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Pagª 2- EDIÇAO NºXXVI, IVº NUMERO  DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   

Continuação da Coluna Um (Ver início)

Dito isto, e sabendo-se que a Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1789 e seguintes acrescentos tem atrás de si uma filosofia inversa àquela que declara, o «todos os homens são iguais, etc. etc.» tinha por fito principal não o de dar os mesmos direitos a todos mas sim retirar os direitos de sangue (nobre) aos outros.

Os homens são iguais, nominalmente (a burguesia francesa calculou mal o tiro e ficou o princípio) mas todos são iguais segundo as suas possibilidades. Ora as pessoas para terem um mínimo de possibilidades de frequentarem por exemplo estudos superiores, não lhes basta terem propinas pagas, ou inclusivamente, nos melhores casos de esforço social terem direito a um quarto e alimentação.

Há todo um passado que tem de ser cumprido: condições económicas e familiares para adquirirem o back ground que lhes será necessário nessa fase e antes disso, as mesmas condições para chegaram e irem saltando progressivamente os diversos degraus. Mas ao menos existe a potência (despida ou mais vestida de actos).

Contudo, logo que alguém se lamenta, vêm-lhe à ideia os campos de refugiados mais ou menos miseráveis (para além de serem campos de refugiados) e a ideia de que se ele está mal, outros ainda estão pior, é uma ideia que se implanta , que cria raízes e a partir do seu primeiro aparecimento passa a fazer parte dele - de nós.

Ora, para todos os efeitos, pensado isso, nem os refugiados do Gabão, nem a pessoa que pensa isso ficaram melhor do que estavam e quem pensou assim ficou mesmo pior porque amputou a sua própria capacidade reivindicativa.

Solução há uma: intervir no exemplarmente referido Gabão e na sua própria situação. Pode parecer difícil, mas só assim se quebra este ciclo vicioso.

 

Continuação da Crónica de Arlete Piedade - Dia Mundial de Combate à Seca e Desertificação -17 de Junho (Ver Início)

Para os nosso leitores que desconhecem a geografia destes locais, esclareço que o deserto do Sara, se localiza no norte de �frica, sendo que este continente está separado da Europa pelo Mar Mediterrâneo, e do sul de Portugal pelo estreito de Gibraltar, ponto de união deste mar com o Oceano Atlântico.

Milhares de quilómetros nos separam, através do mar e de parte do continente africano, no entanto tal facto não consegue afastar o fantasma do deserto que vem avançando para norte.

Mas não é só o avanço dos desertos, que provoca seca e desertificação no Alentejo e em mais países do mundo, nomeadamente no Brasil e em mais uma centena de países através do globo.

Também as más práticas agrícolas, o uso intensivo do solo em culturas desadequadas ás regiões onde têm lugar, o consumo desenfreado da água em regas intensivas que invadem os lençóis de água subterrâneos e os esgotam ao ponto de secarem os poços em quilómetros em redor dos locais dessas culturas, são causa para a seca e desertificação.

Aqui mesmo perto de onde vivo, a sul do rio Tejo nesta zona de planície, as culturas de verão, como tomate, melão, pimentos e outras, necessitam para crescer e fazer amadurecer os frutos e legumes, de estarem a ser constantemente regadas através de canhões de água ligados a motores que sugam a água directamente dos lençóis subterrâneos.

Cada ano que passa as dificuldades de rega aumentam, com o assoreamento e afundamento dos caudais de água, obrigando a maior esforço de rega e mais despesas. Até que as terras terão que ser abandonadas por improdutivas e a desertificação se irá instalando.

Uma vez esse processo iniciado, a actividade económica também diminuiu, as famílias passam a viver com mais dificuldades e as necessidades sociais também aumentam.

Quando eu era criança, os meus avós e pais, assim como as outras pessoas na aldeia praticavam agricultura de subsistência, adaptada aos solos e ás suas necessidades pessoais, para consumo próprio.

No verão faziam hortas, no inverno o solo descansava, na primavera semeavam batatas e trigo e milho. Em cada local cultivavam o que a terra poderia sustentar e estava mais apropriado para crescer e não esgotar recursos.

Por exemplo se havia água num local cultivavam plantas que necessitavam de ser regadas, se não havia água, cultivavam plantas que cresciam sem necessidade de regas.

Assim não esgotavam recursos e as terras mantinham-se produtivas. Mas depois os filhos passaram a viver nas cidades, as terras foram abandonadas, o mato e as árvores invadiram tudo e no verão com o aumento das temperaturas, os incêndios florestais foram aumentando de frequência, e de ano para ano consumindo hectares de árvores e floresta, bem como secando os solos ardidos.

Ficam nos terrenos os detritos dos incêndios, tocos ardidos e ramos, e quando começam as chuvas de inverno, se não forem os terrenos limpos, crescem mais árvores, os ramos rebentam das que arderam voltam a rebentar, as ervas crescem de novo e os incêndios voltam a atacar.

Estamos assim num ciclo vicioso que tem destruído as terras e as florestas do nosso país, e certamente de muitos outros por causas idênticas ou parecidas.

