
même… »
Mas que imensa alma ! Queria o amor, queria a glória, o poder, a riqueza, queria
a felicidade, queria tudo. E morreu com pouco mais de vinte anos, gritando até
ao fim que não queria morrer.
Como não compreendeu ela que o único remate possível à cúpula do seu maravilhoso
palácio de quimeras, de ambições, de amor, de glória, poderia apenas ser
realizado por essas linhas serenas, puríssimas, indecifráveis, que só a morte
sabe esculpir?
Os seus vinte anos não chegaram a compreender o alto e supremo símbolo das mãos
que se cruzam, vazias dessa maré de sonhos que a vida, amargo fluxo e refluxo,
leva e traz constantemente.
Princezinha exilada, porque não soubeste tu murmurar, encolhendo os ombros, o
teu doce e sereno «nitechevo» de eslava?"(…)»
Contudo, o que se assiste aqui é a uma interpretação (provavelmente motivada por
edições pouco fiéis do Diário de Maria Bashkirtseff que só nos anos 60 deste
século foram devidamente depuradas) que realçam a chamada fase da recusa da
mesma artista confrontada com a tuberculose incurável na época, desvanecida esta
ideia por afirmações posteriores da mesma onde se nota, não propriamente um
elogio da morte (ou do estado de morte) como o faz Florbela, mas sim a uma
aceitação da inevitabilidade e o desejo de ficar conhecida (para além da morte)
quanto mais não seja através das afirmações contidas no seu diário. De qualquer
forma não deixa de ser sintomático que a observações de Florbela se debrucem
preferencialmente (com edição menos clara ou não dos Diários de Maria Bashkirtseff) sobre este plano que lhe é tão caro, a morte familiar, a morte
familiarizada, a morte companheira.
«(…) Em Agosto de 1928, cerca de um ano depois da morte do irmão, Florbela
Espanca tenta suicidar-se. Segue-se uma segunda tentativa de suicídio em
Novembro de 1930. No dia 8 de Dezembro desse mesmo ano, no dia do seu
aniversário (já o seu casamento se havia realizado nesse mesmo dia) foi
encontrada morta num quarto em Matosinhos. Debaixo do colchão foram encontrados
dois frascos de Veranol, ou seja do farmáco que tomava para conseguir dormir
(…)».
Florbela fez assim duas tentativas conhecidas de suicídio e acabou por falecer
cerca de um mês depois da sua segunda tentativa de suicídio. Nos tempos modernos
a ideação suicida e a patologia que lhe estava agregada teria sido detectada por
qualquer médico ou psiquiatra.
Contudo também para Maria Bashkirtseff a morte não será nunca o nada…poderá sim
ser o pouco uma vez que ela nunca saberá que foi precisamente a publicação do
seu diário que a tornou conhecida muito para além da sua obra como artista.
(…)«Je meurs, c'est logique, mais horrible. Il y a tant de choses intéressantes
dans la vie!»
«À quoi bon mentir ou poser? C'est évident que j'ai le désir sinon l'espoir de
rester sur cette terre par quelque moyen que ce soit. Si je ne meurs pas jeune,
j'espère rester une grande artiste, mais si je meurs jeune, je vais permettre de
publier mon Journal qui ne peut être moins qu'intéressant». (…) In Diário de
Maria Bashkirtseff .
Contudo, e regressando a Olavo Bilac, o espírito e o cuidado da poética que
fundamenta o espírito e a prática do parnasianismo são declaradamente expressos
neste clássico a que sugestivamente é dado o nome de Profissão de Fé:
Profissão de Fé
Le poète est ciseleur,
Le ciseleur est poète.
Victor Hugo.
Não quero o Zeus Capitolino
Hercúleo e belo,
Talhar no mármore divino
Com o camartelo.
Que outro – não eu! - a pedra corte
Para, brutal,
Erguer de Atene o altivo porte
Descomunal. (...)
Ora, o parnasianismo, com o seu cinzelado formal e aparecendo como reacção ao
romantismo é, desde logo, uma estética de elite para elites, donde se destaca
desde logo também da poética de Bocage acusada, apesar do seu hermetismo formal
e temático, de se afastar o suficiente do elitismo formal ( caindo por vezes na
rua, que é, nesta época, o Romantismo ).
Florbela Espanca, não tão aprimorada como Bilac é, de facto uma cultora da
forma. Urbano Tavares Rodrigues aponta-lhe algumas rimas forçadas...mas os seus
versos, por exemplo, são todos decassilábicos o que não quer dizer muito mas
serve como exemplo da existência de algum rigor formal na sua escrita e serve
mesmo de informação sobre o facto de Florbela não sofrer de uma Depressão
bipolar ( vulgo maníaca - depressiva ). O rigor da forma é incompatível com esta
patologia...
Aliás, Nuno Júdice, referindo-se a este facto, ao formalismo Florbeliano, diz: «
Florbela adopta um modo de expressão, o soneto decassilábico, consagrado por um
uso que vai de Camões até Antero de Quental – o que torna tanto mais excepcional
o seu caso, uma vez que ela consegue, de facto, revitalizar esse género
poético.»(…)
Contudo, torna-se para mim evidente que Florbela sendo Parnasiana pela forma, nada um muito pouco tem de facto com a envolvência psicológica dos parnasianos.
É sabido, que a natureza tem a sua própria regra, linguagem e código.
