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Pagª 10 -  EDIÇAO NºXXVI , IVº NUMERO  DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   


COPACABANA E MICK JAGGER

Sandra Fayad

Nunca morei em Copacabana. No entanto, aquele Bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro sempre me pareceu familiar, desde os primeiros anos da adolescência, quando zanzava por lá durante o curto período em que morei na Rua Gustavo Sampaio, no vizinho Bairro do Leme.

Após alguns anos de ausência, visitei esse simpático lugar na semana passada, a convite da minha amiga Isa. O trecho que vai do Forte de Copacabana até o Hotel Meridien, na Av. Atlântica, beirando o mar, e suas paralelas – a Av. Nossa Senhora de Copacabana e a Rua Barata Ribeiro – tem a forma de um retângulo quase perfeito, limitado pelas montanhas no outro extremo.

É esse o espaço por onde mais gosto de transitar a pé quando vou ao Rio, pois não há como me perder. Basta decorar a seqüência das Travessas que cruzam essas Avenidas para identificar o ponto exato de localização relativa. Este aprendizado dispensa guias turísticos, mapas ou GPS. Basta que o visitante tenha disposição para caminhar e boa memória visual.

Isto já é suficiente para que eu tenha a sensação de estar em casa e, apesar de dezenas de reportagens veiculadas na mídia sobre assaltos, tiroteios, perseguições a criminosos, confesso que me sinto segura ali. De fato, nunca presenciei ou me envolvi em nenhuma ação desta natureza e nem ouvi das pessoas que vivem lá relatos sobre experiências pessoais semelhantes. É provável que tenhamos tido sorte ou sido contemplados com a proteção divina. Então não custa rezar para que permaneça assim.

É bom ver que continuam funcionando normalmente alguns pontos tradicionais como o Bar Cabral 1500, a venda de peixes frescos no cantinho do Forte, o trança-trança de turistas no imponente Copacabana Palace e em outros hotéis de luxo.

Coincidentemente, estava programada a realização do Show dos Rolling Stones, e já rolava o clima de Carnaval com Blocos, que aproveitavam o fechamento da Avenida Atlântica aos veículos para mostrar suas fantasias, batucadas e até protestos contra o Governo Local.

Envolvida na energia positiva que normalmente sinto quando ando por ali, sintonizei-me também com o clima de festa provocado pelos eventos. O sábado, que começou nublado e quente, convidava a uma longa caminhada no calçadão, onde ocorriam os retoques finais da montagem do super palco para a realização do «maior show de rock do planeta» e a chegada do público de um milhão e meio de pessoas previsto pela Rede Globo.

De fato, já caminhavam pela avenida centenas de jovens com idade aproximada de 18 anos, rumo à grande concentração. A maioria, vinda de longe, portava mochila e já apresentava sinais de cansaço no jeito de andar para lá e para cá.

Fiquei pensando em como deveriam estar preocupados os pais que permitiram aquela aventura ou que talvez nem soubessem por onde andavam os filhos.

E aqueles jovens? Será que sabiam mesmo porque foram parar ali? Será que entendiam as letras e os ritmos eletrizantes, que se espalhavam por toda a orla?

É inegável que o rock-in-roll vem atravessando gerações de talentos e fãs. Sem desmerecer o «energetic super man» Mick Jagger e seu grupo, fico questionando qual é verdadeiramente o significado de tanto investimento para reunir mais de um milhão de adolescentes em torno de um palco, em que o astro principal é um sessentão, que poderia ser avô deles e que não fala português, embora tenha um filho brasileiro.

Sessentão por sessentão, por que não promoveram um ou mais shows com um milhão de BRASILEIROS para comemorar, em PORTUGUES, os quarenta anos da Bossa Nova e da Jovem Guarda?

Estes movimentos musicais produziram tantos talentos maravilhosos, como Tom Jobim, Vinicius de Morais, Elis Regina, Jessé, Tim Maia, Cely Campelo (in memorium), Chico Buarque, Toquinho, Ney Matogrosso, Geraldo Vandré, Maria Betãnia, Gilberto Gil, Gal Costa, Rita Lee, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Wanderley Cardoso, Vanderléia, The Fevers, The Golden Boys, Os Vips, MBP-4, Quinteto Violado, Quarteto em Cy, Renato e Seus Blue Caps, Eduardo Araujo e Silvinha, Martinha, etc. muitos deles reconhecidos e admirados internacionalmente.

Como estamos em ano eleitoral, tenho a impressão que os animadores e patrocinadores do evento conseguiram mostrar aos presidenciáveis e aos demais candidatos a cargos públicos o tamanho da sua capacidade de mobilização de jovens eleitores. Ou terá sido apenas um autoteste?

Isa fez mais uma afirmativa e uma pergunta, que reproduzo para reflexão dos leitores:
- Alguém deve estar ganhando muito dinheiro com isso.
- Quem será?

 

A chuva que cai

Autora : Pequenina

A chuva que cai
Molha o meu rosto
Cansado de esperar

Mas continuarei
Mesmo que o tempo passe.
O cansaço...

Este não me vencerá!
Estarei sempre cá
A esperar.

Um dia surgirás
Como o vento
Como as chuvas...

E cá estarei
Neste mesmo lugar
A esperar...

Como o vento
Como as chuvas
Que surgem do espaço

Molhando a terra
Vencendo a seca
Dando vida as flores.

Assim, estarei a esperar...
Mesmo que o tempo se vá
Que as chuvas e o vento se calem
Que as flores, não mais tenham vida
Estarei cá, a esperar por ti...

Até o Infinito...

