Pagª 29 - EDIÇAO NºXXIV, IIº NUMERO DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes.
A COLUNA DE Jorge M. Pinto
CASOS AO ACASO
Nota introdutória elucidativa:
(Essencial à compreensão de quanto se relata...). (Ver esta nota no
seguinte endereço:
Arquivo
IV. )
Adaptação progressiva..
- Uma povoação no sul de Angola (antiga Porto Alexandre, hoje Tômbua) era afamada pela fertilidade dos seus mares e conseqüente grande número de fábricas de peixe - salgas - que nela estavam instaladas e por abrigar autênticas nuvens de moscas.
De tal modo eram abundantes que os moradores diziam haver obrigatoriamente um período de quatro semanas para que qualquer um se adaptasse à vida na povoação:
Na primeira semana, recusava-se a sopa sob a alegação de que nela havia caído mosca:
Na segunda, retirava-se a mosca, e comia-se a sopa;
Na terceira, comia-se a sopa e a mosca, e
Na quarta e seguintes, não se comia sopa sem «a mosca que por direito lhe cabia....»
TECNICOS EM ELECTRONICA...
- Também no sul de Angola, (Vila Arriaga, posteriormente BIBALA) estava colocado um Auxiliar de Veterinária (J.C.) que tinha em casa uma autêntica jóia.
Um aparelho de rádio (raros, na época e no lugar) «movido» a baterias que a todos fazia inveja.
Imenso gigante, continha-se num belo e polido móvel de madeira com, no mínimo, metro e meio de altura e proporcionais comprimento e largura.
Era o nosso enleio, o nosso xodó, o alvo de todos os nossos desvelos...
Certa feita, o aparelho emudeceu ! Não trabalhava mais !
Viviam-se os anos 40 e a falta de técnicos de rádio nos sertões angolanos era a gritante realidade pelo que todos, maiores e mais pequenos, cada um do seu jeito, tentávamos solucionar a avaria dando palpites, soprando, pincelando as poeiras acumuladas por entre as válvulas, tocando potenciómetros, variómetros e ajeitando as autênticas meadas de fios de todas as cores que sem qualquer ordem aparente formavam grossos ou mais finos feixes vindos não sabíamos de onde por completo lhes ignorando também os respectivos destinos.
A custa de nenhum saber e equivalente experiência, por mera remoção de poeiras e aconchego de peças, todos tentávamos remediar a panne mas, evidentemente, sem qualquer resultado prático!
Sobre o enorme e luxuoso móvel mantinha o seu dono uma jarra com flores cujo instável equilíbrio se quebrou no momento em que um dos técnicos no seu afã de toques e sopradelas, lhe aplicou um safanão mais violento.
Tombado o vaso,... derrama-se a água contida e, ... milagre: O rádio recomeçou a funcionar.
A partir desse momento, logo que lhe dava o colapso havia uma alma caridosa que, prestimosa, de pronto lhe jogava um jarro de água.
Com isso e sem mais interrupções, os serões do sertão africano voltaram a ter notícias e animadas sessões de música - Como música humorística alentejana, lembro-me de uma –do Rui Veloso ou do Fernando Pereira ? - que referia os amosquitinhos que aqueimavam as azasas e que as azosgazinhas os acomiam –aos amosquitinhos, claro- .... e não sei que mais.
Entendia, no meu total desconhecimento destas particularidades, que tais «amosquitinhos» não seriam mais que brincadeiras destinadas a provocar – como provocaram- o riso a muita gente....
Em determinada altura da minha vivência por Cascais, assisti um dia a
uma conversa em que uma alentejana dos 7 costados e mais de 70 anos de
idade, a sério e à minha frente disse:
Em minha casa guardo o mel em «agarrafões» !
Constatei, ao vivo e a cores que era mesmo verdade ! Pelo Alentejo existiam azosgazinhas, amosquitinhos com azasazinhas que se aqueimavam, pois se até agarrafões havia !
No esforço para conter o riso, ia arranjando um enfarte...