Mas, é a cada um de nós, que cabe interpretar as inter-linhas dessa
«dádiva divina», aproveitando com sabedoria e inteligência a sua
«delicada essência». As flores são bem o exemplo disso. Num jardim
exterior, em vasos dentro de casa, devem ser sempre cuidadosamente
tratadas e mimadas. Qualquer que seja a sua cor, no Feng Shui,
considera-se que plantas e flores devem ser colocadas de acordo com as
áreas da vida que cada um deseja revitalizar, dado serem extremamente
benéficas, encorajando abundâncias energéticas de Chi.
Se, agora, olharmos para a enorme variedade de rosas, verificamos que
cabe às rosas brancas verem o essencial de uma situação, às amarelas
desinibirem discussões intelectuais e aprendizagens e, às vermelhas
simbolizarem a beleza. Quanto à verdadeira ex-líbris do amor não é a tão
«apregoada rosa cor-de-rosa», mas de facto, a bonita e elegante tulipa
vermelha. Já a malva-rosa, é por si só um bom símbolo de fertilidade. Se
antes, se pretender estabelecer e manter o equilíbrio entre as mais
variadas relações, as eleitas serão indiscutivelmente as centáureas
azuis.
Continuando a percorrer este magnífico «mundo florido», verificamos que
aqui tal como em outras áreas da vida, há sempre o preferido, principal
ou essencial. Nessa perspectiva, o pódio vai para a peónia (sobretudo
quando floresce), com o seu simbolismo intenso impregnando riqueza,
honra, amor e grande fortuna.
Em segundo lugar, representando a felicidade e o riso, vêm os
crisântemos, sendo frequentemente espalhados pela casa para simbolizarem
e reforçarem uma vida de conforto e de facilidade. Em terceiro lugar e a
par, as magnólias brancas e as orquídeas que simbolizam doçura, bom
gosto e feminilidade.
Ainda no lote das favoritas, está ainda, a que é a minha «menina dos
olhos». Ela é nada mais, nada menos do que a flor sagrada dos budistas:
o lótus. Simboliza pureza e para tal compreendermos, basta lembrarmo-nos
que esta doce plantinha surgida em águas lamacentas, permanece na
superfície, triunfante e esplendorosa. Espalhado pela casa, estimula a
paz, tranquilidade, criatividade e crescimento espiritual.
Como vêem, pois, e na boa verdade, tudo tem mesmo um conteúdo e mensagem
muito própria e específica…
Lembrem-se pois, de pensarem carinhosamente no assunto e de terem a
certeza que o melhor, é mesmo não se fazerem julgamentos...
A Distância entre nós
Sandra Fayad
Há uma distância entre tu e eu
Cláustros de silêncios
Maria Petronilho
há claustros nas minha horas
VER E SENTIR
Cristina Maia Caetano
(XXVI)
Assim, se em dada habitação, os ocupantes desejam proteger os membros da
família de acidentes e mantê-los com boa saúde, os dentes de leão são as
ideias para esses fins, que para além disso ainda podem favorecer a
mesma família com um bom dinheiro. Se o objectivo for com dinheiro
relacionado, o azevinho serve com perfeição tal melindrosa incumbência.
Se antes, a família quiser uns filhos sempre saudáveis, a escolha deverá
então recair para as begónias. E como a amizade e o afecto são factores
indispensáveis na boa harmonia familiar, o jasmim, é sem dúvida uma mais
valia em qualquer relvado ajardinado de uma qualquer casa.
Aliando a «espécie» à cor, é também possível depreender vários e
distintos significados. Se os gerânios vermelhos atraem a prosperidade,
já os gerânios brancos garantem paz de espírito, encorajando ainda
sonhos agradáveis. Na senda da espiritualidade, também o narciso amarelo
tem as suas qualificações que permitem o encorajamento da abertura de
espírito, a generosidade e a comunicação. 

Que não se mede em quilômetros
Ou horas que o carro percorreu.
Tão pouco é medida em centímetros
Ou segundos que o atleta venceu.
Entre nós a distância é de valores
Limitada por barreiras invisíveis.
Tem diferentes formas de amores
Palavras há tempos inconcebíveis
Com sons ruidosos e novas cores.
Para ti distante é o tempo futuro.
Meu presente faz parte do passado.
Entre ambos ergueste um muro,
E segues apenas de um lado
Mais veloz, porém menos seguro.
Nos auto-serviços vais com afã.
Queres bigs, fanta MAIS quarteirões.
Tua linguagem me parece anã,
Mas sigo à risca tuas orientações
E da janela caem tortas de maçã.
Ainda com o carro em movimento
Desembrulhas tudo com facilidade.
Abocanhas pão sovado, regas condimento,
Enquanto percorremos a cidade,
Comes fritas e refri vais sorvendo.
Fascinada com tudo na verdade,
Percebo como é difícil alcançar-te,
Mas mantenho a pose típica da minha idade
E decido ainda aconselhar-te:
-Coma devagar, para melhor digestibilidade.
(Diplomada pela classificação com louvores, na Categoria «Consagrados»,
na III Olimpíada Cultural -500 anos da Língua Portuguesa no Brasil, 1º
semestre de 2006).
em que vagueio silêncios
aqueles onde me escuto
e em nitidez me vejo
e em maior clareza penso
meus escuros olhos remoço
vivo no tempo absoluto
onde me acho e me amo.
o meu tímido sorriso
dulcifica-me o rosto
todas as tristezas esqueço
ao vaguear, no meu claustro