Pagina da Autora

 

 

 

Relações da Psicologia com a Filosofia

Daniel Teixeira

Já vimos em Aristóteles que corpo e espírito vivem em termos científicos num mesmo continente, que tanto se mascarará de natureza como de espírito, não sendo possível o estudo de um sem o outro.

Segundo H. Piéron, é preciso, logo após Aristóteles, esperar por Descartes para encontrar um filósofo que faça observações científicas sobre as funções mentais, ainda que de uma forma sumária.

Mas, apesar de se reconhecer a importância de Descartes no desenvolvimento da ciência da mente ( da psique e do nous / intelecto ), parece-nos demasiado redutor ultrapassar todo um outro conjunto de cientistas que, antes do processo liberatório da psicologia da alçada da filosofia e da metafísica, já praticavam a experiência e a teoria psicológicas ainda que sob outros títulos ou mesmo sem qualquer título relacional.

Estão neste caso, a arte ( algo divinatória e muito pouco fundada ) de conhecer o carácter das pessoas pela sua fisionomia, pela escrita, pela forma do crânio ( Porta, Sec. XVI; De la Chambre, Sec. XVII ; Champer, Lavater, depois Gall) que, colocados ainda naquele limiar da ciência / magia, procuraram respostas a problemas concretos das sociedades nas quais se incluíam. Gall através da frenologia (estudo das bossas do crânio) como mais tarde Lombroso (estudo do «criminoso congénito») pretendiam erradicar da sociedade o crime através da eliminação dos indivíduos que para ele demonstrassem tendência nas perspectivas por eles defendidas.

No caso de Gall era uma razão plástica (um crânio mal-formado ou com determinadas características coincidentes com um dado formato «criminoso» implicava um carácter mal-formado) e no caso de Lombroso ( mais recente ) a criminalidade seria hereditária ou congénita; filho / neto ou consanguíneo de criminoso tinha mais possibilidades de vir a ser criminoso, e, logo, preventivamente, havia que impedir ou o seu nascimento ou a sua continuidade como indivíduo.

Posições estas que, além de desumanas, são erros profundos que aliás se prosseguem nos dias de hoje através da tentativa da descoberta de um cromossoma comum a todos os criminosos. Noutro campo, também não isento de defeitos e virtudes (as virtudes de Gall e Lombroso são aquelas de nos ensinarem como se não deve fazer ciência) a medicina aparece como um caso único .

Nasce como arte (profissão) advinda dos poderes mágico / religiosos e pode dizer-se que a sua constituição como ciência gozou de um estatuto próprio que a própria sociedade filosófica favoreceu ignorando-a, vindo a adquirir o estatuto de ciência numa altura em que os filósofos já não tinham meios quer para a integrar nos seus sistemas, quer para a combater eficazmente.

Na verdade, se a maior parte dos cientistas da Grécia foram simultaneamente filósofos, ou preponderantemente filósofos, a esta regra escaparam os médicos, vendo a sua actividade prática engrandecer-se com o tempo com noções adquiridas em santuários e ginásios e com ensinamentos recolhidos junto de filósofos que dedicaram a sua atenção à anatomia e à fisiologia.

Alcméon de Crotona entendeu a saúde como sendo um constante equilíbrio entre diversos componentes biofisiológicos fundando o conceito que vigora actualmente como sendo saúde ; não uma ausência de doença, não uma negação da mesma como contrária mas sim uma afirmação de um estado «natural» que é ponto de partida do ser humano.

Para a psicologia (embora esta definição não seja normalmente considerada como psicológica ou relacionada com ela) fica a epistemologia deste conceito (metafísico, diga-se de passagem ) e fica ainda a descoberta do nervo óptico e a concepção de que o cérebro é o centro das sensações, o que conseguiu estabelecer estudando as doutrinas de Aristóteles, mas que procurou levar mais longe, através de autópsias, procurando os «nomos» que fazem essa ligação sensorial e canalização em duas vias – dois sentidos - para o cérebro, a que hoje se chama neurónios.

Contudo, e para o aspecto que estamos a estudar (psicologia na filosofia) o maior contributo dos médicos e da medicina terá sido o facto de terem introduzido o método experimental e fundamentado de uma forma mais consequente o empirismo que veio a redundar na base metódica da psicologia experimental de Wundt (após a passagem pelo empirismo inglês).

Igualmente há que ter em consideração o médico romano Galeno que estabeleceu a doutrina dos quatro temperamentos que ainda hoje vigora em termos de classificação: os temperamentos sanguíneo, colérico, melancólico e fleumático.

Ainda, e num outro plano, tão psicológico como epistemológico, há que referir Santo Agostinho ( 354-430 ) que, nas suas Confissões descobriu (deu à luz) dois métodos psicológicos importantes que são simultaneamente epistemológicos : o da auto-observação e o da descrição da experiência anterior, que epistemólogos recentes referem e expandem como é o caso de Wittgenstein.

 

Querida Fada das Letras

Maria Petronilho

 

 

 

Venho pelos espaços
Trazendo nos braços louros e flores!
Venho ao Bosque de sonho
Onde esqueço tudo
Aqui, és musa e o teu poema se faz voz!
Brilho de estrela, fluente palavra,
Rima ligeira, emoção profunda…
Entro na dourada bruma
E perco-me de mim!

Sigo a voz dos teus pensamentos
Que tanto ecoam nos meus!
Lembro o afecto reflectido nos teus olhos,
E a verdade do teu Ser
Poetisa, amiga e mulher!

Com sincera amizade te abraço e desejo muitos aniversários venturosos!

Maria Petronilho