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Pagª 13 - EDIÇAO NºXXVI , IVº NUMERO  DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   


Meu irmão Sá de Freitas...

Remetido por Sá de Freitas

Na foto em anexo, os alunos da Escola Municipal Evangelina Duarte Batista, em Marechal Hermes, Rio de Janeiro, onde leciono, que apresentaram a aula de Literatura sobre o escritor Sá de Freitas...

Sob orientação do professor regente, os alunos pesquisaram na internet, retiraram a sinopse biográfica do poeta e um poema do mesmo, declamaram-no para os companheiros de classe e interpretaram cada uma das estrofes, dando sua opinião sobre a experiência realizada e sobre a impressão que tiveram de você, Samuel, como pessoa e como artista de letras.

Foram aplaudidíssimos e o autor pesquisado também.

O trabalho ( em cartolina ) foi exposto nas dependências da escola para que todos conhecessem um pouco da sua vida e da sua obra.

Fiquei muito feliz por sentir o seu espírito bom povoando o nosso trabalho.

Parabéns !

Turma 1905

Prof. Luiz Gilberto de Barros ( Luiz Poeta )



Ps.: São alunos do nono ano do ensino fundamental.

Foram pesquisados alguns poetas românticos, modernos e os que chamei de contemporâneos, como você.

 

Não posso parar

Sá de Freitas

Qual pássaro a lançar-se contra o vento,
Eu procuro voar mesmo ferido,
Pelo espaço da vida.. E se abatido,
Jamais desistirei do meu intento.

Vezes há que, em meio ao sofrimento,
Tenho a impressão de ver tudo perdido,
Mas não querendo me sentir vencido,
Batalho então sem esmorecimento..

Porque a vida é um espaço a minha frente,
Que percorrer preciso com firmeza,
Mesmo que o vendaval seja inclemente...

Pois quando eu for mais velho e mais cansado,
Não quero arrepender-me com a certeza,
De estar vencido por não ter lutado.

 

O silêncio da Natureza

Trazia na face o brilho…
Do sol ao cair da tarde
Nos olhos a serenidade
Nos lábios o doce do mel
Um Anjo vindo do céu.

Sorria com tanta graça
Que a terra abriu-se sem dor
Aquecida com o seu calor
Nos ramais da liberdade
No espaço do criador.

Os galhos dos cajueiros
Cobriram-se todos em flor
Ao ver o seu visitante
Que vindo de tão distante
Cantando versos de amor.

A natureza em silêncio
Ouviam-no deslumbrada
Como num conto de fada
Na terra um seu guardião
De um reino sem aflição.

E o meu coração palpitava
Não sei se sorria, ou chorava
Se sonhava ou despertava…
E por fim estendi-lhe a mão
E voamos sem direção…

Autora: Pequenina

 

ALCOUTIM: Cinema na Camioneta

A Câmara de Alcoutim lançou o projecto «Cinema em Movimento» que já percorreu algumas aldeias do concelho e tem sido um sucesso entre os habitantes, que naquele concelho são, na sua maioria, idosos, com as lotações a esgotar diariamente.

Com cerca de uma centena de povoações dispersas pelas zonas de serra que integram o concelho, o cinema móvel foi criado para combater a solidão da população envelhecida. Com capacidade para 25 lugares sentados, o autocarro percorre duas povoações por dia, havendo uma sessão à tarde e outra à noite, acrescenta a autarquia.

Em exibição têm estado antigas películas portuguesas com actores como Vasco Santana, António Silva e Beatriz Costa.

O presidente da Câmara de Alcoutim, o médico Francisco Amaral, considera que esta é uma terapia «bastante eficaz para combater a tristeza e a depressão que aflige a maioria dos idosos da serra algarvia».

 

Amazónia em rota errada

Estratégia de desenvolvimento na Amazónia é inadequada - Revista Science publicou estudo de investigadora portuguesa

Amazónia é reconhecida pelo seu valor para a biodiversidade. Um novo estudo, publicado ontem na revista Science, concluiu que a estratégia de desenvolvimento para a Amazónia é inadequada, já que não parece resultar numa melhoria sustentada da qualidade de vida das populações.

A pesquisa, que integrou Ana Rodrigues, do Centro de Estudos em Inovação, Tecnologia e Políticas de Desenvolvimento do Departamento de Engenharia Mecânica,
do Instituto Superior Técnico, investigou a variação nos níveis de educação, esperança de vida e rendimento económico entre populações de regiões com floresta intacta, regiões em plena fronteira de desflorestação, e regiões já desflorestadas.

De acordo com os resultados obtidos, e agora publicado na revista científica, a qualidade de vida aumenta rapidamente com a chegada da fronteira, mas esta melhoria é transitória. Na prática, os indivíduos nas zonas já desflorestadas têm uma qualidade de vida tão baixa como aqueles que vivem em zonas remotas no centro da Amazónia.

Feito em colaboração com a Universidade de Cambridge (em Inglaterra), e o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazónia (no Brasil), este estudo põe em causa o modelo de desenvolvimento que tem sido seguido na Amazónia. Esta região é mundialmente reconhecida pelo seu enorme valor para a biodiversidade e como reservatório de carbono, mas uma área maior que a da França foi já desflorestada.