Começámos há décadas a viver num estilo de vida consumista e improdutivo, com as terras de cultivo dos nossos antepassados ao abandono, dependentes de grandes superfícies comerciais que estão nas mãos de meia dúzia de famílias, e para isso temos que ter dinheiro para pagarmos a nossa alimentação e dos nosso filhos, enquanto o nosso país arde ao abandono, o deserto avança e no futuro podemos ter que voltar a cultivar os nossos alimentos.

Enquanto isso os agricultores modernos, transformam a agricultura de subsistência de outrora numa industria de exploração dos solos até que a ruína e devastação de recursos não sejam mais suportáveis, porque só cultivam para cumprirem os contratos de fornecimento com as fábricas de produtos alimentares, e não sabem cultivar um alimento para a família.

Mas tudo isto acontece também por razões políticas e de estado e por aplicação das normas europeias, que tudo reduzem a estatísticas e normas de conformidade e uniformização.

Bem que agora já estão a concluir que uniformizar é contra a biodiversidade e não temos todos que comer laranjas com o mesmo diâmetro, nem alfaces com o mesmo tipo de folha verde frisada e que afinal a uniformização é contra as normas naturais.

Concluíram que temos que promover a biodiversidade, senão os nossos filhos nem chegarão a saber que havia grãos, feijões de várias cores, maçãs grandes e pequenas, verdes, amarelas, vermelhas e com manchas.

Então vamos todos reflectir e tentar ver como poderemos colaborar com a nossa mãe natureza cuidando dos nossos recursos naturais, promovendo um tipo de agricultura que não destrua os recursos que temos o dever de preservar para as próximas gerações, cuidando e limpando as matas, reutilizando a água sem desperdiçar, evitando usar os sacos de plástico que poluem os cursos de agua e acabam por invadir os oceanos provocando danos na população marinha devido ás centenas de anos que demoram a decompor-se na natureza.

Se cada um de nós fizer uma parte, estaremos a contribuir para cuidar da nossa herança e transmiti-la aos nossos filhos como a nós foi deixada.

Arlete Piedade

(Ver o Poema Mão Negra e apresentação P.Point-pps)

Veja  vídeo de Arlete Piedade em 2007 na II EPAC (II Encontro de Poetas Abralianos e Convidados) realizado em  Almeirim - Portugal.

 

Nossa faca é cega.

Por Haroldo P. Barboza

Por centenas de vezes, ouvimos notícias sobre o futuro esgotamento das reservas de petróleo na Europa e na América do Norte.

Exibem gráficos e mapas que indicam uma tolerância para mais 15/20 anos. No entanto, devemos suspeitar que isto pode fazer parte de uma encenação (como nas pesquisas eleitorais) para que acreditemos em tal fato. Pois eles não seriam tolos a ponto de permitir que um bem estratégico deste porte, tivesse seu estoque reduzido a zero num curto espaço de tempo, deixando-os menos fortes em relação aos seus subjugados.

É de se imaginar que possuam reservas maiores e pretendam preserva-las até que descubram uma fonte de energia similar ou superior, cuja estrutura de manutenção seja viável e lhes permita continuar dando as cartas no planeta e obtendo lucros vantajosos.

Logo, é natural que montem artifícios de modo a capturar o petróleo alheio. E por isto estão avançando sobre alguns países. Nós estamos na pauta de prioridades – mas o Iraque é a bola da vez.

Contaminam-nos com seus alimentos ricos em gorduras do tipo carne triturada de origem duvidosa nos Mc Donalds da vida e suas palavras que poluem e contaminam nosso vocabulário nacional através da propaganda comercial maciça.

Provocam conflitos localizados para fabricarem terroristas virtuais. Com isto criam motivos para instalar bases de apoio e «proteção» em território alheio.

A falha é nossa, em concordar que tal aconteça e ainda aceitemos a tudo com um sorriso nos lábios. Logo o Brasil, que além de muito petróleo (não revelam nosso verdadeiro potencial), tem muita AGUA, que se tornará uma moeda forte em menos de 50 anos e um clima admirável para plantar e alimentar o resto do mundo por mais 500 anos!

Se tivéssemos dirigentes com visão no SEMPRE certamente estaríamos num patamar mais elevado. Quem tem visão no futuro só enxerga os próximos 10 anos. Se nossos líderes fossem isentos da ganância pessoal (se fossem patriotas, usariam esta característica em prol da terra de seus filhos), estaríamos sentados à mesa opinando onde as condutas mundiais são definidas. E seríamos ouvidos em igualdade de condições, de cabeça erguida!

Portanto, já está mais do que na hora de darmos um basta nesta situação e abolirmos os ídolos que incutiram em nossas mentes durante décadas através dos enlatados cinematográficos e dos joguinhos de vídeo: Tarzan, Batman, Mickey e outros patos e patetas de mesmo quilate (por onde anda nosso Jerônimo, o herói do sertão?).

