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Pagª 25 - EDIÇAO NºXXIV, IIº NUMERO  DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo - Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   

A arte do sagrado por um sacerdote contemporâneo

 

Aos 92 anos, Mestre Didi abre exposição individual com meia centena de esculturas no Museu Afro Brasil até 10 de julho.

Mestre Didi é um sacerdote artista. Exprime, através da criação estética, uma arraigada intimidade com seu universo existencial, onde acestralidade e visão de mundo africano se fundem com sua experiência de vida baiana. Completamente integrado com o universo nagô de origem yorubana, revela em suas obras uma inspiração mitica, formal, material. A linguagem nagô com a qual se expresssa é o discurso sobre a experiência do sagrado, que se manifesta por meio de uma simbologia formal e de carater estético.

No entanto, para gostar da mostra, não é preciso conhecer os cultos ancestrais afro-brasileiros ou o significado da meia centena de esculturas reunidas pelo curador da exposição e fundador do Museu Afro Brasil, o também escultor Emanoel Araújo.

Embora não tenha a autonomia formal de uma escultura de Picasso, que se inspirou na arte africana mas não era religioso, a obra de Mestre Didi pode - mas não deve - ser apreciada como um mero exercício de composição estética.

Mestre Didi realiza a continuidade Brasil-Africa a partir do histórico de sua própria família Asipá, reecontrada após 5 gerações em Ketu. Sua família no Brasil já era reconhecida como uma das mais antigas linhagens da tradição Nagô. Ele sobressai na fundação e na expansão socio-cultural e religiosa das comunidades-terreiro na Bahia.

O ponto culminante do reencontro se deu quando, no palácio de Ketu, após o reconhecimento do Alaketu, rei de Ketu, e recitado o seu Oriki Mestre Didi foi apresentado aos parentes Asipá e convidado a conhecer o Ojubo Ode, o assentamento de Oxossi patrono da família e das comunidades Ketu na Bahia.



Na exposição estão reunidas obras que prestam reverência aos ancestrais e respeitam as relações míticas sem desprezar o olhar dos vivos - e é conveniente lembrar que, para os primeiros habitantes do planeta, não havia distinção entre o mundo natural e sobrenatural.

Didi é contemporâneo, no sentido de realizar uma arte subjetiva por um viés afro-brasileiro, e não tem discípulos, como tiveram líderes da vanguarda artística histórica. Seria preciso, talvez, que esses se libertassem das ideologias que deformaram a civilização africana e se curvassem aos ensinamentos ancestrais para construir algo além de uma imitação da arte de mestre Didi, presente em museus internacionais e homenageado na 23ª Bienal Internacional de São Paulo com uma sala especial.

 


4º Festival Internacional de Blues de Gaia

Alvin Lee, o virtuoso guitarrista que liderou até 1974 os britânicos Ten Years After (banda que se mantém com o seu irmão e baterista Ric Lee e que actuou em Gaia no ano passado), abre a 4ª edição do Douro Blues - Festival Internacional de Blues de Gaia, a 29 de Maio, no Teatro da Avenida.

Com um espectáculo cuja primeira parte está a cargo dos Mr. Blues - quinteto de Carcavelos que promete «performances absolutamente vibrantes e enérgicas» - Alvin Lee mostra desde logo que o Douro Blues regressa com um elevado nível.

Aliás, a segunda noite tem como cabeça de cartaz outro nome igualmente sonante: John Lee Hooker Jr. Antecedido pela enérgica formação galega Bukowski Trio, o filho de John Lee Hooker, o maior bluesman de todos os tempos, segue as pegadas do pai criando o seu estilo com um blues mais eléctrico e mais marcado, mas ao mesmo tempo com uma voz que denuncia as origens?

O norte-americano encerra a primeira parte do Douro Blues que, à semelhança do ano passado, descerá depois até à Serra do Pilar para mais duas grandes noites de blues ao ar livre, em Junho: Little Albert Boogie Band, Diunna Greenleaf, Los Reyes Del KO e a mítica banda britânica The Animals.

 

 

A.M.Lisboa: plataforma transcultural para o século XXI?

Culturgest : conferências

As indústrias criativas são um potencial para o desenvolvimento económico das regiões pois podem contribuir para a sua internacionalização e para a revitalização de zonas urbanas deprimidas. A.M.Lisboa: plataforma transcultural para o século XXI? é uma iniciativa que propõe equacionar a viabilidade de um projecto integrado, conjugando as sinergias criadas em redor da vocação da �rea Metropolitana de Lisboa para acolher novos talentos e projectos inovadores nas disciplinas da arquitectura, mercado de artes visuais e antiguidades, audiovisuais (televisão e rádio), artes performativas e entretenimento, cinema e vídeo, design (gráfico e produto), escrita e publicação, moda, música, software educacional e lazer, publicidade e gastronomia, através de projectos transdisciplinares