É também uma das zonas mais pobres do Brasil. «É geralmente assumido que a substituição das florestas por pastagens e terrenos agrícolas é o preço a pagar pelo desenvolvimento económico» explica Ana Rodrigues «mas os nossos resultados indicam que uma coisa não leva necessariamente à outra».

A investigadora portuguesa acrescenta que «o desafio agora é encontrar um modelo de desenvolvimento que resulte numa melhoria real da qualidade de vida das populações, mas sem sacrificar o valiosíssimo património natural da Amazónia».

A oportunidade para esse novo modelo está a ser criada por novas políticas e incentivos económicos, tanto no Brasil como a nível mundial. Entre estes, destaca - se um mecanismo financeiro de redução de emissões de carbono causadas por desflorestação, actualmente em discussão no âmbito das negociações pós-Quioto.

Agora que os governos do mundo estão conscientes dos riscos associados às mudanças climáticas, talvez seja reconhecido que a floresta Amazónica vale mais quando está viva do que quando é arrasada.

�rea florestal usada para agricultura e pastagens para gado Desflorestação

A floresta Amazónica em território brasileiro alberga 40 por cento de toda a floresta tropical remanescente, desempenhando um papel vital na conservação da biodiversidade e, na regulação climática à escala global.

Perto de 1,8 milhões de hectares de floresta são perdidos anualmente, correspondendo a quase um terço de toda a desflorestação tropical no planeta, e libertando cerca de 250 milhões de toneladas de carbono.

A conversão de área florestal em terrenos agrícolas ou pastagens para gado (tipicamente precedida pela extracção de madeira e queimadas) é geralmente considerada a forma mais prática de alcançar as aspirações legítimas das populações ao desenvolvimento económico.

Estudar a influência da desflorestação na qualidade de vida das populações

O estudo investigou de que forma a qualidade de vida varia através da fronteira de desflorestação, com vista a testar se o processo de desflorestação estará ou não associado a uma melhoria sustentada do bem-estar das populações.

Dados de satélite foram usados para classificar os municípios daquela região em sete classes diferentes. Estas classes descrevem a posição dos municípios em relação à fronteira de desflorestação: desde os que se encontram localizados antes da fronteira (com floresta intacta e sem desflorestação activa), passando por aqueles no auge da fronteira (muito activa), àqueles após a fronteira (já sem floresta).

A qualidade de vida foi medida através do �ndice de Desenvolvimento Humano, desenvolvido pelo Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas e publicado para cada município da Amazónia no Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil.

Este índice combina informação sobre a esperança de vida, o nível de educação e o rendimento económico.

«Desenvolvimento» enganador

Os resultados sugerem que os níveis de desenvolvimento relativo aumentam rapidamente durante as primeiras fases do processo de desflorestação, mas declinam imediatamente à medida que o processo termina e avança geograficamente.

Desflorestação afecta melhoria sustentada das populações Observa-se o mesmo padrão de crescimento-e-queda para cada um dos sub-índices considerados: rendimento económico, educação e esperança de vida.

Portanto, as pessoas que vivem nos municípios pós-fronteira têm uma qualidade de vida tão baixa como aquelas que vivem em zonas remotas no interior da floresta Amazónica.

A melhoria da qualidade de vida nas fases iniciais da desflorestação resulta provavelmente da exploração e capitalização dos recursos naturais ali encontrados (incluindo a terra, a madeira e os minerais), bem como do acréscimo em termos de acessibilidade aos mercados, por via das novas estradas (associadas à expansão da fronteira).

O subsequente declínio é possivelmente um reflexo da exaustão dos recursos naturais. A produção florestal, pecuária e agrícola declinam tanto por unidade de área como per capita, indicando uma redução geral da produtividade independentemente do aumento da população humana.

Repensar o desenvolvimento

O estudo conclui que o modelo de desenvolvimento que tem sido seguido está longe do desejável, quer em termos do desenvolvimento humano, quer em termos da conservação dos recursos naturais.

O desafio que esta região enfrenta consiste em assegurar que o desenvolvimento futuro se traduza em melhorias sustentadas do bem-estar humano sem que daí decorra a destruição da natureza e dos serviços por ela providenciados.

Não parece existir uma solução única. Os autores sugerem que será necessário aplicar um conjunto de medidas, incluindo: um melhor uso das áreas já desflorestadas, a protecção da floresta remanescente, e incentivos directos a actividades económicas baseadas na própria floresta assim como políticas que promovam a educação, e saúde das populações.

Novos mecanismos financeiros que integrem pagamentos pelos serviços dos ecossistemas terão provavelmente um papel muito importante. Entre estes, um mecanismo financeiro global com vista à redução das emissões provenientes da desflorestação, actualmente a ser negociado ao abrigo da Convenção das Nações Unidas de Combate às Alterações Climáticas.

O Brasil, com as suas substanciais reservas de carbono e capacidade técnica de monitorização das alterações da floresta, é seguramente o país melhor posicionado para implementar esta iniciativa e dela tirar benefícios.