Contrariemos a elite dominante: deixemos de comprar revistas dos bonecos estrangeiros (um dos itens que cito em «greve branca») e passemos a idolatrar os líderes nativos, que sustentaram a Inconfidência Mineira, a guerra de Canudos e outros eventos de porte similar e que deveriam servir de modelos às nossas crianças no lugar de vencedores do «big bobo Brasil» que possuem enorme dificuldade em elaborar uma frase com mais de 5 palavras.

A morte de nossos ídolos, algumas vezes de forma dolorosa nas mãos dos adversários, não significa a derrota dos ideais pelos quais lutaram com bravura. Pelo contrário. Servem como adubo para manter viva a árvore de nossa dignidade, que tem tudo para produzir um orgulho brilhante pela nossa unidade.

Quem é tetra (penta, hexa) neto destes valorosos brasileiros, faça por merecer este título. Incutam nas mentes dos que os cercam, os ideais patrióticos pregados pelos bravos antepassados. Desliguem a tomada que os hipnotizam com filmes e novelas grotescas destruidoras de valores familiares.

Acreditem que podemos ser felizes sem celular, sem micro, sem automóvel e sem fumar o cigarro que anestesia a boiada (nós) a ser conduzida no curral. Fora com as urnas eleitorais virtuais camufladas e viciadas!

Na desunião da família nasce a desagregação que abre caminhos para a invasão da cultura dos gananciosos condutores de drogas e armas. No lugar do rock, cantemos nossos belos hinos bem letrados. Por que no início das aulas nas escolas já não cantamos o Hino Nacional?

A generosa Natureza nos oferece tantas oportunidades saudáveis de lazer quase de graça. E não sabemos explora-las para captar dólares dos ávidos turistas ansiosos por usufruir destes tesouros inesgotáveis (desde que bem conservados) que os deuses colocaram em nossas mãos e estamos abandonando e destruindo sem contemplação.

Observe que Cuba sobreviveu (mesmo sem luxo) por dezenas de anos apesar do embargo econômico a que foi condenada. E os índices de analfabetismo e doenças são várias vezes menores proporcionalmente aos nossos, que vivemos cercados de tecnologias (sucatas) que não nos pertencem e só servem para ajudar a aumentar nossa suspeita dívida externa.

Se fosse possível abrir uma CPI para este assunto, acabaríamos descobrindo que na verdade nós somos os credores. E passaríamos a fatiar o queijo com nossa faca.

 

Senado sen(t)ado.

Por Haroldo P. Barboza

Na verdade ele deveria estar de joelhos. Pedindo perdão à nação, cujos habitantes trabalham 4 meses para pagar as abusivas mordomias que os próprios legisladores editaram para uso da corporação (que evoluiu para a «gangue da caneta maldita»). Só em Brasília, o custo das estruturas montadas na esplanada passa de R$ 2,5 BI por ano.
E o povo anestesiado pelas esfregações que acontecem nas camas do Big Besta Brasil e das novelas sem mensagens éticas que se multiplicam nas emissoras de tv, não se dá conta do quanto a manutenção deste antro apodrecido é lesiva ao futuro de seus herdeiros. Estes, envolvidos pela falta de oportunidade de trabalho e pela abundância de drogas (já entregam encomendas a domicílio), dentro de 10 ou 20 anos não saberão pronunciar a palavra «direitos». Quanto mais soletra-la!
Os raros elementos de boa índole que habitam as luxuosas instalações onde outrora já tivemos nomes de alta qualidade moral deveriam demonstrar a vergonha que sentem em serem liderados por figuras que concordam com as «medidas secretas» que engordam suas contas bancárias à custa do sacrifício popular, que abre mão de escolas, clínicas, habitações, empregos e segurança. Mas preferem o silêncio temendo represálias que prejudiquem suas carreiras políticas.
A desfaçatez dos envolvidos em dizer que de «nada sabiam» sobre parentes empregados, auxílios depositados em suas contas ao longo dos anos e «comissões» em contratos lesivos, surpreende até os humoristas que nos divertem semanalmente. E tem coragem de dizer que «dedicaram» mais de 50 anos a favor da nação! Como mamaram, hein!
Para um povo que se acomodou e formadores de opinião que se acovardaram (ou foram «presenteados»), esta desculpa já é suficiente para «acreditar» que tudo não passou de um mal entendido com o único objetivo em denegrir a pomposa «casa» (de prostituição moral).
O cenário não vai mudar nos próximos 100 anos pelos seguintes motivos:
- o povo não tem consciência do quanto é espoliado para protestar com organização. Acostumou-se a rastejar na lama sob as botas de seus algozes e se satisfaz quando encontra restos de caviar nas latas de lixo;
- a imprensa imprensada logo vai trocar as manchetes da 1ª. página por gols da seleção de futebol para não perder polpudos patrocínios de empresas que financiam este caos moral;
- a «justiça» está de olhos bem vendados e com a balança repleta de moedas;
- a religião (qualquer que seja) tornou-se ramo comercial – cobram por qualquer ato religioso;
- os escalões militares superiores estão com bons salários;
- os patriotas remanescentes já passaram dos setenta anos;
- os novos heróis nacionais são os chefes de organizações criminosas e as musas desnudas;
- a juventude drogada esgota sua habilidade mental nos jogos eletrônicos.