32º Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica

Porto, até 10 de Junho
Em 2009, o FITEI – Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica
celebra a sua 32ª edição na convicção de que, mais do que nunca, a
programação aqui apresentada contempla uma diversidade de propostas que,
sem perder de vista os propósitos do Festival, na promoção do teatro e
das artes performativas no contexto ibérico, aposta cada vez mais numa
inovação constante, acompanhando as transformações do domínio das artes
do palco, numa aproximação cada vez mais evidente aos campos da dança,
performance, teatro de marionetas e novo circo. Se estas propostas
surgem deste motivo principal, não é demais referir que também acontecem
da necessidade de pensar o Festival no contexto de uma cidade que deixou
de ter programação regular nestas áreas culturais, um factor que
entendemos como um desafio à própria natureza evolutiva do FITEI.
No Festival, as cumplicidades com outras instituições multiplicam-se em
2009. Voltamos a reforçar a parceria com o Teatro Nacional São João, com
espectáculos também no TECA – Teatro Carlos Alberto e Mosteiro São Bento
da Vitória.
Mas não são estes os únicos espaços do Festival, também saímos à rua, numa contaminação festiva entre os espaços urbanos e os seus públicos, ocasionais ou não. Vamos subir à Torre dos Clérigos e fechamos o Festival nas ruas de Matosinhos.
Mantemos a rede de extensões do FITEI, fortalecendo a presença do
Festival muito para além dos palcos da cidade do Porto. O Teatrão, em
Coimbra, e o Fórum Cultural José M. Figueiredo, na Moita, são as
escolhas para 2009.
Do programa do FITEI 2009, destacamos os regressos de algumas companhias
ao Festival e de muitas novidades. A semelhança das duas últimas edições
do Festival, Espanha continua a ter uma forte presença na nossa
programação. Voltamos a acolher os Fura del Baus que, depois de oito
anos de ausência nos palcos do Porto, apresentam no Coliseu do Porto «Boris
Godunov», uma peça dirigida por Alejandro Ollé. O programa também
contempla o regresso dos Atalaya com «Ariadna», espectáculo com honras
de abertura neste Festival, e dos galegos do NUT Teatro, numa
co-produção entre o Centro Dramático Galego e o FITEI.
Com um olhar atento à produção nacional, acolhemos também algumas
companhias portuguesas que marcaram presença em várias edições do
Festival, como os Artistas Unidos, com a peça «Onde Vamos Morar» e o
Teatro do Bolhão, com a estreia de «Traições». Mas nem só de regressos é
marcada a programação de companhias nacionais, apresentamos ainda Célia
Ramos com «As filhas da mãe - fantasias eróticas das Mulheres
Portuguesas» e Pedro Gil com a peça «Mona Lisa Show». Contamos com uma
dupla apresentação de Filipa Francisco, primeiro com «Leitura de
Listas», numa colaboração com André Lepecki, e depois com Idoia Zabaleta,
em «Bicho eres un bicho». Atento ao desenvolvimento do novo tecido
teatral português, apostamos na apresentação do Teatro do Frio e
Comédias do Minho com a peça «Estufa Fria».
Num desafio único ao público do Festival, apresentamos este ano a peça «La
Piel del Agua», do Teatro em el Aire, um espectáculo exclusivo para o
público feminino, inspirado nos «hammam» – banhos turcos – exclusivos
para as mulheres nas sociedades muçulmanas.
Mas o FITEI não fica por aqui. Em torno deste núcleo central de
programação, vamos ter conferências, exposições e debates. Antecedemos a
abertura oficial do Festival com o concerto pela St. James Street Band.
Seguem-se as exposições «Ich bin kein Berliner» de João Tuna, que inclui
ainda uma conversa entre o fotógrafo e Paulo Eduardo Carvalho, e
«Contrapontos visuais», onde os fotógrafos Susana Neves e Pedro
Sottomayor revisitam as últimas três edições do FITEI. Apresentamos o
documentário «Brook by Brook» de Simon Brook, sobre um dos mais
aclamados encenadores do século XX: Peter Brook. Partimos à descoberta
dos universos de Fernando J. León Jacomino sobre o «Teatro de Rua em
Cuba» e com Guilhermo Heras, seremos conduzidos na conferência «As Artes
Cénicas Ibero-americanas e o Papel da Iberescena Debate». Na vertente
formativa, o FITEI convida Lidia Rodriguez, directora da companhia
Teatro en el Aire, para um exercício sobre o processo criativo, e
Roberto Merino, com «Diabos à Solta», em exercícios performativos com os
seus alunos da ESAP.
Com este programa, o FITEI propõe dezasseis dias de teatro e não só, de
reflexão e debate, de caminhos cruzados, de exploração ao mundo das
artes do palco nas suas mais diversas formas e momentos.